Azoofa Indica: Marina Wisnik no Centro Cultural Rio Verde

A cantora e compositora Marina Wisnik lançou em maio deste ano seu segundo disco, "Vás". Ela fez dois shows de lançamento naquele mesmo mês e em seguida embarcou para o "Planeta Copa", como ela define o período em que eu, você e todo mundo só pensou em futebol.

Por isso, é especialmente interessante o show que Marina Wisnik realiza nesta quinta-feira, no Centro Cultural Rio Verde (saiba mais aqui). Será o terceiro show com base em "Vás", um dos melhores lançamentos de 2014 e que apresenta a cantora explorando sonoridades entre o folk e o rock e com presença marcante de Marcelo Jeneci ao piano em algumas faixas. "Quando ouvi as composições de Marina, percebendo sua poética e suas construções melódicas, logo me ofereci para participar daquilo que ela estava fazendo. Como compositora Marina é singular, tem personalidade forte, inteligência e uma poética própria. Ela trabalha com um espelhamento e imagens invertidas, além de melodias sinceras. Me orgulho de trabalhar com ela", diz o compositor.

Com exclusividade para o Azoofa, Marina comenta o show desta quinta-feira, revela que se preocupou especialmente com as letras do novo álbum e elogia o atual momento da música autoral de São Paulo.

AZOOFA: Marina, como está sua expectativa para o show desta quinta? Você pretende apresentar todas as 12 faixas do disco?

Marina Wisnik: Acho que será um show muito bacana, porque pela primeira vez eu faço o “Vás” no formato “pista”, isto é, pessoas de pé, dançando, etc. Como o Vás é todo baseado em bateria e guitarra, acho que vai ser muito legal. Eu vou tocar 10 músicas desse último disco, duas que são só voz e piano não estarão. Eu gosto muito delas mas para esse formato acho melhor priorizar as mais cheias. Em compensação tocarei algumas do meu primeiro álbum, “Na Rua Agora”, como “Deitada em Si”, “Mar te achar” e a música que dá nome ao disco.

O show terá também participações de compositores que eu gosto muito. O Junio Barreto tem um trabalho lindíssimo, sensível, e cantará duas músicas comigo, a Laura Wrona, outra compositora muito especial também estará, assim como o Marcelo Poletto, meu amigo que cantará uma parceria nossa.

Você fez o lançamento do show de “Vás” em maio. Passaram-se dois meses até o show desta quinta. O espetáculo se alterou nesse período ou é o momento de consolidá-lo e fazer poucas mudanças?

Eu fiz o show de lançamento do “Vás” e, em seguida, fomos para o Planeta Copa todos juntos. Não marquei nenhum show para esse período. Este de quinta marca o retorno da turnê do Vás, pós lançamento. Por isso acho que ele tem poucas mudanças.

É claro que ele se modifica um pouco conforme as estruturas de cada local. Por exemplo, na estreia, no Sesc Consolação, tínhamos um equipamento muito completo de luz, o que possibilitou à Luiza Rudge (que dirigiu o show) e o João Nunez (que fez a luz), que pudessem fazer um trabalho muito especial. Isso tem que ser readaptado para outros lugares e mudado conforme as estruturas que encontramos.

Uma das coisas mais interessantes de “Vás” é que, quando a música e letra não são suas, então ou a música ou a letra é. Você está em todas as canções. Você se preocupa em que o resultado dessas canções no disco sigam as suas ideias originais ou durante a gravação e com a intervenção dos diversos músicos que tocaram, isso foi mudando?

Levantei os arranjos das músicas junto com o Adriano Busko (que tocou bateria) e o Alexandre Fontanetti (que tocou guitarra e baixo-pedal, além de ter produzido, gravado e mixado o disco). Levantamos uma parte dos arranjos na época em que fazíamos os shows do “Na Rua Agora”, e eu queria por músicas novas no show. Como deu super certo fomos pra estúdio gravar o disco novo. Depois o Jeneci veio e colocou teclados e efeitos, além de tocar nas três músicas que são só voz e piano.

Em relação à sonoridade do disco, eu cuidei para que ele fosse mais vazio que o primeiro, isto é, com poucos elementos. E que a letra ficasse numa espécie de primeiro plano. Me preocupei bastante com as letras, com o que elas diziam, e com a maneira como elas se relacionavam entre si, formando o todo. Queria que o disco na sua unidade, tivesse um recado.

O Marcelo Jeneci é um parceiro recorrente nos dois álbuns. Qual a importância dele pra você?

Marcelo é um grande amigo que sempre esteve muito próximo das minhas músicas. Seja tocando, produzindo, trocando, ele entende muito o que eu faço e contribui, sendo o instrumentista que ele é. Nas nossas escolhas melódicas temos um certo parentesco.. Isso a gente percebeu desde o dia em que eu mostrei as minhas músicas pra ele, e ele mostrou as dele pra mim. A partir daquele dia nos tornamos muito próximos. Isso já faz um tempinho.

Você já se apresentou no CCRV. Gostou de tocar lá? Costuma frequentar a casa?

Lancei meu primeiro disco em 2012 e cheguei a fazer um show lá, já com a minha banda atual. Mas fiz outros shows no Rio Verde em 2009 e 2010, quando comecei a mostrar meu trabalho. Minha banda nessa época era o Jeneci, o Jonas Tatit e o Eric Rahal. Tenho o maior carinho pelo Rio Verde e por aqueles shows.

O Centro Cultural Rio Verde, o Puxadinho, a Casa de Francisca, a Serralheria são espaços voltados para a divulgação e valorização da música autoral. Outras casas estão surgindo com esta mesma intenção. Como você vê o atual momento para quem faz música em São Paulo?

São Paulo tem muitas opções de casas de show em comparação a outras cidades do Brasil. Em compensação catalisa compositores e artistas de todo o país, que muitas vezes vem morar aqui devido à efervescência. Em suma: tem uma pluralidade muito grande, e uma visibilidade para quem quer mostrar seu trabalho. Isso é bom.

Quais shows você viu recentemente e que te marcaram bastante?

Vi o show da Gal, “Recanto”, incrível. O do Celso Sim, lançamento do seu disco novo, “Tremor essencial”, foi forte e lindo. Vi o do Leo Cavalcanti, lançamento do seu disco novo “Despertador”, foi muito bacana também.

Além de cantora e compositora, você é atriz, arte-educadora, poeta. Queria que contasse um pouco das tuas outras atividades artísticas.

Eu estive durante uns 6 meses no Teatro Oficina, do Zé Celso, com a peça Bacantes. Depois fiz escola de teatro, fiz faculdade de Letras e passei a dar oficinas de poesia que relacionam as diferentes linguagens: corpo, palavra, plasticidade, som, etc. Isso já faz uns anos. Gosto muito de mediar o processo criativo, ajudar o outro a encontrar seus meios de expressão e de dar oficinas para diferentes públicos. Paralelamente publiquei um livro de palíndromos chamado “Sós”. Palíndromos poéticos. Acho que essa relação com a palavra cada vez mais encontra lugar nas minhas músicas.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

Comentários
Postagens relacionadas

24/08/2017 Entrevistas

Chá das 4 e 20 Músicas | Maneva

Shows relacionados