O voo de carreira de Lara & Os Ultraleves

Em uma manhã quente de janeiro, a cantora Lara Aufranc está sentada em um dos sofás que povoam a ampla sala de seu apartamento, um dois quartos arejado e espaçoso localizado na Pompeia. A conversa ainda está começando quando ela arruma a postura, entrelaça as mãos, pousando-as no colo, e diz, com um sotaque paulistano moderado: “Esse ano resolvi que trabalho com música”.

Não é uma frase qualquer, especialmente quando dita por esta mulher de 32 anos recém completados em fevereiro. Lara desconhece como é a vida sem música. Desde muito pequena já absorvia os sons que seus pais colocavam na vitrola de casa, e é dela a voz (e o nome) do Lara & Os Ultraleves, grupo com influências de blues e soul que ela montou há dois anos. Até aqui, no entanto, o papel da música em sua vida tinha mais características de coadjuvante do que de protagonista. Formada em Cinema, no final do ano passado Lara largou um bom emprego como editora de documentários para a TV e decidiu que é na música que ela pretende construir sua história. “A vida é curta, e é preciso ir atrás daquilo que a gente ama. Eu fui juntando um dinheiro, não sei se vai durar o ano todo, talvez eu precise fazer uns bicos, mas eu quero me dedicar a música. Eu entendi que é o meu caminho”.

O Lara & Os Ultraleves nasceu após o fim do relacionamento amoroso de Lara com o músico Murilo Sá. Durante o namoro, eles tiveram um grupo de rock com trabalho autoral chamado Disco Dois, em 2009, e uma dupla que tocava músicas do começo do século XX, o Jelly Blue. “Quando nos separamos, eu percebi que havia muito tempo eu estava deixando de fazer as minhas coisas, porque a gente fazia tudo junto. E em algum grau rolava uma competição entre nós”, conta. “É difícil trabalhar com alguém que você está emocionalmente envolvido. Não pretendo fazer isso nunca mais na minha vida. Eu criei uma insegurança sobre o que poderia fazer sozinha”. A insegurança começou a se dissipar quando ela decidiu montar uma banda de pegada blues e soul. O primeiro ensaio foi com o guitarrista Luciano Bernardes em 2013. “Eu fiquei sabendo de um amigo de um amigo que tocava blues (Luciano). Combinamos de ir ao estúdio Nimbus e ali tocamos juntos pela primeira vez”, relembra. “É claro que no começo é esquisito, você não conhece a pessoa, mas rolou”. Dentro do espírito “separar trabalho de amigos e namorados”, Lara começou a convocar para a banda pessoas não tão próximas. “Chamei meu professor de piano, que trouxe um outro professor, de bateria. E eu fui conhecendo os músicos assim”. Os primeiros ensaios aconteceram na casa do baixista Artur Galan. O repertório era todo de covers da música soul americana dos anos 50 – já estavam lá, por exemplo, os standards “Tell Mama”, de Etta James, ou “One Night (Of Sin)”, de Elvis Presley, que integrariam o primeiro EP, lançado pelo grupo em 2013, mesmo ano em que eles realizaram o primeiro show. “Não tínhamos um objetivo claro. Eu queria cantar e dar a cara pra bater”.

Meu primeiro contato com Lara foi no dia quatro de fevereiro de 2014, exatamente um ano antes do dia em que ela nos recebeu em sua casa. Ela me mandou um e-mail apresentando-se como “cantora e produtora da banda Lara & Os Ultraleves” e sugerindo que eu fizesse uma visita aos ensaios da banda. “O próximo é na terça que vem às 10:30h na casa do nosso saxofonista, o Pedrinho. É legal porque tem um clima bem intimista, é a casa do pai dele, que é um puta instrumentista (sax, clarone, clarinete, flauta) e tem uma filhinha de 10 meses. Uma mini-fã dos Ultraleves”, escreveu, para depois dar parágrafo e continuar. “Fora que terça é o meu aniversário! A única coisa que talvez não seja tão positiva é que vamos trabalhar  nas composições, que ainda estão bem cruas. Mas também pode ser interessante ver como é o processo de criação e arranjo. O que você acha?”. Quinze minutos depois, encaminhei esta mensagem ao editor do Azoofa, Gustavo Kamada, e adicionei duas frases. “O que você acha? Pensei numa outra coisa...”. A outra coisa que eu havia pensado era que não gostaria de restringir a matéria apenas ao ensaio; achava que era preciso acompanhar mais a banda: vê-los ao vivo, e depois ir em outro ensaio, e depois em outro show, e outro ensaio, e em outro show.

