Os melhores discos de 2015

2015 já ficou pra trás, mas as incontornáveis listas de melhores discos do ano, não. Por isso, cá estamos nós, em pleno janeiro, apresentando a nossa. Como se sabe, na maioria das vezes, essas listas são formadas a partir da opinião de jorna(listas) especializados. Mas aqui no Azoofa, a gente resolveu mudar um pouco essa regra e, desde o ano passado, nossas listas são feitas por profissionais fundamentais para a roda da música girar: assessores de imprensa, produtores culturais, fotógrafos, radialistas e, claro, jornalistas.

Cada um dos participantes foi convidado a responder uma única pergunta: qual foi o melhor disco de 2015 e por que? Valia álbum nacional e internacional; valia responder mais de um também, claro, porque música é emoção, e às vezes o coração não é o melhor jurado.

Com vocês, os melhores álbuns de 2015 segundo essa turma que respira música.

Melhor disco de 2015: Bidê ou Balde - Gilgongo

Por que? "Talvez a minha paixão por rádio tenha feito o último disco da Bidê ser tão especial pra mim. A experiência é exatamente a de ouvir um programa de rádio, com a Katia Suman, uma das vozes mais importantes do rádio gaúcho, conduzindo o disco entre músicas novas, participações, covers e até receitas, tudo com o característico bom humor da banda. E além disso, as músicas são sensacionais, como um cover de Graforreia Xilarmônica, a já querida A La Minuta, produzida pelo Edu K, e o ótimo folk Fazer Tudo A Pé."

Melhor disco de 2015: Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo

Por que? "Não foi difícil escolher o disco que mais me marcou em 2015. Em agosto quando o Lencinho, companheiro de trabalho no Circo Voador me mostrou a música "Maria da Vila Matilde", confesso que fiquei paralisada. Foi como um soco no estômago escutar uma das cantoras que mais admiro bradar contra a violência doméstica, em tempos que a discussão sobre os direitos da mulher estão sendo amplamente discutidos e reivindicados. Fiquei emocionada!

Visceral, apocalíptico e brutal são adjetivos que escolho para descrever "A Mulher do Fim do Mundo". O disco é emocionante do início ao fim, sem falar no show, que tive a honra de assistir. Aos 78 anos de idade, Elza  mostra porque é uma das maiores cantoras do Brasil e resume sua missão nesse planeta bradando no verso de A Mulher do Fim do Mundo: "Eu vou cantar até o fim...Me deixem cantar até o fim". As 11 faixas inéditas do álbum narram sua árdua trajetória de vida com letras e arranjos pungentes.

O grupo de músicos paulistas que acompanham Elza também é responsável pela renovação da cantora e o sucesso das músicas. A bateria do produtor e baterista Guilherme Kastrup, as guitarras nervosas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, passando pelo baixo de Marcelo Cabral, dá o tom de brutalidade e vanguarda no disco".

Melhor disco de 2015: Villagers – Darling Arithmetic

Por que? "Tenho uma queda especial pelos irlandeses graças ao Glen Hansard, e essa aqui foi uma daquelas descobertas que o canal La Blogothèque sempre me dá de tempos em tempos. Conheci o Villagers há alguns anos e recomendo todos os álbuns, mas o "Darling Arithmetic", terceiro disco da banda, tem o poder de acalmar a alma nos dias agitados.

A voz calma e aconchegante do vocalista Conor O'Brien parece que te abraça, o que se mantém em todas as músicas do álbum. A impressão é que estamos escutando um pocket show na casa de alguém - não por acaso o disco foi todo feito na própria casa de O'Brien, em Dublin. Torcendo para que eles venham ao Brasil em breve. Comece pela "Hot Scary Summer" e "Courage".

Melhor disco de 2015: Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo

Por que? "O cenário de 2015 é nacional, e é das mulheres! Como não citar Guelã, terceiro disco de Maria Gadu, trabalho experimental que atinge uma maturidade com sonoridade totalmente nova. A guitarra ecoa em nossos ouvidos! Ou então, como não falar do encontro entre as composições do artista plástico Nuno Ramos e a voz e estilo particular de Mariana Aydar? Um universo poético de sambas tristes, como a própria cantora define, que surge intenso nas guitarras, violões e claro, nos tambores de ritmos afro brasileiros em "Pedaço duma Asa". Sonoridade densa que entra pelos poros!

