Azoofa Indica: Festa de 1 ano da Banca Tatuí

O que é possível fazer com uma banca de jornais desativada? Duas ideias: transformá-la em um espaço destinado a publicações independentes e usar o teto como jardim e palco para shows. Parece uma grande viagem... e é. Essa banca existe, chama-se Tatuí e comemora neste sábado 1 ano de existência com uma festa na calçada - outra marca do lugar que fica na Barão de Tatuí, 275, na Santa Cecília. Saiba mais sobre o evento.

Neste primeiro ano, a maioria dos lançamentos promovidos pela banca vinham acompanhados de um show no teto. Artistas como Bela & Mica, Tika, Pipo Pegoraro, Camila Garófalo, Charles Tixier, Serapicos, Paulo Neto e Joan Barros, Luiza Lian e Juliano Abramovay passaram por lá. O evento deste sábado terá show do grupo Zé Pereira, formado por Felipe de Paula (voz e guitarra), Felippe Rodrigues (voz e bateria) e Lucas Pierri (voz e baixo) e lançamento do livro "Lululux", da editora Lote42, cujos sócios, João Varella e Cecilia Arbolave, também são idealizadores da banca.

João, aliás, foi quem teve a ideia - meio sem querer, segundo ele - de transformar o teto num palco. "Em casa, eu estava assistindo ao "Through the Never", do Metallica. Aquela apresentação cheia de efeitos especiais me fez pensar nas apresentações mais simples ou de bandas que nem faziam shows", diz. Para Felipe de Paula, realizar uma performance neste palco será marcante. "Uma coisa é certa: tropeçou é lona", brinca. "Será a experiencia mais desafiadora e bacana deste ano, não só por tocar no teto da banca, mas também fazer parte das comemorações dela".

O Azoofa conversou com João Varella e com Felipe de Paula sobre a festa deste sábado, lista de melhores discos do ano e outros assuntos. Confira:

AZOOFA: João, como estão os preparativos para a festa de sábado? O que vocês estão organizando?

Estamos muito animados e naquela tradicional correria. Vamos ter gente bacana, livro novo, bolo, bolhinhas de sabão, poesia e, claro, o show no teto da Banca Tatuí.

Como você avalia esse primeiro ano da Banca? 

A Banca Tatuí cumpriu seu papel de ajudar a disseminar cultura, em especial a produção independente. Já temos leitores que visitam recorrentemente a banca, turistas que estão em SP e não perdem a oportunidade de conhecer. Enfim, um primeiro ano que ajudou a estabelecer a proposta da Banca Tatuí.

Sobre os shows no teto da banca: como surgiu essa ideia?

No meio da reforma, o engenheiro nos falou que o teto passou a aguentar 1 tonelada de peso (a ideia inicial era ter um jardim lá em cima). Aí em casa eu estava assistindo ao Through the Never, do Metallica. Aquela apresentação cheia de efeitos especiais me fez pensar nas apresentações mais simples ou de bandas que nem faziam shows. Lembrei dos Beatles, que no final da carreira largaram os palcos. E para fechar a conexão, recordei o Apple Rooftop Concert. Pronto, foi a deixa para fazer do teto da banca um palco.

Eu fui ao show da Camila Garófalo e lembro que depois de umas quatro músicas a polícia chegou junto e o som teve que ser desligado. Isso aconteceu em outros shows?

Sim, em todos!

Os shows acontecem sempre dentro de eventos literários, como os lançamentos e sessões de autógrafo, mas acaba virando uma verdadeira festa de rua, gratuita e democrática. Isso está em consonância com um desejo de parte dos cidadãos paulistanos, de ocupar as ruas com atividades culturais, e que amplia a “função” da banca para além de um espaço dedicado às publicações independentes. Como vocês enxergam esse aspecto da banca?

É serendipity pura isso que você se referiu. Concordo com tudo o que você escreveu e acrescento que a música sempre teve uma conexão muito próxima com a cena de publicações independentes. Desde os 1960, quando a capa do disco passou a ser parte integrante do álbum, passando pelos zines do punk e os manifestos impressos da volta feminista dos anos 1990, a ligação sempre foi muito direta. Parece até que foi um caminho natural essa questão do palco.

A Lote42 já editou livros de música, vocês promovem shows na banca... Qual é a relação de vocês com a música?

