Azoofa Indica: Mombojó

O Mombojó está de disco novo. "Alexandre" saiu no final de maio e logo ganhou diversas críticas elogiosas, que celebravam o lançamento deste quinto álbum, o mais experimental - e maduro - da discografia da banda pernambucana. "Ficamos muito satisfeitos com o resultado final", diz o tecladista Chiquinho Moreira.

O Mombojó, é claro, está também com show novo na praça, e a estreia acontece nesta quinta-feira, no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, graças a uma bem sucedida ação de financiamento coletivo feito realizada em parceria com a plataforma Queremos (saiba mais). "Este é um ótimo modelo de negócio pro futuro e para o presente", avalia Chiquinho.

Embora o momento do Mombojó seja permeado de novidades, o essencial às boas bandas - a vontade de estar junto - permanece. Eles garantem que ainda são aqueles garotos de 17 anos que, há 13 anos atrás, tiraram um som juntos pela primeira vez no Estúdio Skill, do Seu Damião, em Recife.

Com exclusividade para o Azoofa, Chiquinho fala sobre a longevidade do grupo, condena as recentes atitudes racistas do candidato à presidência Levy Fidelix e diz que todo o país está vivendo uma crise urbana.

AZOOFA: Como está rolando essa parceria com o Queremos? 

Chiquinho Moreira: A ideia é possibilitar que o Mombojó estreite a relação com o seu público. Através do financiamento colaborativo, os fãs podem nos ajudar diretamente a viabilizar nossos shows nas sua cidades, sem depender unicamente de algum contratante que se interesse por realizar o evento. Nesse formato o púbico financia diretamente a realização do show.

O financiamento coletivo vem se mostrando uma boa alternativa para viabilizar projetos de música?

Enxergamos isso como um ótimo modelo de negócio pro futuro e para o presente. Uma nova alternativa da gente ir tocar em lugares que não é tão fácil de chegar.

"Alexandre" mostra uma banda com fome de bola, com vontade de experimentar e realizar um disco marcante, o que de fato foi conquistado. Rolou essa preocupação de “vamos fazer um grande disco”? 

Acho que a gente sempre pensa em fazer um grande trabalho… é isso que move a cabeça de um artista. Mas, especialmente nesse disco, ficamos muito satisfeitos com o resultado final. Foi muito bom começar produção com esse espírito de experimentar sem medo do que vai acontecer no final. Claro que a pouca experiência que temos já nos dá a capacidade de conseguir enxergar como a música vai ficar no final, o que não tira a diversão da historia toda. É muito bom ter aprendido muito com a carreira a ponto de entender melhor do processo todo de concepção e gravação de um disco.

O álbum foi lançado em meio às ações do movimento Ocupe Estelita, mas no disco não há nenhuma música claramente panfletária sobre esse tema. Foi proposital?

A faixa "Me encantei por Rosário" fala disso. Felipe fez a letra toda a partir do texto do Direitos Urbanos. Rosário é uma cidade que conhecemos na Argentina, num show que fizemos por lá. Ficamos encantado com a preservação da arquitetura histórica do local, mantendo a sua relação com o verde e com o rio gigante que margeia a cidade. Acho que Recife poderia se espelhar nisso. Também notamos que não é uma luta só da nossa cidade… o país inteiro parece viver um problema sério de especulação imobiliária, urbanismo etc.

Estamos há 1 semana do primeiro turno das Eleições. Ontem tivemos um debate bastante polêmico, com um candidato sendo claramente intolerante em relação aos homossexuais. Como vocês estão vendo esse momento político? Vocês declaram voto em algum candidato? 

Preferimos não levantar nenhuma bandeira política. Porém, é inadmissível qualquer tipo de postura contra a opção sexual de alguém. Não se pode dar crédito a quem tem esse tipo de discriminação sexual, racial etc.

São 13 anos de carreira, uma marca bastante expressiva para uma banda no Brasil. A que se deve essa “longevidade” do Mombojó? 

Antes de mais nada somos um grupo de amigos. É muito importante respeitar essa nossa amizade. Acho que estamos juntos por afinidade. Foi a partir disso que conquistamos tudo que temos, superamos barreiras enormes. Vivemos o presente numa vibe sempre muito boa e divertida. E vislumbramos um futuro muito massa!!!

O show de São Paulo será no Centro Cultural Rio Verde. Vocês já tocaram lá? Gostam da casa?

Com o Mombojó vai ser a primeira vez, mas ja conhecemos o lugar muito bem. Lá tem um astral muito bom. Sabe aqueles lugares que você vai pra curtir uma boa música, ver bons shows, recarregar as baterias das boas coisas que alimentam a mente.

Quando vocês começaram, o Mombojó era um grupo de amigos de 17 anos. Hoje estão beirando os 30. O que a idade influencia na hora de fazer música?

Com 17 o HD da cabeça ainda tem espaço muito livre de todo tipo de preocupação. Aos 30 você passa a ter mais responsabilidades. Temos que pagar contas. Temos uma estrutura de gente que trabalha com a gente que precisa ser diariamente alimentada. Hoje a gente vive de música e depende dela diretamente. O melhor lado da historia é que agora a gente sabe melhor alguns caminhos das pedras e continuamos nos divertindo tanto quanto na época dos 17.

***

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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