SIM: entrevista com Fabiana Batistela | Karina Zeviani | Sombra | Los Negretes | Curumin |

Quando foi que o mercado musical mudou? É possível arriscar que tudo começou em 1999, ano em que nasceu o Napster, programa de compartilhamento de arquivos - especialmente de músicas em formato .mp3. A partir dali, deu-se início a uma transformação que culminou na derrocada das gravadoras e alterou toda a lógica de compra, venda, consumo e produção de música.

O artista ganhou ferramentas poderosas para disseminar sua arte – a mesma tecnologia que nos apresentou o Napster também soube facilitar a vida do músico, com programas de gravação, edição e mixagem com preços baixos e qualidade alta; sites, como o Myspace, e os blogs se tornaram veículos poderosos de divulgação para qualquer banda com material gravado – e tudo era oferecido de graça. O público, por sua vez, teve de aprender a viver sem o filtro das gravadoras. Não eram mais as majors quem decidiam o que chegaria até a audiência – e sim eu, você e qualquer pessoa com acesso à internet.

15 anos depois da revolução, o Brasil recebe pela primeira vez uma convenção disposta a investigar e debater as oportunidades e os desafios desta nova era. Trata-se do SIM – Semana Internacional de Música de São Paulo – que acontece em diversos pontos da capital entre hoje (05) e domingo (08), trazendo shows de artistas independentes nacionais e internacionais e, mais importante, painéis de discussão sobre temas bastante atuais e relevantes para quem vive de música - seja você artista, produtor, patrocinador ou jornalista.

A mesa de abertura da feira, por exemplo, apresenta casos de bandas e festivais que conseguiram equilibrar receitas públicas, privadas e de bilheteria com retorno satisfatório ao patrocinador e criação de público. Um desafio e tanto para um país que ano a ano se vê mais dependente das leis de incentivo governamentais e assiste a projetos culturais terem seus destinos selados por diretores de marketing de grandes empresas.

Das carreira mais afetadas pela explosão da internet, o jornalismo terá uma mesa com nomes consolidados, como Sérgio Martins, da revista Veja, dividindo o palco com protagonistas da nova geração, como Iberê Borges, do site Move That Jukebox. A questão: como a crítica musical foi afetada pelas novas mídias? E até que ponto uma capa na Ilustrada ou um disco bem avaliado pelo O Globo repercutem mais do que estratégia certeira de comunicação no Facebook?

Ao todo, serão 12 painéis - incluindo "Exportando a Música Brasileira", "Festivais de Música: Desafios de Criar e Manter" e "Dinheiro Digital: Novos Modelos de Monetização da Música" -, mas o SIM não se esquece do que move toda esta engrenagem: o artista e sua música, o artista e sua apresentação ao público. Mais de 40 shows vão movimentar importantes espaços da cidade, como o Cine Joia, a Praça das Artes, Bar RivieraBaixo, e Da Leoni - clique no nome das casas para conferir a programação de cada uma dentro do festival.

Para saber mais sobre o SIM e os desafios do mercado musical, o Azoofa conversou com a empresária paulistana Fabiana Batistela, que, ao lado de Fernando Ladeiro-Marques (diretor do festival francês MaMA, que inspirou a criação do SIM) é a idealizadora e diretora do evento. Ela conta porque escolheu São Paulo como sede do evento, explica o que a cena européia tem a ensinar ao Brasil e diz que o foco de um evento musical tem de ser o show, e não a bebida.

AZOOFA: Há quanto tempo vocês vem pensando em realizar o evento? Como surgiu essa ideia?

Fabiana Batistela: Em 2010, eu comecei a viajar para outros países a fim de visitar feiras e eventos ligados à música. Foi assim que conheci o MaMA. Achei que ele tinha um formato muito bacana e atual, e fiquei com vontade de trazer essa ideia para o Brasil. Fiz contato com o diretor do MaMA e desde então estamos trabalhando para adaptar este projeto para São Paulo.

Como a experiência do MaMA inspirou essa primeira edição do SIM?