Música é um bom vício e uma frustração. Um bom vício porque não há dia em que a gente não passe sem ouvir ao menos uma música. Frustração porque eu bem que tentei tocar violão, mas não rolou.

Em dezembro sempre rolam listas de melhores discos/músicas do ano. Qual foi o álbum ou canção que marcou teu ano?

"Trupe Chá de Boldo - Presente" foi o álbum do ano. Se for para escolher um de banda internacional, colocaria o do Hot Chip e o Alabama Shakes, mas acho ambos inferiores ao da Trupe. Canção eu gosto de Protetora da Luiza Lian, que também fez um ótimo álbum.

*

AZOOFA: Que tal a experiência de tocar no teto da banca?

Felipe de Paula: Uma coisa é certa: tropeçou é lona (risos). Será a experiência mais desafiadora e bacana deste ano, não só por tocar no teto da banca, mas também fazer parte das comemorações dela. Somos uma banda que está há menos de um ano em atividade e esse show vai ser mais um bom indicador de que estamos no caminho certo.

Quando e como surgiu a banda?

Na realidade surgiu de uma maneira bem despretensiosa. Eu e o Felippe nos conhecemos no carnaval do ano passado e junto com o início da amizade veio também a vontade de fazer um som. O Fê me mostrou um esboço do “Arrocha” e a conclusão da música foi o ponto de partida pro começo da banda. Quando estávamos arranjando as músicas o Lucas apareceu, com ideias e o peso que faltava!

Vocês lançaram uma demo este ano com duas faixas, “Arrocha” e “Boazinha”. Pretendem lançar um álbum logo mais?

Queremos muito! Esse ano gravamos "Arrocha" e "Boazinha" de maneira totalmente independente, quase que caseira. Lançar um álbum no próximo ano está nos planos, com certeza, seja por edital, financiamento coletivo ou com recursos próprios. As ideias pro álbum já estão no forno, e logo mais ele chega.

No show da banca, vocês vão mesclar canções autorais com intepretações de músicas de outros compositores. Quais são as influências do grupo e quais versões vocês estão preparando?

A gente traz como referência bem forte o norte e o nordeste. Mas temos os olhares de quem vive em uma grande metrópole, todos os seus personagens e nuances nos marcam de alguma forma. As bandas daqui também são influência pro nosso som, gostamos muito das coisas do pessoal do Metá Metá, do Bixiga 70, Curumin... No show costumamos tocar "Sinhá Pureza" do Pinduca, e também "Rapunzel", que foi eternizada pela Daniela Mercury. Um dos pontos altos do show é quando a gente toca "Carcará", do João do Vale. A galera sempre vibra bastante.

Vocês definem a banda como “música popular na sua essência mais pura”. O que exatamente isso significa?

Para gente, é tocar música popular brasileira utilizando os estilos de referências como o carimbó, axé, guitarrada. Mas definir um som é sempre difícil. Essa foi a maneira que encontramos de dizer que a gente faz um som que não tem preconceitos e nem é só para um tipo de público.

Alguns artistas de destaque da atual produção musical brasileira são vistos como excessivamente experimentais, como se tivessem medo do popular. Como vocês enxergam isso?

Esse assunto é delicado, parece até que ser popular virou sinônimo de fazer musica ruim... (risos). A gente vive uma fase em que tudo precisa ser rotulado, e talvez por essa necessidade de fugir desses rótulos os artistas tendem a ser vistos como experimentais.

Em dezembro sempre rolam listas de melhores discos/músicas do ano. Qual foi o álbum ou canção que marcou o ano de vocês?

Lucas: Vou de “Waves of Brazil”… É um vaporwave com funk brasileiro

Felippe: O álbum “Mulher do Fim do Mundo” da Elza Soares, carregado de intensidade, desconstrução e poesia.

Felipe: Fiquei bem empolgado com o clipe da música “Vou Parar de Beber” do André Whoong. Mas com certeza o disco que me acompanhou o ano inteiro foi “De Baile Solto”, do Siba.

***

arte | belisa bagiani

foto camila garófalo | fernanda martinez e danielle bello

foto serapicos | camila pastorelli

foto banca | ángela león

foto bela & mica | george leoni

foto banca luzes | troublemakers photography

foto zé pereira | divulgação

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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