No dia em que Lara completou 31 anos, eu e Gustavo fomos à casa do saxofonista Pedro Vithor Almeida, um sobrado como outros tantos que se repetem pelas ruas do bairro da Aclimação. Fomos recebidos pela família de Pedro, que nos acompanhou até o quartinho dos fundos onde o ensaio já estava acontecendo. No caminho, o choro de uma criança pequena ia se misturando ao som dos Ultraleves.

Ao abrir a porta do quartinho, o primeiro pensamento foi questionar como cabiam 8 pessoas e tantos instrumentos naquele espaço tão diminuto. Lá dentro estavam, além de Lara, o guitarrista Luciano Bernardes, o tecladista Kim Jimkings, o baixista Artur Galan, o baterista Cristiano Santiago, os trombonistas William Sprocati e Duncan Taylor e o sax barítono - e dono da casa - Pedro Vithor Almeida. Logo que entramos (e nos ajeitamos) no quartinho, Lara me explicou que o ensaio não seria mais dedicado às novas composições, como ela havia dito no e-mail. De última hora, a banda fora convidada para tocar na festa de casamento de uns amigos e estava aproveitando aquela manhã para dar uma passada geral no seu repertório tradicional, que já tinham testado com sucesso em apresentações realizadas em casas como o Serralheria e Mundo Pensante. Achei aquela história curiosa – tocar num casamento - e perguntei se podíamos acompanhar este inusitado show. Lara hesitou e ficou de responder depois. Passados três dias, ela me mandou um e-mail dizendo que os noivos tinham autorizado nossa presença. Eu e Gustavo seríamos adicionados à restrita lista de convidados da festa de matrimônio de Fábio e Belisa.

Desde que resolveu dedicar-se integralmente à música, os dias de Lara são devotados à produção e gravação do primeiro disco do grupo – que deve sair entre agosto e outubro deste ano e apresentará as primeiras canções autorais da banda -, às novas composições, a conversas com outros músicos, presença em shows de bandas e artistas diversos e uma pesquisa sistemática sobre a música moderna, atividade que ela define como “sair da bolha”. “Eu sempre gostei de música velha. Estou descobrindo agora o que aconteceu na música nos últimos dez anos”.

Ela também assumiu de vez as funções de cantora, produtora e organizadora geral da rotina do grupo. “Eu cresci ouvindo Beatles. Sempre quis ser parte de uma banda”, diz. “Já há algum tempo que eu que cuido de produção, divulgação nas redes sociais, venda de shows. Eu sou a única pessoa da banda que não se dedica a outros projetos. Em 2015, admitimos isso para nós mesmos”, explica. Depois de um tempo em silêncio, ela completa. “Eu larguei tudo porque é nesta banda que quero realizar meu sonho”.

Faz calor naquela quarta-feira de manhã. Lara nos leva até a cozinha, e enquanto prepara um café, conta que 2015 começou com foco total na criação. “Ano passado, a gente se encontrava uma ou duas vezes por semana para ensaiar. Eram ensaios para shows ou apenas para compor. Mas a banda tem muita gente, e às vezes os ensaios para compor não rendiam tanto”, admite. “Então, esse ano começamos diferente. Eu criei um cronograma de encontros até agosto. E começamos a fazer reuniões menores. Ontem encontrei com o Luciano, hoje à noite vou encontrar com o Kim. Nesse ano vamos tentar tocar menos para concentrarmos no disco. Não quero que os shows atrapalhem esse processo de criação. Mas é claro que se pintar uma oportunidade legal, estamos dentro”.

Foi em um desses ensaios reduzidos que nasceu a música “Take Me With You”, primeiro single do grupo. Gravado no estúdio El Rocha em janeiro deste ano, a faixa vai ser lançada em maio, com direito a clipe dirigido por Lucas Rangel. “Foi um dia em que faltou um monte de gente. Estávamos eu, Luciano, Artur e Cris”, relembra, de xícara na mão e já de volta ao sofá da sala. “Foi a nossa primeira música que surgiu coletivamente. Normalmente, não é assim”. Ela me convida a ir até um dos quartos da casa, onde não há muito além de alguns livros, uma mesa e um computador ligado. Alguns cliques depois e estamos ouvindo uma versão ainda não finalizada do single. Enquanto a música toma conta do quarto, Lara vai sentar-se numa cadeira que está distante da tela e fica concentrada no som. Seu rosto traz um misto de timidez e satisfação.

