Apanhadão do Azoofa: Rolling Stones

Prestes a confirmarem a quarta passagem dos Rolling Stones pelo Brasil, resolvi cavocar os arquivos do meu velho programa Rádio Kanastra para passar a limpo a história dessa banda, com certeza uma das mais aguardadas pelos fãs brasileiros em 2015.

Tudo começou lá em 1960 com o reencontro de dois amigos de infância na estação de trem de Dartford, na Inglaterra. Papo vai, papo vem, eles descobriram o interesse em comum pelo rock and roll e pelo blues, e a convite do guitarrista Brian Jones, em 62, decidiram fundar uma banda. Esses caras eram Mick Jagger e Keith Richards e a banda se chamaria Rolling Stones em homenagem a música "Rollin’Stone", de Muddy Watters.

Juntaram-se a eles Bill Wyman no baixo (Bill possuía mais que um amplificador, e isso foi fundamental para sua entrada na banda!) e, em janeiro de 63 Charlie Watts na bateria. O público aprova a performance ao vivo da banda, e com a ajuda do empresário, descolam um contrato com a Decca Records, que havia recusado os Beatles tempos antes.

Foi responsabilidade dos Rolling Stones a introdução da rebeldia como parte importante da imagem das bandas de rock, meio que uma antítese dos bons moços de Liverpool. O slogan promovido pelo empresário na época era, inclusive: “Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?”

Os dois primeiros discos continham apenas uma ou outra música composta pela banda. Foi mesmo a partir do Out of Our Heads, de 65, que as composições da dupla Jagger/Richards se tornaram peça principal do repertório dos caras. A prova disso é o maior clássico da banda, que todo mundo conhece e que é desse disco: "(I Can`t Get No) Satisfaction".

A partir do Aftermath, de 66, a sonoridade da banda enriquece (embora eles nunca tenham sido reconhecidos pela mídia como excelentes músicos) e novas experiências são agregadas. Vide  o disco de 67, o Their Satanic Majesties Request, que seguia uma onda psicodélica, que tava em alta naquele momento.

No ano seguinte eles voltam um pouco mais as origens e lançam o maravilhoso The Beggars’ Banquet, que no Brasil saiu com uma capa diferente, branca, que abria com o clássico "Sympathy for the Devil", que uns dizem que foi inspirado numa visita de Mick a um centro de candomblé na Bahia e outros dizem que foi uma tentativa de fazer um samba, já que alguns membros da banda haviam passado um carnaval no interior de São Paulo e ficados maravilhados com aquele rítmo, querendo fazer algo semelhante. A única verdade é que tem influência brasileira!

Em 69, Brian Jones, um dos membros mais importantes, deixa a banda e é substituído por Mick Taylor (ex-John Mayall’s Bluesbreakers). Dias depois Jones é encontrado morto, afogado na piscina de sua casa em circunstâncias misteriosas e, um show, já previamente marcado pela banda no Hyde Park, em Londres, acaba se tornando uma grande homenagem ao ex-parceiro de banda.

Mas mais uma tragédia na trajetória dos caras estava por vir ainda em 69, durante um show em Altamont, na Califórnia, para uma platéia de 500 mil pessoas. Um jovem foi assassinado com uma punhalada pelas costas por um segurança do show que fazia parte da famosa gangue de motoqueiros Hell’s Angels. Reza a lenda que o jovem ia sacar um revólver e atirar no Mick. Dentre mortos e feridos, o incidente acabou sendo retratado no filme Gimme Shelter, de 70. Ainda em 69 eles lançam o ótimo Let It Bleed.

Anos 70, talvez a melhor fase da banda, nova gravadora e novo disco: Sticky Fingers, com aquela capa do zipper que abria e aparecia uma cueca. Foi o primeiro disco a mostrar o famoso logotipo da língua, marca registrada dos caras.

