Azoofa Indica: Cabana Café

Entre Caetano Veloso e o Broken Social Scene, está o Cabana Café, uma banda formada em São Paulo em 2010, dona de apenas um disco até aqui, o ótimo "Panari" (2013), e que volta a se apresentar na cidade nesta quarta-feira, no Sesc Vila Mariana (saiba mais) após uma intensa turnê pelos Estados Unidos, no ano passado, e um período em que seus integrantes - Rita Oliva (Voz, Synth), Gustavo Athayde (Voz, Baixo), Zelino Lanfranchi (Guitarra, Backing Vocal), Taian Cavalca (Synth) e Mario Gascó (Bateria, Backing Vocal) - foram tocar projetos pessoais.

Entre o rock e os ritmos brasileiros, como o samba, as canções do Cabana Café são deliciosamente despretensiosas - e por isso, interessantíssimas, nesta época em que a chamada nova MPB anda obcecada por ser incompreendida.

Entre o início de sua jornada no início da década nas casas do Baixo Augusta, e a chegada ao destino final, que sabe se lá onde vai dar: no meio da estrada é onde está o Cabana Café hoje. Com exclusividade para o Azoofa, a cantora Rita Oliva fala sobre o show desta quarta-feira, relembra histórias curiosas da turnê pelos EUA e diz que vem um segundo disco por aí.

AZOOFA: A capa de "Panari" é a imagem de uma estrada, que obviamente remete a busca e travessia. A banda já passou por alguns “lugares” desde 2010, quando surgiu – os primeiros shows, consolidação da formação, viagens pelo Brasil, primeiro disco. Em que lugar da estrada o Cabana Café está em 2015?

Em "Panari" nos referíamos de fato a uma busca, à estrada, estávamos entendendo a nova fase da banda, com cinco integrantes e novas sonoridades.  Hoje, essa busca nos trouxe uma tranquilidade maior, assim como todo processo de amadurecimento. Estamos em uma fase em que valorizamos mais cada momento que temos como banda, sem nos cobrar tanto, e acabamos nos divertindo mais, por conta dessa leveza. Estamos mais seguros, tanto na execução dos instrumentos como em relação a como queremos soar. Isso deixa tudo mais prazeroso, e espero que o público também se sinta assim.

Todos os integrantes da banda compõem, e rolam diversas parcerias entre vocês mesmos. Como é o processo de composição do Cabana Café?

É um processo bem natural. Somos uma banda, mas somos amigos, acima de tudo. Então as composições muitas vezes surgiram porque tem alguém tocando uns acordes de violão na sala, por exemplo, no meio de uma conversa, e de repente surge uma melodia, uma letra, e a música nasceu. As letras às vezes já fazem parte das anotações de alguém, ou vão surgindo na hora, com opinião de todos. E com o tempo vamos lapidando até dizer que está pronto.

Vocês fizeram 13 shows nos Estados Unidos em 2013. Como foi a experiência? Como foi a recepção deles para uma banda independente do Brasil?

Foi super puxado, porque fizemos os 13 shows em 15 dias, sendo que três deles foram na Califórnia e o resto em outros cinco estados, do outro lado dos EUA.  E a gente mesmo dirigiu a van na maior parte do tempo. Mas valeu cada perrengue! (risos).

A recepção foi ótima. Fiquei surpresa pelo fato de que as pessoas se interessaram muito mais pelas músicas cantadas em português dos que pelas em inglês, que eram minoria (só uma ou duas no meio do repertório).

Tivemos momentos muito especiais com pessoas que conhecemos pelo caminho, e outros um pouco bizarros, mas igualmente marcantes. Em uma cidade pequenininha em Ohio, ficamos em uma casa que tinha sido de um cara que morreu sozinho de uma doença terminal nos anos 80, afastado da família, que não aceitava seu homossexualismo. Nós descobrimos isso um pouco antes de dormir, e claro que tinha uma lenda na cidade, de que o cara ainda rondava a casa. Por isso o morador atual, um americano incrivelmente gente boa, tinha feito um acordo com o fantasma (!), e não tirou nada do lugar. A casa era cheia de móveis e objetos antigos, do antigo dono que tinha morrido. A casa era enorme, mas dormimos todos no mesmo quarto (risos).

Vocês estão há um tempo sem se apresentar. Por que rolou esse hiato?

Isso não foi muito planejado, acabou acontecendo por conta de foco. Passamos um tempo nos dedicando a outros projetos, cada um fazendo o tipo de som que teve vontade, e agora percebemos o quanto isso foi importante para o Cabana. Parece que voltamos mais abertos e mais integrados.

Vocês já se apresentaram no Sesc Vila Mariana?

Vai ser nossa primeira vez, estamos animados.

O que vocês estão preparando em termos de repertório para esse show?

Vamos tocar músicas de todos os lançamentos, desde o primeiro EP da banda, os singles, até o disco.

Vocês lançaram no ano passado o single “Próxima Rodada”, que representa bem a mistura de rock e ritmos brasileiros que estão em outras canções do grupo. Essa é a identidade musical da banda?

Nosso som com certeza é um mix de rock e música brasileira, mas não diria que para por aí. Próxima Rodada é uma música que foi feita a partir da letra de um amigo, o Daniel Prata, na época em que gravamos o Panari. No começo de 2014 sentimos que ela representava, pela letra, o momento que a gente estava passando, de não pensar muito em um futuro muito distante, focando em projetos que nos dariam prazer, que tínhamos vontade de fazer na hora. Agora, depois dessa fase, estamos novamente nos apresentando com duas guitarras (o Hafa Bulleto tem tocado com a gente em todos os shows), o que trouxe um swing que já tínhamos antes, mas continuamos com dois synths, que dão um toque mais psicodélico e criam um climão. Não gostamos de nos prender em dois gêneros porque realmente ouvimos muita coisa  e tudo pode acontecer para o próximo lançamento.

Vocês já pensam no segundo disco?

Estamos com algumas ideias de música, mas ainda não programamos o álbum. Queremos fazer mais shows, matar a saudade, e as músicas vão surgir a partir disso

Ultimamente tem rolado vários projetos em que novos artistas e bandas interpretam obras de nomes consagrados da música. Se o Cabana Café pudesse escolher uma banda para visitar o repertório, qual seria? E por que?

Pergunta difícil, porque dá vontade de escolher vários. O Broken Social Scene é uma banda canadense de que gostamos bastante, até já gravamos uma versão, que tocamos até hoje. Acho que seria uma boa opção, não só pela sonoridade, mas pelo fato de serem um coletivo musical, que é uma coisa que a gente sempre se identificou e buscou. Seria bom juntar bandas amigas e tocar em um palco lotado de gente.

Quando fizemos uma versão para “You Don’t Know Me”, do Caetano Veloso, pensamos em tocar o álbum inteiro, o Transa. Acho um álbum incrível. É um clássico que já tem muitas versões e merece muitas outras.

*** arte | belisa bagiani fotos | divulgação
Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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