Azoofa Indica: Rael

Num clima de celebração, Rael sobe ao palco do Cine Joia, amanhã, acompanhado de Mano Brown, Rodrigo Ogi, 5 pra 1, Lou Piensa (Canadá) e BNegão. O show faz parte da turnê "Diversoficando" - nome do EP lançado pelo músico no ano passado - saiba mais.

Segundo Rael, a escolha dos nomes se deu pela admiração do rapper por seus pares. Mano Brown, por exemplo. "Ele é o maior MC do Brasil", diz. E BNegão? "Conheci ele em 2013. Ele sempre tranquilão, várias ideias monstras".

O repertório vai trazer desde músicas da seminal banda Pentágono até as faixas de "Diversoficando", passando, é claro, pelas canções de "Ainda Bem Que Segui as Batidas do Meu Coração" e "MP3 - Música Popular do Terceiro Mundo". Certeza também é a presença de uma ou outra versão para Bob Marley, Jorge Ben, o que Rael chama de "momento de mostrar as influências no palco".

Com exclusividade para o Azoofa, Rael comenta nesta entrevista sobre a escolha dos convidados para o show, a força de ter uma música tocando na rádio e explica qual é o segredo do sucesso da Laboratório Fantasma.

Rael, como surgiu a ideia de fazer 2 shows com convidados diferentes?

Rael: A ideia surgiu pela vontade de fazer uma noite de celebração com pessoas que admiro e que sou fã, e pra começar o ano daquele jeitão, trabalhando, movimentando uma cena em um final de semana em São Paulo. Dia 31/01 teremos como convidados Mano Brown, Rodrigo Ogi, 5 pra 1, Lou Piensa (Canadá) BNegão, a abertura de Coruja BC1 e discotecagem do DJ Nyack, enfim, a rapa toda do rap. Dia 12/03 eu terei a honra de convidar cantoras maravilhosas como a Jesuton, Anelis Assumpção, entre outras que estão a confirmar. Gosto de dialogar com gêneros diferentes, faço isso em minhas músicas.

Neste domingo, sobem ao palco Mano Brown, Ogi, BNegão, Lou Piensa, DJ Nyack (Discopedia), 5 pra 1 e Coruja BC1. Queria que você comentasse rapidamente sobre sua história com cada um deles. 

Bom, difícil comentar rapidamente desses irmãos, rs. Mano Brown é difícil até falar, né mano?! Acompanho desde o primeiro disco do Racionais. Ele é uma influência, inspiração pra mim e todos os convidados da noite, sem dúvida o melhor MC do país, no qual tenho a honra de poder colar e troca uma ideia de parça pra parça. Rodrigo Ogi é meu amigo, padrinho do meu filho, talentosíssimo, direto e reto escrevemos coisas juntos: eu, ele e o Emicida. Ele sempre está antenado, estudando flows, letras. Cara sangue bom workharolic (risos). BNegão eu sou fã desde o Planet Hemp. Comecei a conversar com ele em 2013, estávamos em turnê em Nova York e um colava no show do outro. Foi muito bacana! Ele sempre tranquilão, várias ideias monstras. De lá pra cá mantemos essa sintonia e vai ser uma honra ter ele com a gente domingo. O Lou Piensa conheci em 2009 no Canadá. Ele tem um grupo chamado Nomadic Massive, bem conhecido em Montreal, e também promove um festival lá chamado Afro Latin Soul, onde já toquei. De lá pra cá fizemos músicas juntos, ele já tocou em um show "Rael e convidados" em janeiro de 2011, e foi muito bom coincidir dele estar no Brasil pra colar com nois no show também. DJ Nyack conheci ele através do meu parça DJ Will. Ele tava começando a discotecar. Desde então vi ele crescendo, adquirindo técnicas, discos, conhecimentos. Logo depois ele começou a tocar com o Emicida e quando me dei conta já estávamos embarcando juntos num voo pra Califórnia pra tocar no Coachella. Hoje em dia ele me ensina, mostrando sons que ele foi pesquisar, moleque monstro, grande DJ! Vai deixar o baile pesadão! 5 pra 1 é um grupo pesado no qual tem o DJ Will, um grande irmão que me acompanhou de 2010 a 2014 como meu DJ. Na estrada passamos várias histórias e perrengues juntos, sintonia monstra. Talentosíssimo também, e ele junto com o Renan Saman, Filipe Neo, entre outros, formaram o 5 pra 1, no qual o DJ Will mostra também seu talento como MC. Eles lançaram um disco recentemente chamado GoodFellaz, muito bom!! O Coruja BC1 é um moleque que tá na correria, rima muito bem. O DJ Nyack me mostrou algumas coisas bem interessantes dele e acho bacana ele estar com a gente no domingo fazendo a abertura do show pra ir já climatizando o ambiente.

