QUESTIONÁRIO DA QUARENTENA #2

07/06/2020

À espera do 1º filho, Tomás Bertoni (Scalene) não vê mais sentido em viver na cidade grande

Tomás Bertoni, guitarrista do Scalene (Divulgação)

 

 

Quatro shows no ano. Até agora, este é o saldo da banda brasiliense Scalene em 2020. A turnê do último disco, "Respiro", estava acontecendo quando eles tiveram, nas palavras do guitarrista Tomás Bertoni, que “reagrupar e entender o que fazer" devido à pandemia.

 

 

Sem shows e em isolamento social, a banda colocou no ar um projeto diferente, o Respirando na Quarentena, que rolou de março a maio. Foram dez semanas com mais de 50 lives com diferentes conteúdos produzidos pelo quarteto – que tem ainda Gustavo Bertoni (voz, guitarra), Lucas Furtado (baixo), Philipe Nogueira (bateria). Os conteúdos eram pagos e iam desde assistir a partidas antigas de basquete e futebol a jogar online com os apoiadores. Uma experiência diferente na relação com o público.

 

 

"A interação no 'RNQ' acaba sendo especial por ser menos gente, fica mais fácil de ler os comentários. É interessante para entendermos o que o Scalene significa e pode significar pra quem nos acompanha. Para fazer uma live mais elaborada (dessas que tão bombando), gera bastante custo, temos que ver alguma parceria com marca. Se for com a banda inteira reunida, então, mais custo ainda e sabe-se lá quando vai ser possível. Estaremos presentes por aí de qualquer forma", diz o músico, que avisa que novidades virão em breve.

 

 

Para ele, até agora o movimento dos artistas nas redes ainda não trouxe nada tão inovador, apenas usou mais ferramentas que sempre estiveram aí. Respostas sobre como a música vai sair desta crise, ainda são incertas. "A cabeça da galera de todas as áreas do entretenimento abriu e tá fritando. Vamos ver o que sai de bom", diz.

 

 

Em meio a tantas incertezas, Bertoni vive ao mesmo tempo um momento muito especial: vai ser pai (a apresentadora Titi Müller, com quem ele é casado, está grávida; Benjamin é esperado para junho). “Rola uma serenidade - única talvez - por estar nesse momento. Saber que não adianta e nem dá pra desesperar ou se estressar demais. Eu já estou tomando providências desde o ano passado, sou do time que acha que, apesar de não podermos desistir, o mundo como conhecemos já era. A pandemia só está acelerando esse processo”, conta Bertoni.

 

 

Ele está montando um sítio no interior para onde a família talvez mude. Morando há dois anos em São Paulo, ele concluiu que a vida na cidade grande, para ele, não faz sentido. “É muito desumano. Vou ficar pelado fazendo minha hortinha e com um estúdiozinho no meio do mato. Quando precisar, tô a 1h30 de carro daqui”.

 

 

Enquanto espera a chegada de Benjamin, Tomás respondeu ao Questionário da Quarentena, um pingue pongue sobre esses dias de isolamento social.

 

 

 Scalene (Divulgação)

 

 

Você lembra o que fez no último dia antes do seu isolamento começar?

 

Gravei uma entrevista de casa pra Band e fui com meu irmão fazer compras de mercado e farmácia.

 

 

Você já pensou em como gostaria que fosse o primeiro show de vocês com público, após tudo isso?

 

Longo pra caramba. O show mais longo que já fizemos na vida. Vibe tocar até não aguentar mais. Catarse total. Seria legal se fosse no Rio de Janeiro, uma cidade que sempre nos recebeu bem e que ainda não pudemos ir com o novo álbum.

 

 

Se soubesse que ficaria tanto tempo em casa, você…

 

Me despediria da casa dos meus pais em Brasília, que foi alugada.

 

 

O que você descobriu sobre você nesses dias de isolamento social?

 

Que meu maior problema de ansiedade é o FOMO (fear of missing out). Estava sempre agoniado saindo de casa e fazendo alguma coisa.

 

 

O que mais te irritou nessa quarentena?

 

O governo.

 

 

Do que ou de quem sentiu mais saudades?

 

Gig do Scalene.

 

 

Qual foi o seu maior medo até agora?

 

Titi pegar o corona enquanto grávida.

 

 

Qual foi a sua maior extravagância?

 

Robôzinho de limpar a casa. Que adianta nada, inclusive.

 

 

Nesse isolamento você percebeu que não pode viver sem…

 

Ser produtivo.

 

 

E que pode viver sem…

 

Barzinho e festinha.

 

 

Se você tivesse que escolher uma trilha para essa quarentena, qual seria?

 

Novo EP “Ritual”, do Leifur James; “Boa Sorte”, do Teago Oliveira; e a música “Louder Than Words”; do Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynski. “Louder Than Words” estou, de verdade, ouvindo tipo cinco vezes por dia desde que lançaram. Isso que já tinha ouvido antes de sair.

 

 

Quando a quarentena acabar, você…

 

Vou levar o Benjamin para brincar com outras crianças.

 

 

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Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem.

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