Por dentro do ensaio: Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

(Você se incomoda se a gente falar um pouco de música?)

São Paulo, Perdizes, Rua Caiubi, Estúdio Ekord. 11h30 da manhã de uma quarta-feira levemente ensolarada.

Olhando da rua, estúdios não tem cara de estúdios – e aquele não é diferente. Quem vê de fora não imagina que lá dentro está uma banda de 9 músicos fazendo um barulho ensurdecedor com seus diversos instrumentos de sopro, um teclado, uma guitarra e uma bateria. Também não se antevê a elegância e bom gosto da casa onde está o estúdio – é dessas em que você entra e segundos depois decreta para o amigo ao lado:

- Eu moraria aqui.

Bom, imagine então morar nesse sobrado em que no andar de cima está uma das mais competentes e interessantes bandas brasileiras dos últimos anos tocando como se não houvesse amanhã?

Apertamos a campainha, entramos. Andamos e ao mesmo tempo que andamos e tentamos reparar no local no qual estamos entrando, nossos ouvidos captam o som inequívoco dos metais. Rapidamente subimos os 17 degraus que separam o térreo do andar superior. Conforme vamos avançando degrau a degrau, o som vai tomando conta, colorindo as paredes, os pensamentos e, então, olhar pra baixo (já estou no 13o degrau) é como deixar todos os problemas para trás – a mesma sensação, aliás, que a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana costuma causar em seus fãs quando está em cima do palco.

Ao que parece, também quando está ensaiando.

[caption id="attachment_807" align="aligncenter" width="576"] Descontração nos últimos ensaios da OBMJ antes da estreia (foto: divulgação/Estúdio Ekord)[/caption]

A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, ou OBMJ, está naquele momento realizando o primeiro de dois ensaios antes dos shows que fará neste final de semana, no Sesc Pompeia, para marcar o lançamento do seu novo álbum, “Volume II” - saiba mais sobre o show aqui.

Depois de diversas idas e vindas na tentativa de agendar um encontro geral, finalmente chegou-se a um consenso: seria naquela quarta-feira a primeira vez que o time completo da OBMJ se reuniria para repassar músicas que tocaram separadamente nos últimos meses, período que compreendeu as gravações do álbum - também realizadas naquela sala do Estúdio Ekord entre o fim de 2012 e o começo deste ano - e os ensaios para o novo show.

Da sala de ensaio escuta-se: eles estão tocando sua versão para o clássico “País Tropical”, de Jorge Ben. A porta da sala de ensaio está fechada, e não a abrimos imediatamente, mas alguns minutos depois aproveitamos o intervalo entre uma e outra canção para entrarmos.

É uma sala grande, mas que parece pequena quando recebe Sérgio Soffiatti (guitarra e voz), Felippe Pipeta (trombone e flugelhorn), Otávio Nestares (trompete e flugelhorn), Ruben Marley (trombone), Fernando Bastos (sax tenor e flauta), Igor Thomaz (sax barítono e alto), Fabio Luchs (bateria) Rafael Tolói (contrabaixo) e Pedro Cunha (teclado), os nove músicos titulares da banda, que nos cumprimentam com gentileza e simpatia.

O clima é de descontração. Todos conversam entre si, fazem piadas internas, tiram sarro uns dos outros. Numa dessas, Marley pede a palavra. “Vocês são todos cínicos”, diz ele, dirigindo-se à banda. “Foi só eles [nós, os jornalistas] chegarem que ficou esse clima alegre”. A brincadeira faz todo mundo rir antes de Luchs contar 1, 2, 3 para a entrada de “Sítio do Pica Pau Amarelo”, a composição de Gilberto Gil que ganhou uma roupagem rocksteady nas mãos da OBMJ.

[caption id="attachment_808" align="aligncenter" width="576"] A metaleira acertando os ponteiros... (foto: divulgação/Estúdio Ekord)[/caption]

Olho no canto direito da sala, e lá está, lado a lado, a “metaleira” – os músicos responsáveis pelos instrumentos de sopro. Meu olhar faz uma curva à esquerda, e lá está Sérgio, guitarra Gibson nas mãos. É ele uma espécie de coordenador geral do ensaio, seja repassando olhares durante a execução de uma música – “agora breca”, “dobra o tempo” e outras informações são transmitidas sem que haja qualquer comunicação verbal - ou aguardando os intervalos para relatar um outro detalhe que não ficou bom.

