Azoofa Indica: VRUUMM

Numa espécie de ensaio aberto misturado a estratégia de captação de recursos, desde fevereiro a banda VRUUMM toca religiosamente uma vez por mês na Vila Madalena. Nestes shows, toda a grana arrecadada em cervejas e vendas de discos, camisetas e adesivos ajuda a financiar o lançamento do primeiro disco da banda instrumental paulistana idealizada por Anderson Quevedo e formada por ele, Mauricio Orsolini (teclados), Marcelo Lemos (guitarra), Fernando Freire (baixo), Ricardo Cifas (bateria) e Nico Paoliello (bateria).

Anderson Quevedo é um dos nomes da nova cena instrumental da cidade que vem atualizando o gênero e aproximando-o do público. Não à toa, o músico participa ativamente de gravações e shows do Bixiga70, Criolo e Trupe Chá de Boldo, dentre outros. Inspirado por esse momento de renovação, Anderson começou a compor temas com referências diversas, que vão do rock aos ritmos africanos, e sofrem influência direta da cultura cosmopolita da cidade, em especial a arte urbana ligada ao hip-hop e ao skate.

Há 9 dias do fim da campanha de financiamento coletivo e com 65% da meta atingida, o VRUUMM volta a tocar na Vila Madalena (Rua Aspicuelta, 366) neste domingo (06), a partir das 18h, em mais uma apresentação gratuita. Com single previsto para ser lançado em setembro e disco saindo até o final do ano, a banda já tem shows fechados até o final do ano, em turnê que deve passar por São Paulo, Jundiaí e Buenos Aires.

Com exclusividade para o Azoofa, Anderson Quevedo explica o conceito do VRUUMM, reflete sobre o novo momento da música instrumental e justifica os inúmeros projetos em que está envolvido atualmente. "Músico não pode ficar parado".

AZOOFA: Anderson, você deve e ainda vai responder muito essa pergunta: da onde veio o nome VRUUMM?

Anderson Quevedo: VRUUMM é uma homenagem ao disco VROOM VROOM da banda de rock progressivo King Crimson, uma das nossas bandas favoritas.

Esse lance de subverter a imagem que se tem da música instrumental... qual é essa imagem exatamente? E o que você, através do VRUUMM, propõe de diferente?

A música instrumental, no Brasil e mais especificamente em São Paulo, ainda é vista como “coisa de velho”, sinto que as pessoas ainda tem uma certa resistência em curtir um som instrumental, tem dificuldade em entender porque não tem letra. O nosso trabalho com o VRUUMM é mostrar que todos podem gostar, dançar e curtir ao som da música instrumental.

Como viver em São Paulo influencia a sua forma de pensar e criar música?

Ah, completamente! São Paulo é uma cidade do mundo, então, musicalmente, temos a oportunidade de conhecer muitos estilos e linguagens apenas passeando pelos bairros mais tradicionais da cidade.

Como é teu processo de composição? E o que te inspirou a criar as canções que estarão neste primeiro disco?

Não tenho um processo de composição. Às vezes, elas aparecem fácil e outras demoram meses para concluir. Bom, tudo me traz inspiração, desde ao passeio com o dog pelo bairro, como um rolê de skate com amigos, a música está viva e por todos os lados, basta estar aberto.

Como rolou a escolha do Mauricio Orsolini, Marcelo Lemos, Fernando Freire, Ricardo Cifas e Nico Paoliello para integrarem o projeto contigo? E esse lance de ter 2 baterias?

Isso foi muito fácil! Eu queria montar uma banda de amigos. E o lance de ter 2 baterias foi um acidente de percurso!

Bandas como o Bixiga 70, a São Paulo Ska Jazz ou a OBMJ vem fazendo sucesso aqui em São Paulo tocando musical instrumental. Como você analisa essa aproximação entre o gênero e o público da cidade?

Apesar da crise, (risos), ainda existe um público sedento por novidade e as bandas que citou oferecem isso as pessoas. Antigamente, a música instrumental era tocada para as pessoas dançarem, se divertirem, nas festas públicas e privadas, nas ruas... sinto que estamos trazendo esse aspecto de volta e é isso que atrai o público.

Como rolou a oportunidade de ter o álbum mixado e masterizado pelo Nick Graham-Smith?

Eu o conheci através da banda Garotas Suecas, do Fernando e do Nico. Nick produziu o “Feras Míticas”, disco que participei gravando sax e escrevendo arranjos. E a partir daí foi questão de tempo para chamá-lo. Ele literalmente acompanhou todo o processo da banda, então foi fácil escolher quem chamar.

Como está sendo a experiência do financiamento coletivo? Como rolou a escolha das recompensas?

Está sendo muito bacana! Essa semana chegamos a marca dos 54% captados! A escolha das recompensas foi simples também. O objetivo é prensar o CD, logo essa tem que ser a primeira recompensa, e como já fabricamos nossas próprias camisetas, moletons e adesivos, foi questão de encaixar os produtos de acordo com um valor pré-estabelecido - e claro, vamos criar uma nova estampa exclusiva da campanha.

Há 7 meses vocês organizam uma festa com o objetivo de arrecadar fundos para o projeto. Parece uma saída interessante para atrair o público (assim ele tem várias chances de contribuir) e, de quebra, vocês ainda ensaiam. É mais ou menos isso? Como tem sido a experiência?

Sim, basicamente é isso. Essa está sendo a melhor das experiências porque temos um local muito bonito e agradável para receber as pessoas, mostrar nossa música, vender nossos produtos e, mais do que isso, temos a oportunidade de amadurecer nosso show em tempo real na frente do público! Isso é sensacional!

Por fim: você já lançou disco com o Anderson Quevedo Quarteto e fez inúmeras participações em discos alheios e outros projetos. Além do VRUUMM, o que você anda fazendo profissionalmente no momento?

Atualmente tenho produzido outros projetos pessoais meus, o Ensemble Cayowaá e El Qué Trio, faço trabalhos freelance com as bandas Trupe Chá de Boldo e Bixiga 70, participo de shows com artistas como Criolo e Otto, esse ano gravei um disco do João Donato (Donato Elétrico) que será lançado em breve, enfim. Músico não pode ficar parado, não é mesmo?

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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