Entrevista: Marc Ford e Rodrigo Lopez

Um café com Marc Ford, ex-Black Crowes, e Rodrigo Lopez, do République du Salém.

O encontro estava marcado em uma redação de revista de moda. O dia de Rodrigo Lopez, músico do République du Salém, e de Marc Ford, guitar hero mais conhecido por ter feito parte da banda Black Crowes, além de ter acompanhado nomes como Ben Harper e possuir uma bem sucedida carreira solo, estava puxado; e não era à toa: o dia seguinte marcaria o lançamento do novo disco do grupo, produzido pelo americano.

Divulgar um novo trabalho não é uma tarefa fácil: promoções, entrevistas, participações na trinca TV-rádio-internet, etc, enfim, todos gostam de uma novidade e, principalmente, de um encontro inusitado como esse. Tanto é que, outra equipe, antes do Azoofa, já esperava o par com a ansiedade tão merecida.

Chegaram. O brazuca e o gringo, conversando com uma intimidade de velhos amigos. Nos apresentamos – com certo constrangimento, afinal não é todo dia que trocamos ideia com um Black Crow – e logo fomos presenteados com o ainda inédito CD. Combinamos que faríamos o bate-papo – eu e o fotógrafo Gustavo Kamada – logo após a primeira entrevista marcada. Mas o dia para os dois estava puxado (vide primeiro parágrafo) e Rodrigo perguntou:

–  Ainda não comemos, podemos conversar em algum lugar que tenha comida?

–  Claro, tem um café (não vou fazer propaganda) aqui perto, podemos comer algo por lá.

– Hum, mas acho lá não vende cachaça...

– É, acho que não...

Entramos em acordo que uma padaria ali perto poderia salvar nosso problema.

Aguardamos pouco e logo estávamos juntos novamente, de saída da editora, rumo ao local combinado. Chegamos e, para nossa surpresa, nem cachaça e nem cerveja eram vendidas na padoca. Mas já que estávamos lá, um café e um pão de queijo para cada músico deu conta do recado momentaneamente, enquanto fazíamos a entrevista. O bar ficou pra depois.

*O terceiro ponto de encontro, onde finalmente encontraríamos bebidas etílicas, também não rolou. Estava lotado. Mas tudo bem, isso não impediu o Azoofa de ganhar uma palhinha exclusiva de Marc Ford e seu violão na escura esquina das ruas Costa Carvalho com Marcos Azevedo.

Sem mais delongas, segue o papo:

AZOOFA - A banda já tem tem estrada, 4 anos e 1 disco lançado,  o bem sucedido O Fim da Linha não é o Bastante, de 2013. Ele foi, inclusive, pré-indicado a dois Grammys latinos. Porque a mudança do português para o inglês? Foi dedo do produtor?

Rodrigo - Legal você perguntar isso. Optamos por mudar porque temos buscado direcionar o nosso som também pra fora do Brasil. Nosso primeiro disco foi em português e o rock é um estilo musical abrangente, mundialmente é um dos estilos mais conhecidos. Teve um pouquinho de influência do Marc no sentido de direcionamento do trabalho. Queremos dar esse passo, estender isso pra fora do Brasil através desse trabalho. Por isso optamos em gravar em inglês.

Aliás, o Marc foi o responsável pelas influências de blues estarem mais evidentes, agora, no segundo disco?

Um pouco. Tocamos durante a turnê do primeiro disco e nos descobrimos, ao vivo, uma banda com muito mais influências de blues e blues rock. O Fim da Linha não é o Bastante foi um disco bastante influenciado por hard rock. Escutamos bastante coisa legal, influências do Brendan Duffey, nosso primeiro produtor. Mas, em relação a isso, Marc é uma das nossas maiores referências, com o Black Crowes, com o Ben Harper. Bandas como Led Zeppelin, como Funkadelic, James Brown, rock dos anos 70 também. Acabamos adentrando mais no lado blues da banda, algo que não tínhamos explorado tanto no primeiro disco. 