O que nos interessou no formato do MaMA é que ele se espalha pela cidade. A cidade vira uma atração do evento. Quando você vai a feiras, por exemplo – como as que acontecem em Toronto, Nova York e outras capitais importantes -, os shows normalmente são longe do centro e você fica restrito a um galpão, onde estão os stands e os palcos, e normalmente o ambiente não é o mais propício para shows. O público quase sempre é restrito a profissionais da música. No MaMA, é diferente.  Você tem uma base, onde acontecem os encontros e as reuniões. Mas a programação está toda espalhada pelo bairro, em locais que ficam nos arredores desta base. Então, você ocupa o bairro e parte da cidade. E os eventos são abertos ao público em geral, não só a quem trabalha na área, exatamente como faremos aqui. Com o público, o evento cresce. É onde você vê a reação das casas, a dinâmica do público, o que funciona ou não... Isso é bom para todos, principalmente para produtores e artistas estrangeiros verem de verdade como a cidade funciona, como as casas de shows daqui funcionam. Por saber que é super importante que o evento tenha essa participação do público que o SIM se preocupou em ter ingressos a preços populares.

Como rolou a escolha de São Paulo para sediar o evento?

São Paulo é uma cidade que gera tendências. Tem um mercado muito legal. Aqui está o foco dos negócios, principalmente internacionais. Todos os grupos estrangeiros que vêm para o Brasil querem tocar na cidade. Fora que a cena musical local é muito viva, tem bandas do país inteiro vindo morar aqui... Acho que é uma cidade que funciona bastante pra isso. Eu não faria o SIM em outra cidade.

Todos os shows vão acontecer em espaços que privilegiam artistas independentes. Foi proposital?

A gente se preocupou em escolher lugares que já recebam shows independentes e que já tenham essa experiência. São locais simbólicos da nova cena que está acontecendo no Brasil. E nós estamos com mais casas do que planejávamos inicialmente, porque a recepção destes lugares ao SIM foi muito boa. Todo mundo topou na hora. Mesmo assim, ficou faltando gente. Para 2014, queremos nos unir a todas as casas com esse perfil. E fazer, de fato, uma semana de evento, como diz o nome. Essa primeira edição terá 5 dias, mas a intenção era lançar mesmo, lançar a ideia e começar o projeto.

Tanto pelos painéis como pelo line-up, o SIM deve proporcionar uma intensa troca de informações entre artistas, produtores e jornalistas brasileiros e estrangeiros. Na sua opinião, o que o Brasil tem a aprender com a cena independente internacional?

Na Europa, o foco é o show, é a música. Lá, eles dão muito valor para isso. Já no Brasil, e principalmente em São Paulo, há um foco excessivo na bebida. Os shows começam tarde para que as pessoas bebam mais e o bar arrecade mais. Como fazer pra que o foco seja trocado, da bebida para a música?

Na Europa, há um equilíbrio muito bom entre a renda que sai de incentivo público, a que sai do incentivo privado e a que vem de bilheteria. Existe um circuito que é auto-sustentável. No Brasil, isso não acontece. Vivemos em um mercado viciado em verba pública, nos Sesc’s ou nos editais. O SIM quer propor que se crie por aqui este circuito auto-sustentável, pra que se tenha mais opções. A primeira palestra do SIM, por sinal, fala justamente disso: quais os exemplos de projetos que conseguiram atingir esse equilíbrio ideal?

Acima de tudo, precisa haver uma mudança de cultura, que inclui estudar melhor preços de shows, regras de carteirinha de estudante, lista VIP... Lista VIP não existe na Europa, é uma coisa que só existe no Brasil. Uma cultura de que todo mundo quer ser VIP. Quem não tem nome na lista se sente ofendido. Outro fator, por exemplo, é o respeito ao horário do show. No SIM, muita coisa acontece ao mesmo tempo. Então, é preciso fazer tudo pontualmente sob o risco de atrapalhar todo o restante da programação. Isso, aliás, deveria ser uma regra. O Sesc vem fazendo isso e conseguiu acostumar o público, mas demorou anos.

E é uma cena que sofre para criar público...

Esse é um problema que, se eu tivesse a solução, já estaria rica (risos). Lá fora, a gente vê que o público topa ir a shows de artistas desconhecidos, até porque o melhor lugar para você conhecer um artista é ao vivo. Precisamos entender o que acontece no Brasil: é o preço dos ingressos que está alto? É a comunicação que está falha? A gente precisa discutir isso junto. Como fazer as pessoas se interessarem por coisas novas. O SIM tem uma programação com esse intuito: levar bandas não muito conhecidas de qualidade inquestionável, tanto ao vivo quanto no estúdio.

Como surgiu seu interesse pela música?

