Russo Passapusso fala sobre o compacto que lançou com duas faixas inéditas

Muitas vezes, vejo que está rolando alguma legal coisa em São Paulo e logo penso: eu certamente estaria lá. É inevitável. Foi assim com a inauguração da Arena Corinthians, em Itaquera, com o show do Emicida, do Thiago França e do Rodrigo Campos, na Casa de Francisca, e com a estreia do Encarnado de Juçara Marçal, no Sesc Vila Mariana. Mais recente, isso voltou a acontecer com o lançamento do compacto de Russo Passapusso. O cantor e compositor baiano subiu ao palco do Serralheria para mostrar, entre outras, as músicas Paraquedas e Flor de Plástico, que estarão no seu primeiro disco-solo, Paraíso da Miragem (previsto para agosto, o trabalho  chega com o apoio do Natura Musical e da Oloko Records, mesma gravadora e editora do cantor Criolo).

Quem conhece o Russo por sua atuação explosiva, canto encorpado e improvisos a frente do grupo Baiana System se surpreenderá com o rumo de sua trajetória-solo. Mas já adianto que o resultado é fino. E o disco - produzido por Curumim, Zé Nigro e Lucas Martins - já se torna um dos mais aguardados do ano! Mais doce e instrospectivo, a diferença desse trabalho para os outros (ele também integra o coletivo Ministério Público e o Bemba Trio) se deve por reunir músicas que surgiram para ele em momentos mais pessoais. "São lembranças fortes pra mim, então não cheguei ainda no momento de entender a definição de Paraíso da Miragem. Ainda preciso viver essa parte da história pra dizer. Mas compreendo que é um disco diversificado das coisas que eu vinha fazendo. Gosto dos timbres e dos arranjos que encontramos para cada canção", diz.

É possível fazer download gratuito das daixas Paraquedas e Flor de Plástico no site do Russo. Ali, também dá para comprar o vinil compacto 7’ (R$ 20,00).

O Russo Passapusso falou sobre o lançamento com o AZOOFA. Confira!

AZOOFA: As músicas do compacto se diferenciam bastante dos seus outros trabalhos. Quando você percebeu que tinha um conjunto de canções que caberiam mais em uma carreira-solo?

Russo Passapusso: Na minha adolescência, percebi que as canções estavam surgindo, eu naturalmente estava cantando as minhas histórias de vida. Eu não tinha nenhuma intenção de gravar essas canções, o grande motivador desse disco foi o Curumin. Tenho uma admiração e uma relação muito especial com ele. Já fizemos parcerias pro disco dele e com a convivência musical e familiar tudo foi acontecendo. Hoje, vejo a música Flor de Plástico num vinil e percebo o caminho que essas músicas fizeram, naturalmente, e entendo melhor de que forma todos os meus projetos estão relacionados .

Em algum momento você hesitou em mostrar essas músicas novas por serem diferentes (inclusive no modo de cantar)?

Acho que por serem músicas que nasceram em momentos muito íntimos, eu tinha muito cuidado e certo apego pra mostrar. Lembro que cheguei a fazer rascunhos com amigos em Salvador, mas ainda não era o momento.

A produção do disco é de Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro. Como reuniu essa trinca?

Lembro que fui convidado pro lançamento do disco do Guizado, aqui em SP, num projeto que o Curumin tocava bateria e aí nos conhecemos. Depois disso, fiz uma participação no disco dele, trocamos ideias, nos identificamos muito musicalmente e tive a felicidade de ter uma música minha gravada no disco dele. A partir daí conheci Zé e Luquinhas, e a receita já estava pronta.

O disco deve sair em agosto. Já tem alguma maneira que você goste de definir o resultado?

Não penso em como definir o disco. Eu vejo cada música de forma individual, porque são histórias independentes que me levam ao passado. São lembranças fortes pra mim, então não cheguei ainda no momento de entender a definição de Paraíso da Miragem. Ainda preciso viver essa parte da história pra dizer. Mas compreendo que é um disco diversificado das coisas que eu vinha fazendo. Gosto dos timbres e dos arranjos que encontramos para cada canção.

Rolou o show de lançamento do compacto no Serralheria. Como foi sentir as canções no palco? Como está sendo a parceria com o Daniel Ganjaman, que assina a direção da apresentação?

Estava esperando muito por este momento, então viver isso pela primeira vez foi viver estas lembranças. Em alguns momentos, fui até lançado ao passado. Difícil separar as coisas, mas tocando ali na companhia de parceiros que já estavam inseridos completamente no som, foi fácil. Eu me senti seguro e privilegiado. No Paraíso, todos cantam e esse processo de cantar junto nos trouxe uma grande intimidade em pouco tempo. Dividir criações com o Zé e absorver as referências que ele trazia foi determinante para o disco ser o que é. Com o Luquinhas, a simplicidade e o refinamento da execução foi o que desenhou o percurso desse processo criativo. O Curumin já divide comigo a mesma dor do parto, é a direção pra tudo que aconteceu. Do Ganja sempre fui fã. Já conhecia o trabalho e acompanhava o que ele vinha fazendo. É uma referência e pude constatar tudo aquilo de perto. Para o show de lançamento, tivemos poucos ensaios. E posso dizer que foram de alguma forma suficientes para que todos entrassem na mesma onda, no mesmo paraíso. Poder compartilhar tudo isso é muito bom.

Ouça Paraquedas:

Ouça Flor de Plástico:

Quem escreveu
Carol Pascoal
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