No final de 2012, em uma entrevista que realizei com Sérgio, ele me explicava que a dinâmica de  ensaio de uma bigband como a OBMJ é diferente. “Como toda orquestra, a gente já tem o arranjo que é tocado por todos. Os ensaios não precisam ser intensos, digamos assim. Não precisamos de muitos ensaios. Com o arranjo pronto, a gente reúne a banda e ensaia para acertar um ou outro ponto. Dali em diante, estamos prontos para subir no palco ou gravar em estúdio”. O baterista Fábio Luchs completa. “A Orquestra também costuma ter ensaios em bloco. É a reunião de dois ou três membros, apenas, que se juntam para ensaiar determinada música. É uma maneira nova de otimizar o tempo. Se não, fica muito difícil reunir...”

Talvez a pessoa que mais saiba dessa dificuldade seja Felippe Pipeta, trompetista e um dos idealizadores da banda. “Sim, sobrou para mim esta triste missão de agenda os ensaios”, ele conta, rindo. “A melhor coisa é tentar combinar o ensaio pessoalmente com todos os integrantes presentes. Por e-mail é uma bagunça total”, diverte-se. Mas ele vê um lado bom nessa dificuldade. “Somos uma banda de 9 músicos com todos muito ocupados com outros projetos. Fico feliz que estão ocupados: sinal de que estão trabalhando e tocando por esse Brasil”.

A OBMJ começou sua trajetória em 2005, quando Felippe e Sérgio tiveram a ideia de criar uma banda para tocar música jamaicana de raiz – ska, rocksteady e early reggae -, mas logo veio a proposta de fazer versões de canções brasileiras. Em 2008, começaram a tocar aqui e acolá, até acontecer sua estreia fonográfica, “Volume I”, no ano seguinte. Com shows lotados em diversas cidades do país, o projeto foi ficando cada vez mais forte e bem sucedido.

“Acho que estamos conquistando e consolidando nosso espaço cada vez mais”, me diz Felippe, por e-mail, horas depois do ensaio. “Montamos uma orquestra quase que 100% instrumental numa época onde o foco não é esse. A arte e a cultura vem perdendo muito espaço. Ano passado, tivemos uma grande prova de que estamos num bom caminho, foi nosso melhor ano, temos conseguido viajar de norte a sul do país e sempre bem recepcionados. Eu e o Sergio, desde o início, sempre confiamos muito nesse projeto, tivemos experiências anteriores e sabíamos que daria pra fazer algo legal e que as pessoas gostassem tanto como a gente”.

[caption id="attachment_809" align="aligncenter" width="623"] ... e pondo fogo no palco (foto: Ju Chang)[/caption]

Agora em 2013, além de celebrarem a chegada do segundo disco, a OBMJ comemora 5 anos de banda e começa a pensar em um DVD ao vivo. “Estamos escrevendo um projeto para viabilizar a gravação desse DVD, pois os custos são muito altos. Temos convicção de que o próximo lançamento da OBMJ vai ser um DVD”, diz Sérgio. “Temos planejado uma trilogia dentro dessa história de se fazer versões da música brasileira em ritmos jamaicanos, que será o “Volume III”. Existe a possiblidade desse terceiro momento acontecer em formato de DVD com músicas dos discos anteriores e mais algumas inéditas e próprias”, completa Felippe.

Voltamos à sala de ensaio. Eles estão tocando “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga, talvez a música que melhor resuma o sucesso da proposta da banda – é surpreendente a amizade que eles fazem nascer entre o forró e o reggae, por mais semelhantes que os ritmos possam ser em diversos aspectos.

Difícil explicar. Mas se essa versão fosse um certo tipo de bebida, eu certamente estaria viciado.

É também incrivelmente interessante assistir ao ensaio da OBMJ tão de perto. Há um admirável entrosamento entre os integrantes, fruto de alguns anos de convivência musical entre eles e do trabalho de Sérgio Soffiatti como arranjador; mas, veja só a ironia, para o ouvinte a banda entrega uma sensação de naturalidade e honestidade, duas qualidades bastante raras no mercado musical atual. Fazem uma intrincada dinâmica parecer fácil. “O nosso entrosamento veio de muitos shows e ensaios. O clima bom na banda é uma coisa que prezamos, cuidamos para que isso perdure. É claro que temos brigas e discussões, mas no geral o clima é muito bom. Nos divertimos, nos respeitamos e fazemos o que amamos”, diz o guitarrista.

