Azoofa indica Yusa no Sesc Belenzinho: "São Paulo é uma das minhas cidades de cabeceira"

O primeiro contato da cantora e compositora cubana Yusa com a música brasileira foi em 2004. A convite de Lenine, ela integrou o que chama de "trio planetário": ela no baixo, o pernambucano no violão e o saudoso Ramiro Mussotto na percussão. Naquele ano, os três foram a Paris gravar o disco ao vivo "In Cité", um dos mais belos shows da história da música brasileira.

Dez anos depois, Yusa vive na Argentina, continua visitando Cuba a trabalho e a lazer e tornou-se uma artista com público fiel no Brasil, a ponto de ser escalada para tocar na Virada Cultural de São Paulo de 2011, às 9 da manhã, e lotar o espaço. Tem vários discos lançados - o último saiu em 2012 e tem regravação de "Outros Bárbaros", de Gilberto Gil - e dezenas de participações em álbuns e shows de diferentes artistas. Neste sábado (7), Yusa retorna ao Brasil e a São Paulo e faz show no Sesc Belenzinho, onde apresenta-se ao lado do percussionista argentino Mario Gusso.

Com exclusividade para o Azoofa, Yusa comenta sua relação com o Brasil, conta como será o show deste sábado e revela que gostaria de cantar com Tulipa Ruiz.

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AZOOFA: Yusa, você já veio diversas vezes ao Brasil. Em junho, você tem dois shows agendados por aqui; em julho, são três. Como está a expectativa para se apresentar novamente no país?

Yusa: Pra mim, é uma alegria poder estar no Brasil novamente. É um país irmão que muitas vezes já me abriu as portas. E principalmente estou feliz por poder me encontrar com este público maravilhoso, sempre disposto a ser parte da viagem que faço através da música. O que eu espero é que as pessoas desfrutem das minhas canções e que, mais uma vez, a música seja nossa embaixadora natural.

Neste show do Sesc Belenzinho, você se apresenta em duo. Queria que você contasse um pouco sobre essa formação.Você costuma adaptar o repertório dependendo do público e do local no qual você está se apresentando?

Uma das coisas boas da minha música é a liberdade com que posso abordar cada proposta. Faço música desde pequena e sempre estou tentando criar novas propostas e linguagens sonoras, levando o público a diferentes estados. No show do Sesc Belenzinho, venho com uma formação de duo, junto com o percussionista argentino Mario Gusso. Ele fez parte da banda que gravou meu disco “Vivo” (2010, Vinilo Records), no qual adaptamos minhas canções a um formato mais minimalista e usando elementos tradicionais de nossa cultura. A ideia é fazer um show diferente para este público que já conhece a minha música.

Você pretende ficar mais dias no Brasil depois dos shows?

Eu gostaria muito de poder ficar uns dias a mais no Brasil, mas em junho estarei fazendo turnê pelo Canadá como parte da banda da saxofonista Jane Bunnett, com quem gravei, em novembro de 2013 em Havana, Cuba. De qualquer maneira, não será uma despedida, já que em julho estarei novamente por aqui apresentando-me no festival de jazz de Iha Bela, e também gravarei minha participação no novo disco da cantora brasileira Ellen Oleria, que eu considero uma grande artista.

Este ano você fez diversos shows na Argentina. Como é a sua relação com o país?

Já faz alguns anos que estou morando na Argentina. Além de ser um lugar onde fui muito bem recebida, tive a sorte de ter me apaixonado por este país. Continuo desenvolvendo minha carreira por todo o mundo e, claro, indo a Cuba trabalhar em outros projetos culturais e visitar minha família e amigos. Que mais posso pedir nesta vida?

Em 2011, você se apresentou na Virada Cultural de São Paulo. Estive lá e foi um show memorável. Você se lembra deste show? Como foi esta experiência?

A experiência da Virada Cultural foi maravilhosa, foi um prazer enorme ser parte de uma grande festa cultural da cidade. Como posso esquecer deste dia? Estávamos no hotel de madrugada e se escutavam os sons vindos dos palcos e a paixão das pessoas que estavam participando deste evento tão importante, que promove este intercâmbio cultural. Recordo que nosso show era às 9 da manhã e pensei que não haveria ninguém na rua. Quando entramos no palco, ali estavam as pessoas com a mesma energia e desejo de seguir cantando e dançando. Foi uma experiência única e inesquecível.

Qual é a sua relação com a cidade de São Paulo? Gosta daqui?

Adoro a cidade. É um dos lugares em que mais shows fiz e pude estar em contato com um público fiel, cheio de desejos de conhecer o que acontece na atual cena cultural cubana. Creio que São Paulo é uma das cidades que são parte dos meus “lugares de cabecera”, e será por toda a vida.

Seu último disco é “Libro de Cabecera en Tardes de Café”, de 2012, com regravações de canções de compositores marcantes na sua carreira. Há entre eles Gilberto Gil. Como é sua relação com a obra do Gil?

Quando pensei neste disco, eu queria agradecer a alguns compositores que foram parte da minha formação pessoal, como é o caso do maestro Gilberto Gil. Considero ele uma pessoa muito íntegra, com uma obra sólida e de grande valor social. É um dos meus compositores favoritos de todos os tempos. E esta canção representa minha necessidade de ter algo mais para fazer neste mundo. Eu quero fazer parte desta mudança que nos permita sentir livres em nossos corações para poder continuar a construção da nossa sociedade.

Sempre que falamos de Yusa no Brasil, lembramos da sua participação no show In Cité, do Lenine. Para mim, é um dos mais poderosos shows da música brasileira dos últimos anos. Para a sua carreira e formação musical, qual foi a importância de ter tocado com Lenine?

Imaginem que este foi meu primeiro encontro com o Brasil, país que eu nunca antes havia visitado. Quando penso nisso, concluo que não havia melhor forma de entrar no país se não pelas mãos do meu irmão Lenine. É um músico que respeito e pelo qual tenho um enorme carinho. Com ele e com o argentino-baiano Ramiro Mussotto, fizemos esse trio planetário maravilhoso que até hoje guardo como um dos acontecimentos mais importantes da minha vida musical. Graças a esse encontro, pude conhecer mais sobre a música brasileira.

A música brasileira atual vive um momento riquíssimo, com o surgimento de diversos artistas interessantes. Há alguém desta nova geração que você tenha escutado e gostado?

É uma sorte que a música brasileira esteja gozando de boa saúde, como sempre, e principalmente que tenha espaço para o surgimento de novos artistas, com novos propostas que enriquecem ainda mais o seu legado cultural. Desta chamada nova geração, eu poderia mencionar artistas como Tulipa Ruiz ou mesmo Ellen Oléria, entre muitos outros. São pessoas que estão fazendo a história cultural do país e tornando-o um lugar melhor para se estar.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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