Qual é a música da sua vida?

1. Lembra quando você era mais novo e que gostar de música era uma forma de afirmar, apresentar ou mesmo sondar sua personalidade? Tínhamos uma relação mais umbilical com a música – uma vez que deixávamos uma canção entrar em nossas vidas, nunca mais éramos os mesmos. A música que gostávamos dizia muito sobre nós. Muitas vezes era através de uma música que conseguíamos dizer pro mundo quem éramos e como pensávamos.

Ouvia, logo existia.

2. Na era das redes sociais e da proliferação de artistas – consequência das facilidades tecnológicas de gravação e de divulgação - a música está deixando de ser um fator de construção de uma identidade pessoal e se tornando informação. Preferimos divulgar música do que escutá-la. Estamos nos relacionando com esta arte como se ela durasse um dia. “Hoje eu estou ouvindo isso, amanhã eu ouço aquilo, e o que eu ouvi ontem eu não lembro mais”.

Há quanto tempo uma música não entra na sua vida, toma emprestada sua casa, seu quarto, seu banho, seus momentos em trânsito, suas viagens, suas relações pessoais, a ponto de com o tempo se tornar uma memória?

Ou: o que o link da última música do Black Keys diz sobre alguém? Nada.

3. Eu sou do tempo que as pessoas tinham música preferida.

4. Por isso agora não quero mais saber de links, de “escuta esse som”, de “já ouviu o disco novo do fulano?”. Quero saber de histórias. De relações.

Qual é a música da sua vida?

Enviei para diversos amigos um e-mail com o título acima – dos mais próximos a gente que eu não falava faz tempo, da moça que passeia com os cachorros daqui de casa até o livreiro que me apresentou David Foster Wallace – e escrevi uma mensagem pra cada um explicando o que eu queria. Aqui vão as respostas, na íntegra, como se fossem cartas trocadas entre amigos:

Rodrigo Pedroso – fomos colegas de redação no portal Virgula entre 2006 e 2008. Ambos repórteres de Esporte. Um dos melhores jornalistas que já conheci. Depois disso, nos vimos uma ou duas vezes.

Talvez mais do que a letra em si da música, mas "Preciso me Encontrar" do Cartola me abriu a percepção para coisas que até então eu não atentava ou ligava. Lembro que desde a primeira vez que a ouvi, quando tinha 20 anos, a introdução logo grudou na minha cabeça. Não sabia – e não sei até hoje – porque eu ficava reflexivo, sentindo uma mistura de tristeza e coragem ao mesmo tempo quando ouvia letra e melodia juntas. Acho isso o mais foda nessa música do mangueirense. Ela me passou dois sentimentos, ou estados de espíritos, que pra mim não se conversam muito (pelo menos tentando entender racionalmente) e que deram uma força para eu enfrentar meio que uma desilusão na qual eu passava na época.

A sutileza do amor, as coisas pequenas como revigorantes, a necessidade de ser além do que se era algo impensável pra mim. O meu desencontro gerou o encontro. Faria tudo de novo.

Como história boa e piegas tem que ter final feliz, eu não morri com aquilo e superei muito em parte pela energia e mensagem que a música me passou. Aí minha cabeça abriu pra conhecer o Cartola, que me mostrou o samba, que me mostrou o Paulinho, que me mostrou os Nelsons e por aí foi. O saldo é que até hoje o que fica pra mim em música é o sentimento que ela passa e em como ela pode se conectar com coisas que você não está sabendo resolver ou nem vê. 

Rafael Consoni - Nos conhecemos quando eu tinha 6 anos, na sala da professora Lígia no pré II da escola Toulouse Lautrec. Desde então, já tivemos banda, compusemos uma música juntos e recentemente o elegemos o maior ladrão de cigarros deste país.

Meu caro,

Música é construção e não estou falando do Chico Buarque. Para que eu pudesse lhe responder sobre a música que, sem nenhuma quimera, é aquela que hoje estaria mais presente e é contundente a tudo que penso e vivo, lhe digo que só é possível dizê-la lhe contando o que as outras me fizeram pensar sobre ela. Explico: O que me mais me identifico é na verdade a construção de tudo que eu ouvi e vivi antes disso.