Mas o álbum do ano, ah... Esse vai para "A Mulher do Fim do Mundo". Ela. ELZA SOARES! Essa diva do cenário musical brasileiro, 78 anos, 34 álbuns, com seu disco de inéditas composto pela trupe da vanguarda musical paulistana. A mulher do fim do mundo e os caras que estão dominando o mundo! Guilherme Kastrup, e toda a trupe, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Romulo Froes, Rodrigo Campos, Celso Sim, Felipe Roseno, em um trabalho fenomenal. Letras que trazem à tona o caos em que vivemos, em arranjos distorcidos numa mistura de sonoridades: samba, rap, rock, com batidas eletrônicas. Álbum que traduz também toda a ousadia dessa mulher com suas décadas de estrada. É assim.  Simplesmente apocalíptico. E que a deixem cantar até o fim..."

Melhor disco de 2015: Rodrigo Campos - Conversas com Toshiro

Por que? "Eu estava em São Paulo a trabalho com Fernanda Takai, quando o baterista de sua banda solo, Lenis Rino, me convidou para a audição do novo disco do Rodrigo Campos. Eu, que nunca tinha participado de uma audição, achei que poderia ser uma experiência interessante. E como foi...

Pegamos um trem em São Mateus com destino a Nagoya. Toshiro comanda a viagem nos guiando com sua música delicada e instigante. Ele conversa, nos apresenta, se transforma e nos transporta para dentro de personagens de um universo nipo-imaginário fantástico. Uma recomendação indispensável para quem nasceu no samba, mas adora mergulhar em novos universos sonoros. Acredite, o Japão não é um lugar tão distante. Gokigen yo sayonara!".

Melhor disco de 2015: Emicida - Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

Por que? "Para o lirismo já afiado de Emicida decolar faltava, talvez, uma ponte mais direta com algumas convenções da canção. O que, de maneira alguma, seria um passo em falso. Ao contrário: era uma tomada de consciência em se apropriar ao máximo da linguagem. E, para isso, a visita a África selou um entendimento mais amplo sobre a derivação estética e ancestral. Não é sobre o gueto que Emicida nutre seus versos, mas essencialmente sobre a formação de um povo, ainda vitimado pelo preconceito racial, social e econômico. Apesar da dureza temática, há o groove que dissipa a tensão, a narrativa que envolve e a poesia pop que lava a alma, "tipo passarinho/ soltos a voar dispostos/ a achar um ninho/ nem que seja no peito um do outro".

Melhor disco de 2015:Helio Flanders - Uma Temporada Fora de Mim

Por que? "Achei espetacular o álbum “A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares. Impressionante a produção do Guilherme Kastrup, a parte instrumental riquíssima com os arranjos cheios de instrumentos e as composições super contemporâneas. A voz e a ousadia da Elza Soares casaram perfeitamente com a estética dos músicos “passos tortos", Rômulo Froes, Rodrigo Campos, Marcelo Cabral e Kiko Dinucci, que participam ativamente do trabalho. O disco é uma porrada.

Tanto quanto esse, adorei “Uma Temporada Fora de Mim”, do Helio Flanders. Sempre me chamou atenção a forma como ele imprime suas influências da música melancólica (Dylan, Nick Drake e outros) e da poesia em geral no seu trabalho no Vanguart. Nesse primeiro disco solo, ele radicaliza num álbum muito triste com melodias inspiradas ora harmônicas, ora provocadoras, e letras imagéticas interpretadas por seu canto entregue e choroso. “Dentro do Tempo que Eu Sou”, com participação de Cida Moreira, já nasce clássica.

Tanto quanto os dois, acho excelente “Fortaleza”, do Cidadão Instigado. Uma das bandas mais criativas do Brasil, eles conseguem produzir uma música com influências tão distintas quanto rock progressivo e acento musical nordestino. A guitarra de Fernando Catatau é das mais expressivas da geração. É uma banda única, de poucos álbuns e “Fortaleza” é cheio de detalhes e merece ser saboreado aos poucos".

Melhor disco de 2015: Zé Pi - Rizar

Por que? "Em seu disco de estreia, Zé Pi fala dos (des)amores em meio a arranjos belíssimos e uma produção certeira de Gustavo Ruiz. Forma e conteúdo ora se afastam, ora se aproximam, mas sempre se complementam. Assim, letras por vezes melancólicas ganham melodias dançantes. E, hoje, diante de tantas músicas soltas (ouvidas, baixadas e compartilhadas isoladamente), 'Rizar' faz lembrar a potência que pode ter um disco quando ele é mais que um apanhado de canções. 'Rizar' é uma obra. Uma obra carregada de delicadeza e verdade".

Melhor disco de 2015: Siba - De Baile Solto

Por que? "O disco é a reserva moral da música brasileira. Simples assim!"

***

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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