Talvez esteja aí o segredo da capacidade da OBMJ de te fazer esquecer por alguns instantes o mundo lá fora, mesmo quando você apenas subindo as escadas de uma casa. Todos os músicos emanam animação, vontade de tocar e um certo prazer em saber que, por mais trabalho e dor de cabeça que uma banda possa dar, ainda assim estar tocando é a melhor profissão que existe.

Mais tarde, falei com Sérgio e Felippe sobre o disco novo, o futuro da banda e o processo de se traduzir o cancioneiro brasileiro para o ritmo jamaicano. Confira os melhores trechos:

AZOOFA: Falta 1 dia para o show. Como está a adrenalina? Vontade de subir logo no palco do Sesc Pompéia?

Sérgio Soffiatti: Uma estreia é sempre uma estreia, estamos correndo com os detalhes, mas confesso que estou tranquilo e sem ansiedade excessiva. Depois que lançamos o disco virtualmente, me deu segurança. Estava preocupado com a “maldição do segundo disco” (risos), mas o “Volume II” foi muito bem recebido. Amanhã (hoje) é chutar a bola e fazer o gol!

Como foi a escolha do set list para o show de lançamento? Todas as faixas do novo disco estão na lista?

Felippe Pipeta: Agora que temos dois discos, o repertório aumentou e temos músicas para poder alternar durante a divulgação do novo album. Para o show de lançamento, as músicas do “Volume II” são prioridade. Estamos ansiosos para tocá-las e ver a reação do público. Já faz 4 meses que não tocamos. A pré produção, a gravação e a preparação do show nos consumiu muito tempo e chegou a hora de dividir esse trabalho com o público, estamos felizes. Apenas 2 músicas do “Volume II” ficaram de fora para o show de lançamento. São musicas que iremos tocar mais pra frente. Esse repertório que montamos é exclusivo para o lançamento, temos também algumas músicas do “Volume I” que irão fazer parte do show.

Vocês já fizeram grandes shows no Sesc Pompeia…

Felippe: Tocar no SESC sempre é bom. É garantia de que você vai ser bem tratado, com estrutura pra trabalhar e que o público vai ter acesso a ingressos com preços acessíveis. Podemos falar abertamente que o Sesc Pompeia é um dos melhores lugares para tocar no Brasil atualmente. Com toda certeza, faz parte da nossa história: nosso primeiro show no Pompeia foi no projeto "Prata da Casa" num dia muito especial, ingressos esgotados e com algumas centenas de pessoas pra fora. Quer começo melhor?

O Volume II traz canções brasileiras mais populares do que havia no Volume I. Ao mesmo tempo, há músicas que muita gente não conhece. Como vocês chegaram nessa equação?

Sérgio: Da mesma forma que no primeiro disco, o repertório final vem das melhores versões no que diz respeito ao groove jamaicano. Tem que soar bem no reggae, ska ou rocksteady. Mas acredito que nesse disco fizemos esse contraponto mesmo, procurando coisas populares mas com versões inusitadas e outras composições quase inéditas ao grande público.

Há alguma canção do disco que você destaque mais? Porque?

Sérgio: Acho que tem alguns destaques, mas isso é uma coisa pessoal. Gosto da forma que ficou a “Frevo Mulher”, que soa meio reggae dos anos 70. Destaco também a versão de “Ghost Town” [dos Specials] misturada com “Garota de Ipanema”, que resultou em “Ghost Girl from Ipanema”, e particularmente gosto muito de como ficou “Deixa a Gira Girar”, dos Tincoãs. Mas, sinceramente, tem muito mais no disco que me agrada profundamente.

Você é o produtor e o responsável pelos arranjos do disco. É um trabalho difícil. Qual é o processo entre escolher uma canção  até definir como ela será interpretada por vocês?