Agora, podemos mencionar o quão capciosa foi sua pergunta, não é mesmo? Pois para respondê-la teria de escrever aqui um livro todo, cheio de meias verdades (leia-se bíblia) sobre o assunto. Já que como adorador, tenho memoravelmente cifrado a influência de cada nota no compasso de minha vida. Mas como não quero perdê-lo no próximo parágrafo, penso que é mais fácil tentar simplificar o Rafael antes de lhe atribuir alguma música.

Uma atribuição dada não por mim, mas por um estranho desconhecido, é que apesar de jovem meu espírito é velho. E a própria brincadeira do nome já diz muito: Velho Consa. Pois é, acho que tenho alma de velho. Pelo menos entendo isso. Apesar de tocar bateria e ouvir Rock, pirar no som do Foo Fighters. Entrego, não o corpo, mas a alma, às métricas, harmonia e toda essa caretice clássica. É, falo de coisas antigas, velhas, esquecidas... Isso não significa que gosto de coisas novas, mas as que tocam o amago, só tocam no ipod. Não aparecem na tv, rádio e, male male, no youtube.

Alguém de gosto tão quadrado naturalmente será cunhado a apreciar o já mencionado Chico e provavelmente aqueles que um pouco o conhece já sopitariam em palpitá-lo. De fato, a letra por isso só é algo que, como qualquer outro instrumento, toca. E por isso certa vezes sinto que ao ouvi-la caio no canto de sereia e fico firme igual pedra na areia... Trocadilhos a parte, essa ludibriação pode acontecer até mesmo sem a vós. Basta sentir o peso das cordas pra ser transportado para o sentimento que a música carrega.

Uma vez que essas duas coisas direcionam o meu pensar e sentir, digo que a música que mais me toca hoje é essa aqui:

Poema dos Olhos da Amada - Vinícius de Moraes / Paulo Soledade do álbum Garota de Ipanema que é uma trilha sonora do filme homônimo do diretor Leon Hirszman, lançado em 1967.

Essa música me é especial hoje, agora, pois não sou poeta e nem músico, mas muitas vezes quis e hoje quero de novo cantá-la demasiadamente até que fosse ouvida por alguém.

Talvez essa coisa de "aquilo que você mais gosta", fosse-nos tão particular que merece ficar escondido das mídias sociais

Me permite uma brincadeira tosca pra fechar o papo?

Eduardo, nós lemos, nascemos, pensamos, escrevemos, sofremos, morremos.. daí lemos de novo, nascemos de novo, pensamos de novo... eita nome de rei, ein?!

Gabriel Macedo - Moramos juntos na rua Caio Prado, depois na Rua Piauí e por fim na rua Martinico Prado, entre 2005 e 2009. Amigo de encontros bissextos e conexão eterna.

Te digo, em primeira instância, que delícia responder uma pergunta assim!

Te digo em segunda instância, que pergunta mais difícil! Perguntar qual é a sua música favorita é, se me permitem as mulheres, como colocar uma delas em uma gigante loja de roupas e dizer, você pode escolher apenas uma peça.

Eu sempre fui um ser bem musical, desde estudar instrumentos até ouvir músicas das mais variadas, mas posso te dizer, já me fiz essas perguntas algumas vezes e nunca cheguei a uma resposta concreta. Eu gosto de música.

Como você disse, as músicas favoritas vão mudando de acordo com a nossa fase da vida, né?! Pelo menos pra mim é assim. Mas interessantemente, Chico Buarque me acompanha a vida toda, sempre que conheço algo novo, vira hit de sucesso no meu iPod. 

Acho que falar que de Chico soa pedante, não gosto de falar nisso. Gostar de Chico é como se eu quisesse me auto promover com a imagem dele: "uau que rapaz pseudo-intelectual", é o famoso "gozar com o pau dos outros". Mas juro, eu gosto mesmo. Ele é um cara que consegue entender os dois lados da vida, os homens e as mulheres. Nunca vi um homem escrever como se fosse mulher e se expressar melhor que as próprias mulheres.