Desde que nasci, sempre tive uma certeza: eu vou trabalhar com música. Mas, na época de entrar na faculdade, não havia cursos de música e eu optei por Publicidade. Desde essa época, eu comecei a trabalhar na cena independente. Era o período do Borracharia, do Orbital (casas de shows paulistanas que recebiam shows independentes no final dos anos 90). Criamos uma revista virtual, que hoje seria um blog, sobre bandas novas e que não circulavam na cena mais conhecida. Finalmente, em 1999, virei repórter da revista Bizz. Eu escrevia a seção Democracia, que falava justamente de artistas independentes. Comecei a entrevistar bandas nacionais e internacionais. Foram 2 anos na Bizz, até o fechamento da revista, em 2001. Foi quando resolvi abrir minha empresa a realizar projetos de música.

Das atrações internacionais, quais você sugere que o público não perca de jeito nenhum?

Dead Combo vai ser incrível. É uma banda muito venerada e que nunca veio para o Brasil. O Bosco Delrey tem um disco lindo e com participação da Lovefoxx [do Bonde do Rolê]. E tem a Owlle, que é chamada de nova Florence & The Machine e tá com disco estourado na França. Também não dá pra perder o Ziggy, que é de Barbados, e é um virtuoso da steel drum e vai tocar junto com o Holger.

*

05/12 | KARINA ZEVIANI

 

É simbólico que o primeiro show do SIM seja realizado por Karina Zeviani. A cantora paulista rodou meio mundo como integrante do grupo Thievery Corporation e da banda Nouvelle Vague. Morou em Londres e Nova York e viveu de perto a cena independente destas cidades e conhece suas vantagens e desvantagens. Em 2007, ela retornou ao Brasil - e a São Paulo - disposta a seguir carreira solo. Agora, com disco na praça - o elogiado "Amor Inventado" -, é dela a responsabilidade de abrir os trabalhos do festival em show nesta quinta-feira, às 21h30, no Cine Joia.

Com exclusividade para o Azoofa, Karina falou sobre sua experiência internacional, a importância do festival e a necessidade de o artista ser criativo para se viabilizar.

AZOOFA: Karina, você vai abrir o festival com show no Cine Joia. Como está a expectativa e o que está preparando?

Karina: Pois é, eu vou abrir o festival! Não tinha me dado conta disso até ontem à noite. Eu estou muito feliz e muito entusiasmada. O repertório vai ter músicas do “Amor Inventado” (seu primeiro disco, lançado em 2012) e algumas coisas inéditas, que devem entrar no próximo álbum. Vai ter também “Just Can’t Get Enough”, que eu tocava com o Nouvelle Vague e acho que combina bastante com o show. É um show bastante compacto. Por ser festival, ele tem uma duração menor do que um show normal, de 45 a 50 minutos. Optei por um repertório impactante, com menos músicas lentas.

O SIM foi pensado para reunir músicos, produtores e demais pessoas que trabalham na área musical, para discutir os novos rumos da música e apresentar ao público novos artistas. O que acha da iniciativa?

Acho maravilhoso e acredito que deveria acontecer mais vezes ao ano, porque é nesses momentos que não só os artistas se encontram – e daí podem surgir novas parcerias – mas também porque eventos como o SIM propiciam o surgimento de novas ideias, em termos de mercado. Sabemos que o momento da indústria fonográfica não é bom, e não é de hoje. É preciso criar essas pontes entre a cena brasileira e as outras cenas pelo mundo. Por isso, estou muito interessada em estar não só nos shows, mas também nas palestras. Quero discutir, ouvir, aprender.

Para um artista brasileiro, hoje em dia, é muito difícil emergir. Eu tive uma experiência muito viva em relação a isso: eu morei 8 anos em Nova York e 1 ano em Londres, às vezes me dividindo entre as duas cidades. E eu conseguia viver de música e estava super bem. Resolvi largar essa situação, voltar ao Brasil e fazer minha carreira solo. Mas é bastante difícil. A gente persiste porque a paixão por fazer música ainda é maior que qualquer obstáculo.

Você morou muito tempo na Europa e vivenciou de perto o universo da música de lá. O que podemos aprender com o jeito que outros países organizam o mercado musical?

Olha, logo quando eu cheguei, há 2 anos, eu fiquei embasbacada de ver o timing das coisas aqui no Brasil. Tanto quando eu estava com a Nouvelle Vague ou com o Thievery Corporation – ou até mesmo em apresentações solos que eu fiz na Europa antes de lançar o disco – eu tinha uma agenda com no mínimo 3 meses de antecedência. Aqui, as coisas são decididas com 15 dias de antecedência. Para um artista consagrado, esse tempo é suficiente, com certeza o show dele estará cheio. Mas, para nós, é pouco para promover uma apresentação.

