Lançamento exclusivo Azoofa: ouça "Maré", single de estreia do músico Wem

O músico e compositor Wem, integrante dos grupos Palavra Cantada e Tiqueque, lança seu primeiro disco solo, Começo, no mês de maio.

O single "Maré" é sua primeira música de trabalho, com lançamento exclusivo pelo Azoofa. Ouça:

Começo reúne composições inéditas e foi produzido por um time respeitável: Guilherme Kastrup, Chico Salem, Denis Duarte e Beto Villares, que elogia o trabalho do artista. "Wem conseguiu criar uma atmosfera moderna, atual, e ao mesmo tempo mostrar um pé firme no Brasil mais profundo", diz Beto.

Nesta entrevista, Wem revela os artistas e discos que o influenciaram na concepção do álbum e afirma que participar de diferentes projetos é estimulante. "Não me vejo exclusivamente fazendo só uma coisa. Curto a possibilidade das coisas seguirem paralelamente sem se prender muito. No fim quem ganha é a arte, a música."

AZOOFA: Wem, quando surgiu a ideia de investir numa carreira solo?

Wem: Desde a adolescência, quando comecei a compor e tocar em bandas da escola, já havia músicas que não entravam no repertório da banda e eu fazia sozinho. Quando vim morar em São Paulo 2003, já tinha um trabalho autoral solo, e essa “carreira” vem me acompanhando paralelamente até hoje. Agora resolvi colocá-la um pouco mais em evidência.

Você optou por ter 4 produtores diferentes no álbum. Porque essa escolha? E como essa variedade de pessoas e estilos influenciou o resultado final do álbum?

A idéia era que cada um trouxesse suas diferentes formas de fazer música, e que contribuíssem pra diversidade do disco. Sempre procurei uma inventividade dentro da tradição. Queria fazer um disco de música brasileira, mas que soasse pessoal e atual. E nesse sentido, os produtores (Gui Kastrup, Chico Salem, Denis Duarte e Beto Villares) agregaram e influenciaram muito no resultado final.

Queria que você contasse um pouco sobre as “turnês autorais” que você realizou Brasil afora. Como começou essa ideia e como ela se desenvolveu? De alguma forma, elas foram embriões do “Começo”?

Totalmente. Elas estão muito presentes no “Começo”. Tenho uma produção constante de composições, sempre foi assim. E gosto muito de conceber e fazer show! Então, em 2005 gravei um DVD, com músicas que compus durante uma viagem pelo norte e centro-oeste do Brasil. Fiquei 2 meses viajando, indo naqueles festejos, convivendo com ribeirinhos, conhecendo músicas e culturas que me inspiraram muito. Em 2009, fiz um trabalho totalmente diferente desse. Fiquei com vontade de fazer um show com objetos do cotidiano e uma loopstation [ Uma lance performático, que ampliava as possibilidades musicais. Aqui no “Começo” tem as duas coisas: um pé nesse Brasil profundo e um pé nas novas possibilidades sonoras.

A letra de “Maré” parece fazer movimentos similares aos que vemos no mar – de ida e de volta (“minúsculo gigante”) e de contradições dentro de si mesmo (“olhar pra trás, ver adiante”). Como foi criar esta letra?

Muito legal sua leitura! É isso mesmo. Um dia toquei esta música pro Angelo Mundy, e na hora ele disse: "tenho um começo de letra que tem muito haver com essa melodia". Estes primeiros versos (“Maré alta é maré vazante/ Lua cheia é lua minguante”) ele já tinha pronto. A partir dai, fizemos o restante da letra com essa idéia dos opostos circulares.

Há bandas, artistas ou discos que você veja como influências diretas no som que você tirou neste disco, ou nas letras, ou no conceito do trabalho?

Sim, no som e na concepção geral. Acho que este disco teve influência do Gilberto Gil e dos tropicalistas em geral; da Céu e da cantora francesa Camille; da banda Congotronics, o vinil “Batucada fantástica” [de Luciano Perroni, 1963] e o disco “Briga de Galo”, do João Bosco.

Você continua trabalhando com a Palavra Cantada?

Acho que sim! Na verdade, tenho outros projetos musicais. Sou integrante do Tiquequê, grupo voltado para o público infantil, e a gente lançou no começo do ano o CD ”Era uma vez um gigante”. Tenho um estúdio, que faço principalmente trilhas e sempre pinta uns projetos pontuais pra fazer - fora a Palavra Cantada. Não me vejo exclusivamente fazendo só uma coisa, curto a possibilidade das coisas seguirem paralelamente sem se prender muito. No fim quem ganha é a arte, a música.

Já há algum show marcado para o lançamento do álbum?

Ainda não, estamos em andamento com algumas possibilidades.

Por fim, queria saber como estão sendo esses dias que antecedem o lançamento da música (e seu posterior lançamento para download) e o lançamento do disco. Muito ansioso?

Mais que ansioso, eu estou muito feliz. Mesmo ja tendo concebido outros shows, é a primeira vez que lanço um disco de estúdio, em que produzi junto com esses mestres. A ideia de que estas músicas podem ir pra qualquer lugar a hora que as pessoas desejarem, me deixa imensamente grato à vida.

***

texto: eduardo lemos | arte: belisa bagiani | fotos: paula perrier

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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