Outra novidade no processo de composição está nas letras: depois de anos escrevendo em inglês, Lara começou a compor em português. “Das músicas novas, metade são em português”, conta. “No começo foi bem difícil. Hoje, está mais fácil do que fazer em inglês”. Ela agora se acostuma em ouvir sua própria voz cantando na língua nativa. “Sempre ouvi muita música estrangeira e o timbre ficou associado ao inglês. Estou redescobrindo minha voz em português”.

Na sala principal do apartamento, há um piano de madeira caviúna cujo charme fica ainda maior quando a claridade que vem da janela lateral atinge-o em cheio. Lara não costuma usá-lo para compor, embora tenha noções básicas e planos de neste ano fazer aulas com o tecladista Kim. É que a cantora só compõe com a voz. “Eu aprendi a tocar piano aos 24 anos, só que eu canto desde os 12. Minha intimidade é maior com a voz do que com o piano”, diz. “O que acontece normalmente é eu fazer uma melodia com a voz, colocar uma letra e depois me sentar com alguém para organizar tudo. Só aí eu descubro as notas musicais do que eu criei”.

Esse método incomum de criação faz com que, no limite, Lara seja capaz de compor a qualquer momento. “Às vezes estou andando na rua e de repente vem uma melodia. Eu pego o celular e gravo. Fui acumulando várias pequenas ideias”. Parte do trabalho de Lara hoje em dia é se debruçar sobre esse material e separar o que tem futuro para virar uma canção. “Faço isso todo dia. É difícil explicar minhas ideias para outra pessoa sem ter um instrumento na mão. Eu não toco violão. Tentei tocar quanto tinha uns treze anos, mas achei super esquisito ficar entortando os dedos. Desisti”.

O casamento de Fábio e Belisa está marcado para às 14h do dia 23 de fevereiro de 2014; o show de Lara & Os Ultraleves está previsto para 18h. É um domingo de Carnaval e a festa acontece no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo cuja vocação carnavalesca vem se acentuando nos últimos anos - só naquela tarde, mais de 50 mil foliões circularam pelo bairro. Por volta das 17h, eu e Gustavo estamos tentando vencer a massa de pessoas que se espalham pelo rua Belmiro Braga, onde fica o Rio Verde. Quando entramos na festa, a parte do padre, dos votos e da oficialização do matrimônio já tinha acabado. Familiares e amigos do casal agora se divertem ao som tocado por um DJ. Todos os convidados vestem roupas despojadas que nada lembram o glamour por vezes forçado das tradicionais festas de casamento. O clima low-profile do convescote de Fábio e Belisa casa-se perfeitamente ao ambiente rústico e algo encantado do Rio Verde. O relógio marca 19h em ponto quando a banda começa a tocar no salão cujo chão está dominado por confetes e serpentinas.

Logo aos primeiros acordes de “Little By Little”, clássico do guitarrista norte-americano Little Richard abre o show, o casal Belisa e Fábio se aproxima da banda. De mãos dadas e sorridentes, observam o grupo trabalhar; Lara canta sem tirar o olho deles. Talvez os três estivessem neste momento relembrando como aquela história começou. “Eu os conheci numa viagem de ano novo em 2012-2013”, Lara me contaria meses depois da festa. “São duas pessoas incríveis, desses casais que estão juntos há mil anos e continuam apaixonados. Um exemplo romântico: a gente dividiu um quarto na Ilha do Cardoso, dois beliches, 4 pessoas. Eles só usavam a cama do beliche deles; apesar do calor infernal, eles sempre dormiam abraçadinhos”. No final de 2013, quando a banda começou a fazer suas primeiras apresentações, Fábio e Belisa deram apoio. “Eles iam em tudo quanto é show, levavam os amigos, dançavam na primeira fila. Quando eles resolveram casar, o nosso show foi um presente de casamento. Cobramos um cache simbólico e pagamos apenas as pessoas da banda que não os conheciam. Eu mesma não ganhei nada pra cantar”.

