Os bastidores do Lollapalooza em 13 tempos

lollapalooza bastidores jockey club 2013

1. Hoje o Lollapalooza amanheceu cheio. Não, ainda não era dia de show. Mas o número de pessoas trabalhando daria para lotar um Credicard Hall tranquilamente.

2. A primeira coisa que você pensa quando adentra um festival em pleno processo de montagem, naquele estágio em que todas as coisas estão fora de seu lugar, é: quem é o maluco que acha que isso vai dar certo?

3. A segunda é: porque não usamos carrinhos de golfe como transporte? Veja como são práticos: possuem apenas dois pedais (um de acelerar e outro de parar; ou seja, até uma criança conseguiria pilotá-lo); possuem espaço para 6 pessoas (eu disse 6 pessoas); são menores que os carros normais (falta de vagas na rua, nunca mais). E, pelo que vi, não é preciso carteira de motorista nem se preocupar com o CET.

4. O número de metros quadrados do Jockey (350 mil) é um pouco menor do que o número de esporros e broncas que são disparados por todos os lados . É como um jogo: todos tomam e dão esporros. Ganha quem der mais e receber menos.

5. Esporros em inglês são mais difíceis de digerir - ou porque você não entende direito o que o cara falou, ou porque gringo quando está nervoso fica cor de rosa. Em português de São Paulo, costumam vir mais formais (Isto não está certo!) e profissionais (Temos que melhorar!) Já em portu-carioquês, no entanto, as broncas ganham temperatura e praticidade. “Porra caralho que merrrrda é essa?”.

6. Pode ser só síndrome de Woodstock, mas um festival como o Lolla emana um espírito de solidariedade. Há qualquer coisa de hippie no olhar das pessoas. Quem está trabalhando por lá almoça no mesmo restaurante e come a mesma comida do buffet, seja você quem for. Ver beleza nisso pode ser apenas um ato involuntário causado pelo excesso de Marco Feliciano nas nossas vidas. Mas o fato de ter tanta gente trabalhando em tantas diferentes funções – do motorista de caminhão ao funcionário da empresa de geradores, do roadie do The Killers ao bilheteiro, - guarda uma pequena lição.

7. “Se eu tivesse dinheiro, eu não estaria aqui”, EQUIPAMENTO, CARREGADOR DE.

8. Dois garotos americanos uniformizados de Abercrombie e uma garota canadense de não mais que 16 anos chegam à porta do Jockey. Um segurança baiano os atende. Eles querem comprar ingresso. Então, com sotaque carregado e muito, muito pausadamente, o baiano dirige-se ao seu colega que está logo à frente. “Oh, A-de-nil-son, mos-tra pra e-les a bi-lhe-te-ria”.

9. Nesse mundo dos bastidores, todo mundo parece artista, fala como se fosse artista e usa óculos Ray Ban.

10. A maior frustração de um músico não é tocar air guitar no chuveiro (embora seja uma cena deprimente, convenhamos), mas sim ver de perto palcos e mais palcos sendo montados, um mais bonito e suntuoso do que o outro – e então ter que admitir que nunca vai pisar naqueles templos do rock. Falo por experiência própria.

11. O Lolla não é o festival perfeito, mas é o que mais se aproxima disso. Embora eu tenha críticas ao seu line-up sempre recheado de bandas internacionais muito aquém de diversas bandas nacionais, trata-se de um festival de personalidade própria. Não é como o Rock in Rio, que tem aquele jeitão de shopping ao ar livre. No Lolla, tudo parece mais simples, organizado e harmonioso.

12. Por isso, é legal saber que haverá Lollapalooza no bairro do Grajaú. É isso mesmo: o Lolla montou um palco paralelo no Grajaú (o bairro que começa a significar para Criolo aquilo que o Jaçanã significou para Adoniran). No sábado (30) e domingo (31), das 16h às 22h, vão rolar shows gratuitos e transmissão por telão das principais atrações do Jockey – ao vivo. Saiba mais.

13. Portanto, se você não encher o pé de lama na grama molhada do Jockey, aproveite para conhecer o Grajaú, assistir ao show do Lirinha (recomendo!) e dizer pra todo mundo que você foi ao Lolla sem gastar um centavo.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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