Chico é default na minha vida e eu tento mudar os outros, afinal, sempre temos lugar para titulares e reservas, né?!

Hoje, na minha lista de reservas, daquelas que Steve Jobs teria vontade de matar de tanto que toca no meu iPod, é Dani Black da nova MPB. O cara é filho da famigerada Tetê Espindola e manda bem demais. Além de ótimo letrista, é ótimo músico e um espetáculo na voz. 

Resumindo, "A História de Lilly Braun", "Sambando na Lama", do Chicão e "Me pega de jeito", do Dani, são as músicas da minha vida agora. Faço minhas as palavras deles.

Obrigado por me fazer essa pergunta, é sempre bom ser jogado contra a parede para pensar na própria vida, querido Eduardinho!

Clara Vanali - Cursamos Jornalismo no Mackenzie entre os anos de 2005 e 2008. É a mistura da melhor aluna com a melhor amiga, um caso raro. Penso em montar um fã-clube dela. Primeiro obrigada pelo e-mail. Que e-mail lindo. A música da minha vida é "Let's Stay Together". Engraçado que eu só descobri qual é a música da minha vida com meus 25 anos, ano passado. Vivi até então sem ter uma música que me trouxesse uma sensação tão boa quanto essa.  Al Green entrou nessa história quando um dia, em uma balada na augusta (no Caos, mas precisamente) com amigos queridos, começou a tocar "Let's Stay Together". Eu não queria sair esta noite, eu não gosto de baladas. E a noite que não tinha nada demais se tornou absolutamente especial porque no meio da festa, a música começou. "Vamos ficar juntos, você me faz sentir tão bem". No meio de tantas músicas ruins e sem emoção que tocam em casas noturnas de São Paulo, essa música soou como uma salvação para isso tudo. Coincidência ou não, a partir daí, essa música começou a tocar no rádio todas as vezes que algo muito importante na minha vida ia acontecer. E então às vezes, quando estou em casa e essa música toca aleatoriamente no rádio, eu sei que aquele será um dia diferente. É como um amuleto. Gosto da sonoridade, da leveza, do que ela diz. Ela me traz sorte todas as vezes. 

Rodrigo Borges - Primo de um grande amigo. Um músico de mão cheia e das pessoas mais engraçadas que já passaram por mim.  Paciência, do Lenine. Música que sempre acompanha os momentos de silêncio e reflexão. (ouça aqui). Clarisse Braga - Fizemos Jornalismo no Mackenzie. Criamos um documentário sobre quilombolas. Hoje nos vemos pouco, mas nos falamos sempre.
Dú, abriu uma janela aqui no trabalho e consegui, finalmente, colocar uma música no Youtube. A primeira que eu coloquei foi "Ho Hey" do The Lumineers porque ela sempre me faz feliz (luzinhas costumam provocar esse efeito em mim). Hoje em dia, ela é bem clichê, mas quando eu a conheci - através de algum seriado viciante por aí - quase ninguém a escutava.  Coloquei esse clipe porque ele me encanta. Eu sempre penso no mais além daquilo que aparece na tela: na relação dos integrantes da banda, na história por trás da música, na ideia do clipe e nos participantes...  Bom, essa é a minha versão: três amigos de infância de alguma small town dos EUA, entediados, resolveram fazer uma banda, mas nada de sucesso, quebrar guitarras e encher a cara, uma banda pra relaxar e fazer o que ama, música! E o clipe foi todo pensado entre amigos... chamaram toda a vizinhança pra participar e ele foi filmada na escola onde se formaram! kkkkkkkkkkkk Pedro Reis - Livreiro da livraria Haikai, na praça Vilaboim. Nos conhecemos terça-feira. Entrei para comprar um livro de Vanessa Barbara, ele me convenceu a levar um de ensaios de David Foster Wallace.
Então cara, tô num curso agora, mas a música da minha vida hoje é Heart of Saturday Night, de Tom Waits. Está sendo por um bom tempo porque lembro dos meus amigos em Recife, cidade que deixei há 6 meses. Tenho que sair agora. Depois mando um email melhor.