O artista europeu ou americano sai em turnê: ele fica um mês, às vezes três ou até seis meses fora de casa, dependendo do seu tamanho. Já o artista brasileiro não sai em turnê. Ele trabalha aos finais de semana e, no restante dos dias, ele mora na casa dele. De certa forma, isso é uma cultura que acaba por encarecer o show. É muito difícil você viajar em um país com as proporções do Brasil. Se você vai tocar num final de semana em alguma cidade do Nordeste, por exemplo, aproveita a viagem para fazer outros shows nas cidades vizinhas. Temos muitos lugares carentes de música. Podíamos aproveitar a estrutura que se cria para fazer apenas um show e utilizá-la para fazer mais shows. Nesse momento atual da música, precisamos ser criativos.

Qual show do festival você pretende assistir?

Hoje, com certeza vou ficar para ver a CéU, que eu nunca vi ao vivo, e para conhecer a Owlle. Para os outros dias, quero muito participar das palestras e painéis.

05/12 - SOMBRA

 

O Riviera Bar, um dos mais tradicionais redutos boêmios e culturais da cidade nas décadas de 60 e 70 e que ficou mais de 20 anos fechado, voltou a ser protagonista da noite paulistana em 2013, quando reabriu no mesmo icônico endereço que nasceu, na esquina da Consolação com a Avenida Paulista. É claro que o Riviera não poderia ficar de fora do SIM - e o escolhido para dar o pontapé inicial da participação do bar no festival é o rapper Sombra.

Dono de uma respeitável carreira no rap nacional liderando o grupo SNJ, há alguns anos ele vem trabalhando em carreira solo. Seu mais recente disco, "Fantástico Mundo Popular", foi lançado no mês passado. Exclusivo para o Azoofa, Sombra elogia o conceito do festival e conta o que está preparando para o show desta noite.

AZOOFA: Sombra, como você recebeu o convite para se apresentar no SIM, logo na primeira edição do festival? 

Sombra: Esse convite já tinha sido feito há uns dois meses pela jornalista Fernanda Couto, curadora do projeto BRisa, que acontece toda quinta-feira, no Riviera. A Fernanda já acompanha o meu trabalho há algum tempo e lembrou de mim quando teve a oportunidade de convidar um artista para se apresentar durante a semana desse evento.

Você vai tocar no Riviera, um lugar mais intimista. Vai ser um pouco diferente do que você costuma fazer ou estará com a banda completa? E como está a expectativa pra esse show? 

Eu estarei acompanhado de quatro músicos que fazem parte da minha banda (Meno del Pic´chia no baixo, Max Sallum na bateria, Alen Alencar na guitarra e Hugo Hori no sax) e vai ser bem legal. Acredito que a questão principal é lidar com pessoas e fazer com que o público se sinta à vontade com a sua apresentação e gostem do que estão vendo e ouvindo, independente de ser para 10 pessoas ou 10 mil.

O SIM foi pensado para reunir músicos, produtores e demais pessoas que trabalham na área musical, para discutir os novos rumos da música e apresentar ao público novos artistas. O que acha da iniciativa? 

Eu acho uma iniciativa muito válida e importante, principalmente para os artistas independentes que não têm oportunidade de participarem de eventos maiores. É  uma boa ocasião para mostrarmos o nosso trabalho para pessoas da área musical, mas que ainda não nos conhecem. Na minha opinião, o que é mais interessante no SIM é que as apresentações foram pensadas com a proposta de ter artistas de diversos estilos musicais, priorizando a diversidade.

07/12 | LOS NEGRETES

 

Dezembro será um mês inesquecível para a banda mexicana Los Negretes. Pela primeira vez, o quarteto de punk rock formado no início dos anos 2000 tocará em países nunca antes visitados pelo grupo, como o Peru e o Brasil. Aqui, eles se apresentam no dia 07/12 (sábado), no palco externo da Praça das Artes. O repertório deve mostrar músicas do primeiro álbum da banda, lançado em 2012, e pode pintar algum cover de Velvet Underground, uma de suas grandes influências.

Em um papo exclusivo com o Azoofa, Jinmy Vitte - guitarrista, baixista, percussionista e tecladista (isso mesmo) - comentou a expectativa de tocar no país, a dificuldade de ser independente no México e revelou que andam ouvindo muito uma certa banda brasileira.

AZOOFA: Esta é a primeira vez que vocês tocam no Brasil. Como está a expectativa?

Jinmy Vitte: Estamos muito contentes de chegar à América do Sul e felizes da vida de poder tocar no Brasil, um país pelo qual somos apaixonados e que sempre desejamos visitar. Queremos fazer um show incrível.