O som de Lara & Os Ultraleves é dançante porque, além da exuberância sonora – são sete instrumentos diferentes em cima do palco – a banda executa com competência e destreza ritmos como soul, funk, blues e rockabilly. Naquele momento da festa em que os convidados só querem celebrar, o repertório do grupo cai como uma luva. Música a música, idosos, adultos e jovens vão se soltando e comprando a ideia. O momento mais bonito, porém, acontece quando Fábio e Belisa engatam uma dança a dois, e o público abre espaço para que eles dancem sozinhos no salão ao som da banda que escolheram como trilha sonora do dia mais importante de suas vidas.

Lara é uma mulher de rosto sério, cabelos castanho-claros e gestos contidos. Nasceu em São Paulo em 11 de fevereiro de 1983 no hospital Santa Catarina, na avenida Paulista. Embora seus pais não sejam ‘artistas’ – ele é sociólogo, ela é psicóloga – foi através deles que Lara travou seus primeiros contatos com o mundo artístico, especialmente com o cinema e a música. “Nunca me trataram como bebê. Quando eu tinha nove anos, fizemos uma viagem pra Europa e eles me levaram em todos os museus. Apesar da idade, eu fiquei fascinada. Meu avô era pintor no Rio de Janeiro, fazia cenários para escola de samba. Mas infelizmente não cheguei a conhecê-lo”.

Na sala do apartamento em que ela vive há cerca de cinco anos, há uma caixa vermelha que fica no chão, entre a parede e o piano. Dentro dela estão diversos discos de vinil – tem Mutantes, Tom Waits, Jack White – e dezenas de singles e discos dos Beatles que faziam parte da coleção de sua mãe - e por onde começam suas primeiras lembranças musicais. “Minha mãe era beatlemaníaca. Eu tinha uma vitrola portátil que ficava dentro de uma mala e guardava os singles ali”. Na pré-adolescência, Lara começou a cantar em festas de família e eventos escolares. A paixão pelos Beatles a levou ao rock, e na adolescência os sons que faziam sua cabeça eram os acordes pesados do Black Sabbath e Megadeth. No colegial, encantou-se pela Tropicália e por Elis Regina.

Com 17 anos, foi cursar Artes do Corpo na PUC e montou sua primeira banda. O nome: Kailash ki Shakti Shiva Shankara ki Jay Jay. “Ou Kailash, pra simplificar”, ela diz, rindo. “O repertório ia de mantras indianos a Mutantes, era bem groselha. O Flavio Tris [compositor paulistano] se alternava entre o violão e a cítara. Além dele, a banda tinha o Maurício Maas (Barbatuques) que é amigão nosso até hoje e toca com o Flavio”. A banda era formada por sete estudantes e, afora Flávio e Maurício, ninguém seguiu o rumo da música. Pergunto a Lara se há gravações do grupo em áudio ou vídeo. “Isso foi em 2000-2001, os celulares não tinham câmera e a gente nunca gravou nada. Ficou só na memória”.

A escolha pelo curso de Artes do Corpo não foi inteiramente sua. “Na verdade, eu queria fazer Artes Plásticas, mas não passei. Aí minha mãe falou que alguém falou que Artes do Corpo era legal”, relembra, aos risos. “Sabe aquelas coisas? Você tem 17 anos e não sabe o que quer fazer da vida?” Mas Lara e o curso se deram bem, e ela credita aos professores uma mudança em sua forma de pensar e ver o mundo. Fazia-se a transição entre o universo adolescente e o mundo adulto. Lara acabou largando o curso no terceiro ano. Entre outros motivos, havia o medo de subir no palco, um receio que ela carregava desde garota e que foi ficando mais forte conforme o curso foi chegando ao fim. “Isso era um problema pra mim. Eu pensava: se eu trabalhar em uma peça e tiver que subir ao palco todos os dias, eu não vou aguentar”. Foi fazer Cinema na FAAP, onde formou-se em 2008. Chegou a abrir uma produtora com um amigo e trabalhou em outros lugares, sempre editando séries e documentários para a TV. Embora seja uma apaixonada pela sétima arte, esta nunca lhe soou a profissão dos sonhos. “Eu fui cursar Cinema meio que numa ideia de ‘é a arte que junta todas as artes que eu gosto, eu vou me dar bem nisso’. Queria passar a vida atrás das câmeras, mais especificamente na ilha de edição. Eu adoro ficar sozinha”.

