Azoofa indica: Selton no Puxadinho da Praça

"Não sei pra onde eu vou voltar, não sei quando eu vou". Trecho de uma das mais belas músicas do Selton, a frase é uma espécie de síntese da história da banda. Formada por quatro músicos brasileiros, a banda foi criada em Barcelona e vive hoje em Milão. Por lá, fizeram sucesso suficiente para chamarem a atenção da crítica e do público... daqui.

Neste sábado, o grupo se apresenta no Puxadinho da Praça para lançar o disco "Saudade", lançado em 2013 e que reúne 13 canções em português, inglês e italiano, e que agora ganha edição também em vinil - saiba mais aqui.

No dia seguinte, Ramiro Levy (voz, guitarra e ukelele), Ricardo Fischmann (voz, guitarra e teclado), Eduardo Stein Dechtiar (voz e baixo) e Daniel Plentz (voz, bateria e drum machine) apresentam o projeto Nelson, que é o Selton voltando aos tempos em que se apresentavam nas ruas de Barcelona tocando apenas músicas dos Beatles - saiba mais aqui.

Em seguida, voltam a ser Selton e fazem shows em São Carlos, Belo Horizonte, Presidente Prudente e Curitiba. E aí voltam... pra Itália. Pra novos shows e pra começar a preparar o próximo álbum. "Não sei pra onde eu vou voltar..."

Com exclusividade para o Azoofa, Ramiro Levy comenta sobre o show deste sábado, revela sua admiração por São Paulo e diz que a cena independente de Milão não é lá tão diferente da cena paulistana. "Acho que não é fácil em nenhum lugar".

***

AZOOFA: O show de sábado no Puxadinho é o último desta turnê em São Paulo. O que vocês estão preparando para esta apresentação?

Ramiro Levy: Desde que o disco saiu, em abril de 2013, a banda não parou de tocar. Alternamos períodos de turnê entre Itália e Brasil, e inevitavelmente durante esse processo o show foi sofrendo evoluções e as músicas foram ganhando cada vez mais força na execução ao vivo. Quem conhece um pouco sobre a gente sabe que uma das nossas maiores forças é a performance no palco mesmo. A gente começou tocando em Barcelona, tocando na rua, e ali nos acostumamos a ter um contato muito próximo com o nosso público. Tudo isso para dizer que adoramos o calor humano e a troca que se cria entre banda e público em lugares como o Puxadinho. Além de tudo isso estaremos também apresentando a edição em vinil do nosso disco “Saudade”.

Qual a relação de vocês com a cidade de São Paulo? Há alguma passagem ou situação vivida na cidade que vocês se recordem?

O disco “Saudade” foi o nosso primeiro disco a ser lançado no Brasil e, desde que começamos a vir para cá para promover o disco, São Paulo acabou virando a nossa base. Nunca tínhamos vivido muito a cidade, então não sabíamos muito bem o que esperar dela. Na medida em que começamos a vir mais seguidamente (essa é a terceira turnê do disco que fazemos em terras brasileiras), cada vez mais a cidade nos encanta. Adoramos a mistura que há aqui e a quantidade de estímulos que a cidade nos proporciona. De situações especiais que vivemos aqui é difícil escolher uma... para a gente que está fora do Brasil há tanto tempo, só o fato de sair pelas ruas de São Paulo já é um acontecimento. Temos constantemente a sensação de que estamos caminhando no coração do Brasil.

Após o show em Curitiba, o último da turnê, quais são os planos da banda?

Uma vez terminada a turnê brasileira, voltaremos para a Itália e começaremos a turnê de verão por lá. Chegamos em Milão no dia 12 de junho e no dia 13 já temos show. Vão ser três meses de tour e depois a ideia é começar a concentrar no próximo disco.

O Puxadinho tem um palco que fica bem próximo ao público. Para uma banda, essa proximidade faz diferença? Vocês gostam de shows assim?

Como comentei antes, a nossa banda começou tocando na rua, em Barcelona. Desde o início da nossa história que nos acostumamos a nos alimentar da energia vinda do público. Adoramos tocar em lugares como o Puxadinho, onde a proximidade com a galera é máxima.

O Puxadinho é reconhecido como um dos poucos lugares em São Paulo dedicadas a divulgar a música autoral. Mesmo São Paulo sendo a mais importante metrópole da América do Sul, é muito baixo o número de casas de shows para artistas em início de carreira. Quais as diferenças e similaridades entre a cena paulistana e a cena europeia em geral?

Não podemos falar muito da cena europeia em geral, mas sim da cidade na qual vivemos hoje em dia, que é Milão. De alguma maneira é uma cidade bastante parecida com São Paulo, com muitos estímulos, gente de todos os lados e com um ritmo bastante frenético. Infelizmente o problema de ter poucos lugares importantes que deem espaço para artistas emergentes existe também lá. Ainda sim, podemos dizer que a cena independente italiana em geral está se solidificando com o tempo. Cada vez mais vemos artistas independentes conquistando mais espaço e mais público. Acho que não é fácil em nenhum lugar, mas com muito trabalho e com uma proposta artística contundente acho que é possível em qualquer lugar do mundo.

No dia seguinte ao show do Puxadinho, vocês retomam o projeto Nelson, em que apresentam releituras dos Beatles? Qual é a história deste projeto?

Quando começamos a tocar juntos nas ruas de Barcelona (fizemos isso nos dois primeiros anos de banda), o nosso repertório era basicamente de músicas dos Beatles. Era uma formação bem simples com um violão, um baixo acústico, uma mini-bateria e vozes. Sempre gostamos muito de tocar assim, por isso criamos essa banda “alter ego” chamada Nelson, justamente para poder dar continuidade ao que fazíamos nos primórdios da banda.

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arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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