JÁ OUVIU: LUIZA CASPARY

16/12/2019


 Luiza Caspary  (Foto: Rodolfo Magalhães)

 

Talvez você já tenha ouvido a voz de Luiza Caspary por aí, jogando um game de "Child of Life" (RPG da Ubisoft) ou "The Last of Us", do PS3. Mas se você não manja nada de games, tudo bem, a gente vai falar de música.

 

A baiana-gaúcha -- que tem trabalhos como dubladora e hoje mora em São Paulo -- lançou seu segundo disco Mergulho este ano e tem um trabalho marcado pela inclusão. Desde o início da carreira como cantora ela trabalha a acessibilidade e traz para os clipes e shows a tradução para a Linguagem Brasileira de Sinais.

 

"Desde 2011, quando lancei o primeiro vídeo (da música 'Caminho Certo') com audiodescrição no Brasil, já conversava com a comunidade de surdos e cegos. Hoje eu levo tradutores comigo aos shows pois nem todo o lugar disponibiliza um. A música precisa incluir o outro", conta ela.

  

 

Intervalo entre os discos

 

A música está na vida de Luiza desde que ela é pequena. Ela conta que cresceu em uma família que a deixou livre para ser artista. "Senti um chamado, aliás, mais do que um chamado, eu vi isso como uma utilidade", diz ela sobre o fazer música.

 

O primeiro disco, Caminho Certo, veio em 2013. Foram sete anos até o novo trabalho sair. O longo intervalo tem motivo. "Eu senti que precisava amadurecer, entender melhor as emoções para compartilhá-las com as pessoas. Tive dois lutos nesse período, que foram a morte da minha avó e o fim de um longo casamento, então precisei me entender", comenta ela.

 

Mergulho traz nove músicas e parcerias com nomes como Jair de Oliveira, Juliana Strassacapa, Gabriel Von Brixen, Estevão Queiroga e Necka Ayala.

 

 Capa do disco Mergulho

 

"O primeiro disco foi como eu queria, lapidei mais minha voz. Mergulho é mais puro, as melodias foram feitas de forma que a letra e os violões saltassem ao ouvido. Acho que eu entrei num pensamento de parar de querer cantar bonito e deixar a música mais verdadeira, mais espontânea", diz a cantora sobre o trabalho.

 

É justamente nessas faixas de violões delicados que a voz de Luiza ganha força. "Sinais", faixa que abre o disco (veja o clipe acima), é dedicada à avó da cantora. "É como se fosse uma carta da minha avó se despedindo. Não à toa ela abre o disco". Para o clipe da música, a própria cantora intepretou a linguagem de sinais.

 

Todas as faixas do novo disco ganharam um vídeo usando a linguagem de sinais e com o mesmo cenário: Luiza, só ou acompanhada, em um sofá confortável, como se estivesse ali, na sala da sua casa. 

 

Abaixo, assista aos clipes de "Bem-Vindo", com participação de Jair Oliveira, e de "Tempo", com Gabriel Von Brixen:

 

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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