O repertório desse show traz canções anteriores ao Diversoficando e, claro, as músicas do EP. Como você montou o setlist dessa apresentação?

O repertório eu montei baseado nas músicas de cada convidado, tentando encaixar o clima e a temática com as músicas do meu repertório também. Então basicamente tocaremos algumas músicas do meu primeiro trabalho “MP3 – Música Popular do Terceiro Mundo”, do "Ainda Bem que Segui As Batidas do Meu Coração", do meu recente EP "Diversoficando", também músicas do "Pentágono", banda onde iniciei minha carreira, mesclando tudo isso com as participações. Também algumas influências, às vezes encaixo uns sons do Marvin Gaye, Bob Marley, The Temptations, etc.

Acho legal esse lance de vocês sempre mandarem uma música de outro artista nos shows. Faz o público imaginar as suas referências, o que você gosta de tocar em casa quando tá com os amigos... Essa é a ideia de frequentemente tirar um “cover” da manga? 

Eu já toquei em bares, em muitas festas de amigos, então às vezes eu relembro coisas que já cantei e toquei, como Djavan, Jorge Ben, Bob Marley... Quando eu tô com tempo livre em casa eu tento tirar algumas músicas nessa atmosfera mais popular. Daí às vezes vem algo que eu vejo que posso encaixar no show e penso em colocar nesse momento de influências no palco.

Algumas músicas tuas vem tendo boa repercussão em rádios. De que forma essa repercussão tem chegado até você? E como você vê a força e a relevância do rádio num momento em que o streaming, por exemplo, está ficando cada vez mais popular?

Realmente tá rolando uma aceitação boa nas rádios, acho muito bacana. É um universo novo em que estou transitando e tenho enxergado muitas respostas em questão de público, das pessoas cantando nos shows as músicas com as letras na ponta da língua. Acho que popularizou mais nas ruas, tenho sido mais reconhecido. Acho que deu uma força significativa na minha carreira. Acho que o mercado de streaming é grande e está crescendo, mas a rádio também não perdeu sua força, ela ainda é presente na vida das pessoas. Elas ainda escutam no carro, no trabalho.

Esses dias participei de um curso sobre mercado musical e fiquei impressionado como a Laboratório Fantasma é o sonho de qualquer artista ou empresário cuja produção esteja voltada ao rap. A que se deve esse sucesso e uma certa ‘idolatria’ do meio pela Lab?

Eu acho que esse meu encontro com o Laboratório Fantasma surgiu de uma necessidade, né? Se encaixa naquela frase "A necessidade faz o homem" porque no Rap há alguns anos atrás tinha muita dificuldade de entrar na rádio, na televisão, no mercado musical, para fazer show. A gente mesmo organizava tudo isso. Então com esse trabalho de nós mesmos pensarmos nos discos, organizar shows e festas, vender nossas paradas nos eventos, a gente ganhou uma resistência, uma força. Às vezes chegam algumas gravadoras e dizem: "Queremos lançar vocês!", mas já estamos fazendo toda a parada acontecer. Então esse processo foi bem natural. E é um lance de sempre surgirem ideias novas. Às vezes tô junto com o Emicida e com o Fióti trocando uma ideia e toda hora surgem coisas novas. É um lance de ser workaholic, rs, vai fortalecendo a parada.

Esse ano teremos eleições em São Paulo. Como você vê o atual momento da cidade, em termos de acesso a cultura, por exemplo? Vem melhorando? Você tem candidato?

Vejo um momento de turbulência de informações que acabam afetando os estados e municípios através da crise que estamos vivenciando, mas em São Paulo eu vejo que rolou uma gestão impactante do Haddad, mas positivamente. O lance da ciclovia, da inclusão dos travestis, das pessoas com problemas com drogas. Coisas que não paramos pra pensar, eu mesmo nunca tinha pensado: "Como um travesti arruma um trampo?". E ele conseguiu fazer essas coisas bacanas que tiveram impacto nas pessoas mais conservadoras e tem funcionado. E em relação à cultura, acho que tem acontecido bastante coisa, tem bastante shows rolando pela cidade. Ele disponibilizou os muros da 23 de maio para os grafiteiros poderem expor suas artes. Lembro quando teve a abertura do Parque Tietê que teve o show do Public Enemy, foi bacana. É difícil espalhar esse lance cultural pela cidade toda, mas o que eu tenho visto tenho achado legal. Não sei se o Haddad vai ser reeleito, mas acho que ele fez coisas bacanas.

***

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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