Como se deu o encontro entre o Marc e a banda? 

Marc - Foi ótimo!

Rodrigo - Eu mandei um e-mail 3 anos atrás. Nós tínhamos acabado de lançar o nosso álbum de estreia e continuamos conversando nos dois anos seguintes, pensando em como fazer isso (esse encontro) acontecer. Nós pedimos a ele para escutar o disco e dizer o que achou. Em um momento, Marc nos disse que caminho nossa música deveria seguir. E acabou com ele produzindo nosso disco. Conversamos bastante, checamos as agendas e voamos para Long Beach para gravar o disco.

Marc, você vem trabalhando também como produtor desde 2007, quando começou com Pawn Shop Kings e Ryan Bingham. Pegou gosto pela coisa? Está produzindo algum outro álbum no momento?

Peguei o gosto, sim, porque eu posso utilizar todas as coisas que eu aprendi ao longo dos anos. Nesse exato momento não estou produzindo nada, gostaria mesmo é que alguém produzisse alguma coisa minha (risos).

Você tocou em muitas bandas e com muitos artistas. Como os seus anos de bagagem como músico te influenciam na hora de produzir um disco?

Você sempre aprende alguma coisa toda vez que produz música, especialmente quando está gravando um disco. Eu assisti muitos produtores trabalhando e prestei atenção em como as coisas são feitas. Assim, pude usar todas essas ferramentas que adquiri com meu trabalho. Mas eu não poderia produzir uma banda cujo som eu não entendo. 

Que projeto, como músico, mais te realizou até hoje?

Obviamente The Black Crows foi a maior banda, e de maior sucesso, que integrei por um maior período de tempo. Foi uma porta que se abriu pra muitas outras coisas.

No show, vocês tocam músicas do repertório da République Du Salém e do Marc Ford. Podemos esperar alguma surpresa?

Rodrigo - Vamos tocar músicas do novo álbum e músicas da carreira solo do Marc. Mas estamos trabalhando em coisas novas, faremos alguns covers, de rock e de blues. Mas quem quiser saber os detalhes, vai ter que aparecer no show para conferir!

Marc - E há rumores de que James Brown vai comparecer!

Rodrigo, você pode escolher uma música do disco? 

Pergunta difícil. Eu gosto muito da música “Into the Silence”.

Por que?

Porque foi uma música incomum pra gente. É uma música de quase 8 minutos e foi meio que a última viagem do álbum. Ela foi mais trabalhada. A gente deixou pro fim e saiu de uma forma mais espontânea. Acho que ela fecha o disco de uma forma legal.

Marc, você pode escolher uma música do disco? 

(Longa pausa) Hum... na verdade, não.

Complicado...

Sim. “I Will Wait For You” foi bem divertida... “Take The Risk” deu muito certo. Acho que são as duas mais diferentes e que as pessoas vão gostar bastante de ouvir.

Marc, apesar de você ter uma carreira muito ampla, impossível não falar do Black Crowes. O fato de ter tocado na banda deve ter aberto muitas portas pra você, mas há sempre um lado negro no showbizz que quem está de fora não entende. O que fazer parte da banda te trouxe de melhor? E de pior?

Bem, como eu disse, a banda é muito popular e pude tocar em diversos álbuns ótimos, que as pessoas adoram ouvir, então por causa dessa história, consegui fazer outras coisas. Por outro lado, quando muitas coisas são dadas à garotos jovens, eles ficam loucos.

Se rolar uma nova reunião do Black Crowes, podemos esperar você como o guitarrista? 

(Marc dá de ombros) Eu não sei, se eles me convidarem... 

Fiquei sabendo que seu filho também é músico. Vocês estão planejando alguma turnê ou gravações? 

Fizemos uma turnê no ano passado e ele participou do meu último álbum. Ele simplesmente ama fazer música. Então vamos ver o que acontece, eu adoro ter ele por perto, é um cara legal! (risos)

***

Quem escreveu
Daniel Branco

 

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