Azoofa sem fronteiras: o que os festivais brasileiros poderiam aproveitar do Governors Ball Music Festival

Todo ano é a mesma coisa: os festivais mais legais mundo afora divulgam as suas programações e eu fico acompanhando uma a uma quase que em uma religiosa auto-tortura. Demorou, mas sabia que, durante a minha estadia em Nova York, eu conseguiria fazer o meu debut em um festival gringo. Assim que o Governors Ball Music Festival revelou o seu line-up, decidi que iria em um dos três dias do evento, que ocorreu entre 6 e 8 de junho. Escolher a minha data não foi uma das tarefas mais fáceis. Considerei os headliners - divididos da seguinte maneira: Outkast e Damon Albarn (dia 6), Jack White e Skrillex (dia 7) e Vampire Weekend (dia 8) - e também os artistas que eu já tinha visto ao vivo. Soma daqui, subtrai dali, pensa que o Jack White deve fazer mais um show em Nova York para promover o novo disco, na oportunidade de ver a reunião do Outkast e... optei por ir no dia 6. Levei de brinde, entre outros, Janelle Monáe, Julian Casablancas + The Voidz, Phoenix, TV on the Radio e Damian Marley. Nada mal...

(será que no meu sétimo post no Azoofa eu ainda preciso dizer que os ingressos estavam esgotados, que comprei o meu em uma revenda e que estava tensa de que fosse falso? Acho que estou começando a me repetir...)

Para resumir: o Governors Ball Music Festival fez a sua primeira edição em 2011. Foi apenas um dia de evento na charmosa ilhota Governors Island, que recebeu shows de Das Racist, Girl Talk e Neon Indian. O estrondoso sucesso fez com que o festival, em 2012, ganhasse mais um dia e migrasse para a mais espaçosa Randall's Island. Dessa vez, Fiona Apple e Beck estavam entre as atrações. No ano passado, o evento parece ter encontrado a sua fórmula ideal: três dias de shows na Randall's Island (com Kanye West, Kings of Leon, entre outros). Eu poderia aproveitar o post apenas para contar como foram as apresentações que eu assisti, na maneira como o Outkast jorrou uma onda de nostalgia durante o seu megasucesso Hey Ya, a vibe incrível que rolou durante o pôr-do-sol ao som do reggae de Damian Marley e o show da sempre impecável Janelle Monáe. Mas acho muito mais interessante dizer o que funciona no festival e as ideias que poderiam ser adotadas em eventos brasileiros.

Afinal, não é de hoje que o Brasil tenta se consolidar como um país de festivais. Entre mortos, feridos e sobreviventes, podemos citar o saudoso Tim Festival, o Planeta Terra, Sónar, SWU, Lollapalooza, Rock in Rio,  Summer Soul, Monsters of Rock, entre tantos outros. Apesar de a maioria destes ter conseguido escalar atrações capazes de atrair dezenas de milhares de pessoas, nenhum obteve sucesso na execução de uma proposta sempre sugerida pelos próprios: a de o público ter a oportunidade de viver a experiência de participar de um festival. Se shows isolados mereceram aplausos, a organização dos festivais (ou a falta dela) fez com que tal experiência, como um todo, passasse longe de ser prazerosa.

Baseada na minha experiência no Governors Ball Music Festival, pensei em algumas táticas, mimos e firulas que poderiam ser adotados nos festivais brasileiros! Olha só...

Chegadas e partidas

Como o Governors Ball Music Festival rola em uma ilha, isso abre um leque de opções de como ir e voltar do festival. Tinha entre as alternativas disponíveis: combinação entre metrô e ônibus expresso (6 dólares), balsa com saída de Manhattan (25 dólares), shuttle com saída do Brooklyn (25 dólares), a pé e de bicicleta (basta atravessar a ponte) e carro e táxi (não tem estacionamento na ilha, então só é para embarque e desembarque). Acabei comprando o tíquete para ir de balsa. No dia do festival, peguei uma boa fila até chegar a minha vez (mesmo assim, esperei apenas 30 minutos). Após entrar na balsa o traslado durou cerca de 15 minutos. Fui embora do festival após o último show (Outkast). Durante o dia, as pessoas chegam em horários diferentes ao festival, o que evita o caos. Para ir embora, todos querem sair da ilha ao mesmo tempo. Vi o tamanho da fila (bem organizada) da balsa e calculei que teria de esperar mais de uma hora e meia para ir embora. Não pensei duas vezes: atravessei a ponte a pé e cheguei em Manhattan em 20 minutos.

Comer 

Muitos fornecedores de comida vêem o público do festival como o alvo perfeito dos seus produtos. A marca de sorvetes Ben & Jerry's, por exemplo, estava dando sorvete de graça. Não era uma promoção ou uma pequena amostra. A tenda funcionou por cerca de cinco horas. Bastava entrar na fila para retirar o seu. Mas isso é apenas uma curiosidade. O festival espalhou áreas de comida pela ilha inteira fazendo com que as pessoas fossem para locais mais isolados na hora da refeição. Essas áreas tinham mesas coletivas, food trucks e gramado, onde muita gente estendeu cangas e toalhas e montou o próprio picnic. Isso é ótimo para diminuir o fluxo de pessoas circulando e para quem quer descansar.

Beber

FREE WATER REFILL STATIONS. Funciona assim: você leva uma garrafa de casa ou compra uma no festival. Sentiu sede? Basta ir até a barraca de refil. Eles enchem a garrafa de água quantas vezes for preciso (e de graça). Nada mais justo para quem quer beber água (e ainda ajuda a diminuir a fila de quem quer beber cerveja).

Use filtro solar

Uma das cenas mais recorrentes de festivais é ver o povo todo vermelho por causa do sol. Vamos combinar: quem leva protetor para um festival? Pensando nisso, o Governors Ball montou uma estação de filtro solar. Você paga 1 dólar e pode usar um spray em formato de pistola para passar o produto.

 Armários

Tirando os shows, esse é um dos meus pontos favoritos do festival. Na semana do evento, paguei pela internet um valor equivalente a 15 dólares por um armário no evento. Um dia antes do Governors Ball, a empresa responsável pelos lockers me enviou o número do compartimento e a senha. Ótimo para quem quer levar galocha, blusa, mochila, enfim... E quem for aos três dias do evento pode comprar um pacote e até largar as coisas por lá de um dia para o outro. Simples e muito útil.

Firulas

A organização espalhou pela ilha molduras e estátuas que se tornaram pontos para tirar fotos. Por mais que pareça uma bobagem, pode ser uma boa maneira de atrair e distrair as pessoas (mais uma vez tirando elas de circulação dos pontos mais movimentados). Além de estações para recarregar o celular (um "problema" dos dias atuais), cito um item de duvidosa importância, mas divertido: tenda para comprar coroas à la Lana Del Rey. A fila era enorme e o valor de uma coroa preenchida de flores pela metade era de 15 dólares. Não podemos negar que é criativo e dá uma clima divertido ao festival.

Um dia chegamos lá...

Quem escreveu

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