Sérgio: Ouço a música e imagino possibilidades de linhas de baixo e beats que levem ela pra jamaica. Como falei anteriormente, isso é decisivo pra música entrar no repertório. Depois disso vou detalhando os arranjos de guitarra e teclado e por fim dos sopros. A cozinha (bateria, baixo, teclados e guitarra) é a parte mais jamaicana do som, enquanto a metaleira muitas vezes recebe arranjos mais pops ou jazzisticos. Gravo no meu estúdio em midi e depois levo pra banda pra humanizarmos  os arranjos. O processo de pré-produção desse disco novo foi bem detalhado, fizemos pré-produção da cozinha, com vários ensaios e depois me reuni com a metaleira para eles tocarem e ouvirmos como estava soando. Depois foi só entrar no estúdio e gravar. Gravamos as bases ao vivo e depois a metaleira em overdub.

Como rola a decisão de, por exemplo, Trem das Onze ser cantada e País Tropical ou Primavera ser sem voz?

Sérgio: Cara, isso é bem louco, não tem muita regra. Na real, somos uma banda de música instrumental, mas como eu canto e acho necessário termos músicas cantadas principalmente no repertório do show, escolho algumas canções que me sinto à vontade pra cantar e elas acabam indo pro disco também.

[caption id="" align="alignnone" width="576"] O guitarrista Sérgio Soffiatti ensaia no Estúdio Ekord (foto: divulgação/Estúdio Ekord)[/caption]

Tem um momento do show que entra um vídeo falando sobre como é dançar ska. Isso tem desde os primeiros shows?

Felippe: Sim, temos um vídeo que ensina os 4 passos básicos do Ska. Esse vídeo é uma parodia de um documentário da BBC, se não me engano. Gravamos nossa versão e exibimos  nos shows pra galera já se preparar pra dançar muito com a gente. Vem mais novidade no show novo. Vamos ver se andaram praticando! (risos).

Dos artistas escolhidos para o Volume II, há algum que você ache que tem tudo a ver com o som da OBMJ? Se pudessem escolher um deles para fazer um som com vocês, qual seria?

Sérgio: Seria uma experiência surreal ter o Tim Maia cantando com a gente, o Wilson Simonal, mas infelizmente não existe essa possibilidade.

Quando pensamos em ska, reggae e rocksteady no Brasil, cada vez mais vem à mente a OBMJ. Vocês sentem que carregam uma bandeira desses ritmos? E percebem que, de certa forma, é através de vocês que muita gente está sendo apresentada a esses ritmos?

Felippe: Nossa proposta de tocar a música brasileira em ritmos jamaicanos é um grande desafio. Essa “bandeira” vem sendo carregada aqui por várias mãos desde os anos 60, quando a Jovem Guarda começou a regravar clássicos de sucesso jamaicano. No Maranhão, o reggae é “patrimônio”, como se fosse um ritmo brasileiro. O Brasil ama a música jamaicana, só não sabe denominar os ritmos. Não tenho dúvidas de que muita gente acaba descobrindo esses ritmos por nossas mãos, acho que no fundo a OBMJ tem sim essa missão também, pra nós é uma honra fazer parte disso. Mas é legal também quando acontece o contrário e algumas pessoas acabam conhecendo a música brasileira através de nós.

[caption id="" align="alignnone" width="480"] O trompetista Felippe Pipeta em ação pela OBMJ (foto: divulgação)[/caption]

Vocês tem uma base de fãs muito fiel à banda. Como tem sido a resposta do público nesse tempo?

Felippe: Não podemos e nem devemos reclamar, a maioria dos nossos shows  são com casa cheia, trabalhamos muito pra isso, pode acreditar.     Acho que essa é a melhor resposta que podemos ter, fazemos a música que gostamos e fazemos pro público. Tanto que nosso novo álbum está disponível para download grátis. Toco em banda de ska desde 1996 mais ou menos. Nessa época, era muito comum tocarmos pra um grupo restrito de pessoas, tocávamos em diferentes lugares mas praticamente para as mesmas pessoas. Hoje, fico feliz em dizer que não sei quem é o nosso public. Claro que temos alguns fãs mais explícitos, mas não são só fãs de ska e da música jamaicana. Eles gostam da OBMJ independente de qualquer coisa. Acho isso uma grande vitória.

Então a OBMJ segue rumo aos próximos 5 anos?

Felippe: Sim. A ideia é continuar até que nos provem o contrário… (risos)

Para comprar e/ou baixar o álbum "Volume II", clique aqui. *Agradecimentos: Felippe Pipeta, Sérgio Soffiatti e toda a OBMJ; Estúdio Ekord; Edu   
Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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