Rafael Pucci - Há 2 anos, era apenas um amigo de um amigo. Hoje, somos sócios, moramos juntos e nos tornamos grandes amigos. É a pessoa que eu mais convivo no meu dia a dia.

A música da minha vida é do Jamiroquai - Space Cowboy. Porque foi a primeira "virada" ou mixagem perfeita que fiz na minha vida. Essa música me marcou, pois fiquei dias, semanas e meses, treinando a mixagem somente com ela. Lembro que treinava no quartinho do fundo da minha casa, cerca de 8 horas sem parar...locura! O dia que consegui colocar as batidas em cima certinho uma da outra, foi umas das coisas mais emocionantes da minha vida! Mudou tanto minha vida, que dai que percebi que tinha talento para ser DJ. Abs

Natália Conti - Nos conhecemos em Franca. Gostávamos de tocar violão e cantar juntos, ela canta que é uma beleza. Não encontramos faz tempo, mas o casamento dela é em setembro e eu vou.

Oi Du, Definir a música da vida é sempre temporal, localizado, conjuntural. Normalmente nossas músicas da vida vão mudando junto conosco. E é por isso que a música da minha vida é uma música de caminho, uma música de chão de infância. É Fazenda, do Milton Nascimento. Porque podemos correr outros chãos, nos banhar n’outras águas, querer outros quereres. Mas a vida vivida, as histórias, as memórias, a terra que sujou nossa roupa, o joelho ralado, o mata-burro que pulamos, os pintinhos que roubamos, os riachos que brincamos seguem correndo vivos dentro. Tive uma infância de roça, de lida com bicho, de pé na terra. E foi essa a infância que me fez ser gente e ter hoje os pés na terra. Sua primeira frase é o que me bota de pé hoje. Água de beber, bica no quintal, sede de viver tudo. E o seu fim aponta o futuro que não esquece do que se é. Hoje é você e no amanhã nós. Tios na varanda, jipe na estrada, e o coração lá. Milton canta aquela Minas Gerais que quem é mineiro consegue até sentir o cheiro do que ele tá falando. E me cala fundo. Um grande beijo de saudade.

Jeje - É quem cuida do "esquema" (nossa casa) há 7 anos. Eu a conheço há 3, quando entrei no "esquema". É baiana e usa os fones de ouvido não para ouvir música, mas para conversar com suas amigas. Acreditamos que ela tem o maior plano ilimitado do Brasil. Jeje está lavando louça na cozinha, nós na sala. Ela grita: o café tá pronto. Vou pra lá, pego um copinho americano, me sirvo daquele líquido preto indispensável para as 3 horas da tarde de uma quarta-feira sonolenta e disparo: Jeje, qual é a música da sua vida? Sua primeira reação é rir, entre encabulada e surpresa. Diz que gosta de forró, de samba, até de rock. Mas não consegue dizer qual é a música que ela mais gosta. Eu insisto por outros caminhos - você ouvia música na infância? hoje você ouve rádio? - mas mesmo assim ela não revela a música preferida. Diz que hoje usa os fones de ouvido para conversar no celular com a família e as amigas. Fica focada na louça. Deixo-a quieta. Passam alguns minutos, ela me fala: - É muita música. É uma pergunta difícil. Até o fim do dia te respondo. O fim do dia chega, ela vai embora e não me responde. Tudo bem, eu penso. Ao menos ela ficou pensando sobre o assunto.

Felipe Ludovice - amigo que se chama de irmão, irmão que por destino não foi de sangue. Mais de uma década de amizade e aprendizados.

Luz do Sol do Caetano Veloso. (ouça aqui) Critério: a música mais tocada no meu itunes (entre novembro 2012 e agosto 2013) A vibe que os acordes do início da música me transmitem é boa demais. Eles geralmente vêm acompanhados com uma exclamação previsível: Putaqueopariu o Caetano é foda! Quando o Caetano começa a cantar, é outra avalanche. Bjo

Gustavo Kamada - primeiro um colega de faculdade, depois um amigo de viagens pra praia, pro interior e também por dentro de São Paulo. Hoje meu chefe no Azoofa!

