Encontro dos Compositores - 28/03/2015

Ô se valeu a pena. Pra quem foi assistir, como eu, pra quem estava de bobeira pelo bairro de Pinheiros, mais precisamente na Rua Belmiro Braga, e resolveu entrar no número 216 para ver o que estava rolando no começo da noite de sábado e, principalmente, pra quem  guardou a data pra mostrar sua verdade no palco da casa. Valeu a pena pro Fernando Vasques ter pedalado lá da estação Belém do metrô até o Puxadinho e feito, junto de seu violão, todos viajarmos por seus versos do campo. O espírito voz e violão que o Encontro dos Compositores tanto busca e preza. Foi assim naquela canção inspirada em Leminski, no xote que juntou os corpos de quem lá testemunhava, ou naquela que, se estivesse sendo cantada em inglês, soaria perfeitamente como Cat Stevens em 1970.

Repertório vasto, variado. Gente eclética. Pensei nisso quando vi a molecada do Abasom passando o som antes da apresentação. Um vestindo chapéu, outro com a camiseta do Iron Maiden, um terceiro com a do Pink Floyd... “O que será que vai sair desse bem bolado?”, pensei. Vou te dizer que foi um tropicalismo psicodélico temperado cirurgicamente com gaita e saxofone. Mal ameaçaram tirar os instrumentos do pescoço após a segunda música e a galera já pediu bis do bis. “Pô, vão por só a cabecinha?” foram as sábias palavras do mestre – de cerimônias, inclusive – João Sobral, que entre uma atração e outra atraía a atenção da menina sentada no bar com sua poesia precisa. Fosse com suas “Semanas Inteiras” ou com as expressões de seu célebre conterrâneo Belchior. Foi mais ou menos assim também lá pro final da noite, quando o compositor seguinte engatou um blues com os olhos fixados na garota que cantarolava sua obra respondendo diretamente ao seu fitar, como se conversassem sozinhos naquele espaço cheio de gente. Deu tempo ainda de uma jam session improvisada pra fechar essa nova etapa do evento em clima de festa e com a sensação de dever cumprido. Bem que o Rafael Castro, o Paulo Neto, o Márcio Lugó e o Rodrigo Campos avisaram. Foi memorável. E assim será nos últimos sábados de cada mês.

***

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Quem escreveu
Daniel Branco

 

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