JÁ OUVIU: GUSTAVO FAGUNDES

24/08/2020

Fazendo uma "nova-bossa-nova", cantor lança música sobre o amor em tempos de quarentena

 O músico Gustavo Fagundes (Foto: Paula Fagundes)

 

 

Cada vida foi impactada de uma maneira desde que a pandemia chegou. No caso do cantor Gustavo Fagundes foi uma verdadeira reviravolta. O músico perdeu o pai, começou a namorar, lançou novas músicas e agora vê um caminho, entre perdas e encontros, cheio de planos com a sua “nova-bossa-nova".

 

 

"Escuta o meu Tom”, música mais recente do cantor, viralizou ao mostrar cenas de casais e diferentes formas de se relacionar à distância nesse período. Música e clipe foram inspirados na própria experiência de Gustavo. A letra, escrita em parceria com Dougie Ribeiro e Pablo Cândido, e inacabada há seis meses, foi finalizada após o músico viver uma história de amor durante a quarentena.

 

 

"É a história de um amor que começou de forma despretensiosa, que inicialmente não tinha a intenção de ser algo mais que um ‘lance’ (risos), mas que foi crescendo e me surpreendendo. Até que ficou difícil não chamar a pessoa de 'amor'", diz ele ao Azoofa, citando o refrão da canção.


 

 

 

Para o carioca, esse novo momento em que estamos coloca sim muitas relações à prova. "Não só qualquer relação, mas como qualquer crença ou anseio pessoal. Esse momento veio pra nos balançar, pra sacudir e tirar tudo que for efêmero, pra deixar somente o essencial. Dessa forma, as relações que realmente forem verdadeiras e valerem a pena, vão se manter após essa turbulência".

 

 

Nas plataformas digitais, há vários singles de Gustavo. As novas músicas – além da já citada, este ano ele lançou também “Em Silêncio” – mostra um novo rumo artístico, mais pop e mantendo o lado refinado da MPB que ele vinha fazendo. É o que ele chama de “nova-bossa-nova".

 

 

"O momento diferente para mim se iniciou com o single ‘Em Silêncio’. ‘Escuta o Meu Tom’ é só uma continuação desse momento, que tem suas variações de humor, produção e etc, cada momento é um momento na vida de uma pessoa, assim também como na de um artista. Mas eu considero dentro desse meu novo momento, mais maduro e consciente da música que faço”, diz ele, que tem como ídolos João Gilberto e Tom Jobim.

 

 

 

 

Filho de "uma mãe sensível, amorosa e artista e um pai médico e racional", Gustavo diz que faz música desde que se entende por gente. "Sou médico como o meu pai e artista como minha mãe". Entrou na primeira edição do The Voice, o que encarou como uma escola. "Hoje me sinto muito mais maduro e seguro para trabalhar com a minha própria arte. O The Voice pra mim foi uma grande festa".

 

 

Além do programa em 2012, Gustavo fez duas parcerias com Paula Fernandes - que estão no disco da cantora vencedor do Grammy Latino de 2019 - e bancou  ator interpretando César Camargo Mariano em "Elis - A Musical".

 

 

Com várias músicas lançadas, o "disco cheio" está nos planos, mas ele diz querer esperar o momento em que isso faça sentido. "Eu ouço discos, acho que o disco é o grande selo e livro do artista. Ainda não lancei o meu porque ainda não senti que é o momento. Quero que esse disco seja verdadeiramente um Disco, como os que eu escuto e penduro nas minhas paredes (risos)".

 

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem.

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