Em 72, após problemas com o fisco e um sério programa de desintoxicação em Keith (rola aquela velha lenda que ele foi submetido a uma transfusão total de sangue em função de seu vício em heroína), a banda grava em L.A. o disco mais elogiado da carreira, o duplo Exile on Main Street, que só tinha música boa. Na sequência lançaram o Goats Head Soup, com o clássico "Angie", composta para uma namorada de Mick (e de David Bowie também!).

Após as gravações de It`s Only Rock and Roll em 74, Mick Taylor deixa a banda para seguir carreira solo. É chamado então para completar as guitarras Ronnie Wood, ex parceiro de Rod Stewart no The Faces (as gravações do disco tinham rolado no estúdio do Ronnie).

Depois de lançar Black and Blue, em 76, o disco Some Girls veio com uma pegada mais forte e pesada, com influências da era punk que estava surgindo. Mas o som que ficou conhecido mesmo nesse álbum foi o hit das pistas "Miss You", que destoava um pouco do resto do disco, mas que é muito bom. Lançam ainda em 80, Emotional Rescue.

Anos 80, mais uma nova fase, mais uma gravadora. O trampo na EMI começa bem, com o elogiadíssimo Tattoo You. Essa turnê marca a banda por ser uma das pioneiras a fazer shows imensos, com grandes aparatos e de longa duração. São desse disco os clássicos "Start Me Up" e "Waiting on a Friend", que tinha sido composta 8 anos antes.

Durante os anos 80, os integrantes dos Rolling Stones se aventuram em seus projetos solos e os rumores de que a banda estaria prestes do fim aumentam, principalmente por não saírem em turnê nos discos Undercover e Dirty Work e pelo relacionamento nada amigável de Richards e Jagger. Entretanto, em 89 sai o bom Steel Wheels. Foi o último disco com o Bill Wyman, que deixou a banda após a turnê.

Após 5 anos, sai Voodoo Lounge, e com ele uma tour que renderia milhões de dólares. Foram dessa turnê os primeiros shows da banda no Brasil. Na sequência lançaram o Stripped, com regravações de clássicos em formato acústico. Destaque para a regravação de "Like a Rolling Stone", de Bob Dylan. Em 97, com o lançamento de Bridges to Babylon, eles viriam ao Brasil pela segunda vez (Bob Dylan veio junto e abriu os shows!).

Após turnês mega-rentáveis e algumas coletâneas, o último disco de inéditas lançado pelos caras foi A Bigger Bang, elogiadíssimo por fazer um som cru e com a cara dos primórdios da banda. Foi com a turnê desse disco que os caras voltaram pela terceira vez ao Brasil, dessa vez para tocar para 1,5 milhão de pessoas em plena praia de Copacabana (com direito a ponte direto do Copacabana Palace para o palco).

E esse ano? Será que eles vêm?

Quem escreveu
Daniel Branco

 

Comentários
Postagens relacionadas

14/08/2018 Entrevistas

PLAYLIST | Drik Barbosa

09/08/2018 Entrevistas

O artista em processo: Tim Bernardes

24/07/2018 Entrevistas

FALA-SE DE MÚSICA | Fióti

23/07/2018 Entrevistas

PLAYLIST | André Mussalém

Shows relacionados
POPLOAD FESTIVAL 2018
15/11/2018 - 11:00 hs
Memorial da América Latina
R$180 a
R$750
comprar
POPLOAD FESTIVAL 2018
DANI BLACK
16/08/2018 - 21:00 hs
até 14/09/2018 - 21:00 hs
Bona
DANI BLACK
SESC JAZZ 2018
15/08/2018 - 21:00 hs
até 02/09/2018 - 18:30 hs
SESC Pompeia
SESC JAZZ 2018
CLUBE DA ESQUINA 2 - 40 ANOS
31/08/2018 - 21:00 hs
até 02/09/2018 - 18:00 hs
SESC Vila Mariana
CLUBE DA ESQUINA 2 - 40 ANOS
COALA FESTIVAL 2018
01/09/2018 - 11:00 hs
até 02/09/2018 - 11:00 hs
Memorial da América Latina
COALA FESTIVAL 2018