Höröyá mostra a força do encontro entre música e dança

06/02/2020

 

Groove, samba, candomblé, afrobeat, funk e jazz, São Paulo, Bamako e Bobo-Dioulasso. O caldeirão de ritmos do Höröyá - grupo instrumental formado por brasileiros e senegaleses - tem ngoni, dunun, djembe, balafon, krin, sabar e tama soando junto com atabaques, berimbaus e cuíca, além de guitarras, saxofones, baixo, trombones e trompetes. 

 

O último álbum do grupo, Pan Bras’Afree’Ke Vol.2 (ouça aqui) chega ao palco do Sesc Pompeia na próxima quinta (13/02), adicionando mais elementos a este caldo. 

 

No espetáculo, o grupo convida os guineanos Mamady Keita (djembe), Djenab Soumah (dança) e Djanko Camara (dança), Rosangela Silvestre (dança) e os senegaleses Aziz Mbay (dança) e Moustapha Dieng (sabar) para um espetáculo cujo protagonismo será dividido entre o som e a dança, aprofundando a pesquisa do grupo em torno das expressões artísticas - musical à frente - de matrizes africanas e da diáspora negra. 

 

Reunidos numa residência artística em Florianópolis antes de virem a São Paulo, conversei com André Piruka (Horoya) e os convidados Rosângela Silvestre (BRA, dançarina) e Djanko Câmara (GUI, dançarino) sobre os desafios deste show e a importância de encontros entre artistas de países diferentes nos nomes, mas semelhantes em suas lutas.

 

 

Como está sendo o desafio de transpor para o palco o disco Pan Bras'Afree'Ke Vol.2

 

André Piruka: Realmente é necessário adaptações do disco para o palco, pois temos muitas participações de peso, de instrumentos que não usamos no grupo, mas ja pensei nisso no processo de criação. E gosto da idéia de um disco mais amplo, com proposições artísticas e culturais e uma apresentação diferente, mas que na essência são o mesmo. E costumamos receber muitos convidados, o que torna cada apresentação única. Sempre na conexão e união África Brasil.

 

Nesse momento vocês estão juntos numa residência em Florianópolis. Como este período intensivo acaba reverberando no espetáculo que será apresentado no Sesc Pompeia?

 

André Piruka: Acho fundamental trocas consistentes entre os artistas, e essas residências aprofundam as relações, tornando a criação mais consistente e genuína. Outro ponto é que Höröyá não é um projeto só de palco. Trabalhamos com cultura. Então essas vivências com trocas e difusão de conhecimento são nossa essência. 

 

 

 

Como você recebeu este convite para participar do espetáculo Pan Bras'Afree'Ke Vol.2?

 

Djanko Camara: Eu venho representar minha cultura,  mandeng, dos ballets da Guiné, a cultura griot, e fico muito feliz por participar desse espetáculo. Gosto muito de toda a equipe do Höröyá e dos outros convidados que também farão parte. Ja fiz outros shows com o Höröyá,  já somos família. Mas buscamos sempre reinventar para surpreender o público que nos acompanha.

 

 

 

Qual a importância de projetos como esse, que eleva ao protagonismo as linguagens afrobrasileiras?

 

Rosângela Silvestre: Acho que a importância é a promoção de encontros. Se pudéssemos sempre realizar esses encontros, encheríamos o mundo de arte. E nesses encontros propomos linguagens que favorecem a todos os lados. Eu posso não entender a língua Wolof (Senegal), mas entendo o seu corpo, e fazemos conjuntamente uma linda conversa. E como nos entendemos, favorece a união de todos, os que criam e os que assistem.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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