O SIM foi pensado para reunir músicos, produtores e demais pessoas que trabalham na área musical, para discutir os novos rumos da música e apresentar ao público novos artistas. O que acham da iniciativa?

A proposta é incrível, porque não existem muito eventos nesse formato. Essas iniciativas ajudam bastante no crescimento de artistas e na divulgação de propostas musicais diferentes.

Como está o mercado musical no México? As novas tecnologias e mídias estão ajudando no surgimento de novos artistas? Como vêem este momento da música mundial, em que quase todo mundo é independente?

Na verdade, não existe uma cena muito forte no México. Há, claro, muito talento, mas não existe apoio dos meios de comunicação. Há poucos lugares para tocar e mesmo este pequeno circuito é dominado por uma ou duas pessoas, o que impossibilita muito a divulgação de qualquer música, especialmente aquelas que valem a pena. Sem dúvidas que a internet está ajudando muito, mas cabe a nós criar maneiras de superar esses problemas e levar nossa música adiante.

O primeiro disco de vocês ganhou prêmios e rendeu elogios da imprensa especializada. Agora vocês saem em turnê pela América Latina. Imaginavam que esse retorno positivo viesse tão rápido?

As coisas foram acontecendo sem que tivéssemos nenhum apoio. Temos muito mérito nisso e ficamos contentes de ter levado nossa ideia adiante e de ter conquistado coisas importantíssimas. Em breve, vamos lançar nosso novo disco, que se chamará “Barbituricos”. Será o melhor disco da banda.

Em relação à música brasileira, há algo que vocês gostem de ouvir?

Acho o Macaco Bong uma grande banda e tenho escutado muito Los Hermanos.

08/12 | CURUMIN

 

Curumin lançou três álbuns desde sua estreia fonográfica, em 2002. O trio de discos está em qualquer lista que se faça dos melhores álbuns brasileiros dos últimos anos. Sua mistura de funk, samba e música eletrônica se encaixa perfeitamente para o dia, local e horário em que foi escalado para tocar: domingo, às 18h, na Praça das Artes. E não somos só nós que estamos animados com a ideia de ver um show de Curumin ao ar livre: ele não vê a hora de pisar no palco.

Com exclusividade para o Azoofa, o paulistano Luciano Nakata Albuquerque fala sobre a importância de shows acontecerem na rua, revela a quais apresentações ele vai assistir e acha que o modelo SESC é um exemplo que o Brasil pode dar ao mercado internacional:

AZOOFA: Curumin, você vai tocar na Praça das Artes, à tarde. Que tal se apresentar em local aberto, em dia que promete sol e num horário diferente como esse?

Curumin: Putz, apenas maravilhoso. Rua é espaço pra todos, é livre. Ainda mais pra nós, paulistanos, sempre tão presos dentro de carros, casas, escritorios, bares. Uma cidade como essa devia ter um montão de evento desse tipo, todo fim de semana. Fui na Praça das Artes nos shows do Conexão, semana passada. O espaço é lindo.

O SIM foi pensado para reunir músicos, produtores e demais pessoas que trabalham na área musical, para discutir os novos rumos da música e apresentar ao público novos artistas. O que acham da iniciativa?

Conversar e refletir é bom. Mas eu gosto mesmo é de tocar, hehehe. Ainda mais que o rumo da música não devia ser outro se não o de evoluir, surpreender e emocionar. Possibilitar isso com uma boa estrutura, boas condições é o que vai levar a música pra rumos distantes e maravilhosos.

O que você acha que o Brasil pode ensinar para o pessoal de fora, e o que podemos aprender com o jeito que outros países organizam o mercado musical?

Olha, tenho a impressão de que, mais do que a troca de experiências, o SIM vai juntar gente querendo tocar e gente querendo organizar shows. E aí, as pontes e conexões serão feitas entre quem tem paridade. Vai ser muito importante juntar essa gente; músicos e produtores precisam um do outro pra fazer toda uma engrenagem cultural rodar. Agora, voltando pra sua questão: acho que o Brasil tem o SESC como um exemplo a ser mostrado pro mundo. Mas ainda tem muito pra aprender com experiências estrangeiras.

Quais shows do festival você está querendo assistir?

Tem alguns: Sombra, Karina Buhr, Thiago Petit, Luê, Felipe Cordeiro, Karina Zeviani, meu amigo Nereu, Guri, Lu Horta, Finlândia, Pedro Moraes, Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, Andreia Dias, Boogarins, Renegado. Coisa fina.

*
Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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