Danilo Penteado reúne Luiz Tatit e Maurício Pereira em novo single

23/09/2020

Confira o clipe de "É a Esperança"

 

 

Ná Ozzetti, César Lacerda, Rômulo Fróes e Alice Coutinho; Luiz Tatit, Maurício Pereira e Lucas Casacio; Danilo Penteado. É quase uma escalação da seleção brasileira o time que o cantor, compositor e multi-instrumentista Danilo Penteado vem convocando para seu projeto de sambas em formas de singles que estão sendo lançados durante a quarentena. 


Em setembro, foi a vez de "É a Esperança", composição sua que ganhou letra de Luiz Tatit e voz de Maurício Pereira - e, com isso, reuniu pela primeira vez em registro fonográfico estes dois baluartes da música paulistana. A faixa, que remete à obra de Nelson Cavaquinho, também se conecta aos dias de hoje, em que as notícias ruins se acumulam - mas ninguém ainda conseguiu se despedir completamente da esperança.


O Azoofa apresenta com exclusividade o clipe da canção, com edição de imagens de Lucas Casacio (que também assina a bateria e a percussão). Assista:



 

 

Danilo tem uma longa lista de serviços prestados à música. Formado em Música Popular pela UNICAMP, fundou o grupo Quatro Zero (com foco no choro) e faz parte da Compay Tumbao (música cubana) e Orquestra Mundana Refugi, além de diversos outros trabalhos. Em 2019, lançou seu primeiro disco solo, "Ling Leng".

 

 


 

Neste projeto de samba, Danilo une a linguagem adquirida com toda esta estrada à experiência de ter assinado a produção e mixagem de seu disco de estreia.  Ele está gravando todos os instrumentos (exceto bateria e percussões), mixando em casa e convidando intérpretes para cantá-los. 


Conversei com Danilo sobre o projeto, sua admiração por Tatit e Pereira e o processo de criação de "É a Esperança". Confira: 

 

 



Eduardo Lemos: Lançar um projeto musical em plena pandemia: o que te motivou a fazê-lo e como tem sido o retorno dele pra você?


Depois de 20 anos vivendo intensamente o cotidiano de ensaios, shows e gravações, o hábito de criar música acaba se tornando quase que uma necessidade. Com a impossibilidade de me reunir com outrxs músicxs, criei maneiras de continuar produzindo. Criei um duo com a minha companheira Flora, continuei minha pesquisa sobre a obra do Gilberto Gil e consegui equipamentos para poder gravar e mixar em casa. Quando conversei com o Maurício Tagliari, da YB music, e ele abriu a possibilidade de eu ir lançando singles durante a pandemia, incorporei a ideia e estou lançando um por mês. O retorno tem sido melhor do que o do álbum com 9 músicas que lancei no ano passado (LING LENG). O fato de poder dar atenção a cada canção individualmente faz com que elas tenham mais alcance e, por consequência, atraiam mais ouvintes para meus outros trabalhos.


 

Como rolou a ideia de que cada música traria uma parceria diferente, num momento em que os encontros são limitados ao virtual? Como foi a logística disso?


Meu parceiro principal nessas histórias dos sambas é o Lucas Casacio, que tem gravado as baterias e percussões e editado os vídeos. Foi ele quem, no começo da pandemia, me perguntou se eu tinha alguma música para ele gravar à distância. Mandei uma versão de voz e violão, gravados ao mesmo tempo com o microfone do celular, ele gravou a bateria em cima e lançamos o primeiro single ("O que então nos faz sonhar", parceria com César Lacerda). Depois que consegui equipamento melhor para gravar e mixar, surgiu a ideia de convidar cantores para interpretar as canções. O primeiro foi o Rômulo Fróes, depois a Ná Ozzetti (em "Falta Muito Ainda?", parceria com a Alice Coutinho) e esse mês o Mauricio Pereira. Eles gravaram vídeos deles cantando, com o celular mesmo, eu gravei violão, cavaquinho, sanfona e baixo e mixei em casa. Aí mandei os vídeos para o Lucas e ele editou tudo. Os clipes têm tido uma grande importância para a divulgação dos sambas.


 

"É a Esperança" faz uma clara alusão à Nelson Cavaquinho. Como foi convidar o Tatit para assinar a letra e qual a sua reação quando a recebeu?


Quando mandei a melodia para o Tatit, disse a ele que era um samba na onda do Nelson Cavaquinho. Ele captou rapidamente o espírito e fez referências a Juízo Final e alguma alusão a Luz Negra. Considero o Tatit um dos maiores letristas da história da Música Brasileira. É uma grande honra ter me tornado seu parceiro.


 

Mauricio Pereira é um grande nome da música brasileira, e a cada ano o percebo ainda mais importante, no sentido de que mais músicos vão descobrindo sua obra e querendo se conectar com ele. Ele parece até um guru da nova geração. Como foi tê-lo na música?


O Mauricio me influenciou musicalmente principalmente por causa do album Mergulhar na Surpresa. Ele tem muita personalidade no jeito de compor e cantar e é um grande conhecedor de música em geral. Foi muito enriquecedor trocar ideias com ele sobre os detalhes de "É a esperança". Além da parte musical, e aí realmente ele foi uma espécie de guru, ele me ligou um dia e disse: "Danilo, está história da série de sambas está muito legal. Presta atenção no jeito que você vai divulgar isso". E realmente essa chamada surtiu grande efeito em mim, no sentido de ficar mais ligado ao jeito que funcionam as plataformas digitais, a assessoria de imprensa, o formato de singles, etc. São questões cruciais para se produzir música nos dias de hoje e ainda mais agora na pandemia. Foi uma parceria que me deu muita alegria e que tenho certeza que vai render mais frutos!

 

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Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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