Dias depois do casamento de Fábio e Belisa, fui ao Serralheria ver o show de Lara & os Ultraleves, última atração de uma noite que começou com Mojo Workers e a estreia nos palcos da banda funk Black Mantra. Era sábado e a casa estava cheia. Por volta da 1h, Lara e a banda subiram ao palco. Duas ou três músicas depois, eles já tinham transformado a pista do Serralheria em um clube de dança dos anos 50. Lara parecia à vontade no palco e dançava confortavelmente. Mas pouco se dirigia ao público - e algo parecia travá-la no último segundo de seus movimentos, como se ela não conseguisse se soltar completamente. Lembro de vê-la depois do show conversando com pessoas que não conheciam a banda, e tinham gostado do que ouviram, e Lara me pareceu mais à vontade com aqueles estranhos do que no palco. Na sala de seu apartamento, quase um ano depois, ela confirmou minhas impressões. “Eu não sou uma pessoa tímida, eu me viro bem em ambientes sociais. Mas nunca tive o lado exibicionista que tinham meus colegas de Artes do Corpo, por exemplo; são pessoas que sempre ficam felizes quando podem subir no palco. Para mim, é o contrário: por que está todo mundo me olhando?. Eu entrava em pânico. Lembro que quando era pequena, fazia com muita dificuldade aqueles shows de escolinha de música. Na época da Kailash, eu bebia para ficar mais tranquila no palco. Uma hora eu pensei: não posso fazer isso, vou vir uma cantora alcóolatra... (risos)”. Esses 2 anos com os Ultraleves e o fato de ela ser a figura principal da banda ao vivo estão ajudando Lara a suplantar mais essa insegurança. “Por estar fazendo algo em que acredito, é mais fácil. Principalmente por estar cantando, meu foco fica muito na música e o resto eu deixo em segundo plano. É hábito e confiança”, ela diz, para depois baixar a guarda. “Mas, olha, se desse para fazer como antigamente, em que as cantoras ficavam gravando no estúdio e não precisavam fazer shows, seria o máximo...”. Brincadeira à parte, ela já mira o próximo desafio. “Conversar. Estou aprendendo a contar histórias em cima do palco”.

O lançamento do primeiro disco da banda deve gerar uma inédita demanda de shows para os Ultraleves, e Lara certamente terá chances de tornar o palco um lugar mais amigável. Agora, ela anda preocupada em por o álbum no mundo. A banda está acabando de arranjar as músicas e deve entrar em estúdio em breve. O disco sairá em formato digital, CD e possivelmente vinil. Ainda sem título, o álbum também deve mostrar os Ultraleves voando sobre territórios musicais desconhecidos. “Será diferente do que fazemos no palco. Não vai ser tão blues, nem tão soul. Nós fazemos música brasileira, né? Temos que trazer outros elementos. Meus amigos dizem que eu sou uma pessoa totalmente mutante. Acho que a banda reflete um pouco isso. Estou sempre me transformando, e eu acho que isso é bom. Quando lançarmos o disco, vai mudar muita coisa pra gente. Vai ser um momento de conclusão de um ciclo, e de abertura de outro”, reflete.

São quase 14h e Lara precisa sair. Ela tem um almoço marcado com a cantora Camila Garófalo. É um dos encontros que costuma fazer com outros músicos para falar sobre o mercado, dividir soluções, especular parcerias em comum. Ela também se reuniu com Vinicius Calderoni (do grupo 5 a Seco) e com Irina Bertolucci (da banda Garotas Suecas), além dos antigos parceiros Flavio Tris e Dudu Tsuda. “É ótimo compartilhar angústias e projetos. Diminui a solidão do artista e dá uma sensação muito boa de companheirismo. Eu acredito que a gente pode se ajudar, não precisa ficar brigando por um lugar ao sol”, explica. Lara levanta-se do sofá, leva as xícaras vazias de café até a cozinha. De repente, vira-se para nós como quem está esquecendo de algo muito importante. “Gente! Não podemos esquecer de tirar uma selfie para eu postar no Facebook da banda!”.

*** arte | belisa bagiani fotos do casamento, ensaio e Lara em casa | gustavo kamada fotos da banda e de Lara na gravação do clipe | divulgação
Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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