Acho que hoje eu falaria The Animals, “House of the Rising Sun”. (ouça aqui) Vc me perguntou sobre uma musica que me represente hoje, mas o irônico é que ela me lembra de qdo eu era muleque e escutava num CD de coletâneas dos anos 60 que meu pai tinha no carro... e eu já gostava da música naquela época mas hoje que eu entendo a letra e aprecio a parte mais técnica da musica, gosto mais ainda e ela me lembra roadtrip não sei porque. é tipo isso que vc ta procurando?

Yuri de Castro - Ficamos amigos na aula de pós graduação da FAAP em 2012. Carioca, flamenguista e viciado em Twitter – ainda assim uma ótima pessoa (brincadeira). O melhor jornalista cultural dessa nova geração. Ele gravou este depoimento em áudio - ouça aqui.

A palavra hardcore sempre teve a minha atenção. Primeiro, na adolescência, não me encantava o gênero que aplaca bastantes moleques. Segundo, descobri incrível Marcelo Yuka rimando esta palavra com folclore, retratando o instinto coletivo de um povo que sai pra dançar ao som das caixas da Furacão 2000. Terceiro: vídeo de sexo que é bom precisa estar marcado com a tag hardcore. Por fim: nós queremos, a todo instante, a torto e a direito, viver uma vida hardcore -- faz bem pra tirar onda, pra lavar a alma, pra filtrar no Instagram. Mas, então, saibam vocês: ela não queria mais hardcore. "Quero parar, eu tô meio 'não sei'", ela disse, quase se confessando. Momentos antes de ouvir isso, eu já estava decidido a ser o parceiro dela no hardcore que era a vida dela. Momentos depois, ela quebrava o meu ensaio. Um para o outro, naquele dia, choramos algumas amarguras. Tocava "How To Disappear Completely", do Radiohead. Ela percebeu minha respiração densa. Eu chorava timidamente. É uma das músicas da minha vida - mas, no entanto, não a desse relato.

Se passaria uma semana. Nos encontraríamos novamente. Fazia sol, era domingo, eu cozinhava. No quarto, ela me perguntava o que tava rolando no som. É tal coisa, nossa que legal, nossa legal mesmo, etc. Uma intrusa na playlist era em português. Alguma violenta do Metá Metá. Ela estava encantada com o grupo paulistano. Prometi levá-la a algum show. Nunca aconteceu. Nós não acontecemos ainda, acho. Talvez não aconteçamos. O que me deixa imensamente triste. Voltemos, por ora, ao relato original: era domingo, sol, eu cozinhava. Subliminarmente, eu cancelara o hardcore introduzindo "Trovoa" naquele rendevouz. Havia comida no fogo, era necessário fiscalizar. Fui e nunca mais voltei o mesmo àquele quarto. A mesma sensação de não pertencimento ao meu presente quando escutei a canção pela primeira vez, ao vivo. Se você for embora eu vou virar mendigo. Eu não sirvo pra nada, não vou ser seu amigo. A canção de Maurício Pereira é um dos casos de regravações mais bem sucedidas do mundo. Está no primeiro álbum do Metá Metá. E estava naquele quarto fazendo-a em lágrimas em seu primeiro contato com aquela música. Música essa que diz tudo o que nunca dissemos e nunca vamos dizer um para o outro.

Nós somos um acidente esperando para acontecer até hoje - com os pés no freio em reflexo primitivo (e tonto e burro e brusco) na hora do susto que antecede o esporro da batida. A canção tava lá. Hardcore mesmo em flauta, violão. Ora doce, ora brava. O hardcore mais sincero do mundo pois ele não vem fantasiado (ainda provoque todas as fantasias) de guitarra, violência -- ainda seja tudo isso mesmo não os tendo. "Trovoa", na voz de Juçara Marçal, no violao de Kiko Dinucci e na flauta transversa de Thiago França é a música de uma vida que eu queria que acontecesse; a minha e a dela juntas. E isso é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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