Entrevista: Sander Mecca apresenta seu novo trabalho, "Dia de São Nunca"

Sander Mecca. Guarde este nome! Intérprete visceral, há mais de uma década vem lapidando sua identidade na busca do amadurecimento artístico ideal, sempre na companhia de importantes músicos e compositores. Enfim, chegou a hora! Após trabalhar com teatro, trilhas sonoras e passar pelos mais diversos estilos musicais, Mecca apresenta seu mais novo projeto, cujo carro-chefe é a canção “Dia de São Nunca”, onde divide os vocais com o cantor Zeca Baleiro. O single, recém-lançado, ganhou um clipe dirigido por Alexander Wharton e será apresentado oficialmente ao grande público em show que acontece no Espaço Parlapatões, na sexta-feira, dia 4 de março, juntamente com mais doze músicas que farão parte de seu próximo disco, provavelmente produzido por Gabriel Povoas, responsável por “Dia de São Nunca” e outras duas faixas já prontas. Em conversa com o AZOOFA, o artista explicou melhor e contou mais novidades. Confira!

AZOOFA - Você é figura constante na noite paulistana, mas podemos dizer que o show do dia 04/03 é especial porque, além de marcar o lançamento do single e do clipe de “Dia de São Nunca”, mostra somente composições autorais e enfatiza o seu amadurecimento como intérprete?

Sander Mecca - Não sei se posso me considerar "figura constante na noite paulistana", mas cada ponto de vista, um ponto (risos). Na verdade, a importância desse show (pra minha carreira) é especial, pois há quase dez anos tenho garimpado em busca de um trabalho, entre shows de diversos tipos e formações de banda, com um único objetivo, encontrar minha verdadeira identidade, mesmo que transitória (importantíssimo deixar se transitar). Acho que no trabalho de um intérprete, meu objetivo sempre foi, e ainda é, encontrar minha digital, interpretar o que me sinto confortável para interpretar com propriedade. Ao longo de quase dez anos fazendo shows, peças de teatro, trilhas, passando por diversos estilos e linguagens, o momento atual é o que mais me satisfaz. No conjunto de toda a obra: repertório, estilo e estética da proposta, acredito ser o momento mais satisfatório, artisticamente falando, pra mim. Resolvi investir todas as fichas e também consegui montar uma equipe incrível em todos os setores do trabalho. Foi o embrião de "Dia de são Nunca" que me fez apostar que era o momento o qual esperava e, junto, aos poucos, os maiores e melhores agregados firmaram comigo. Tento responder a questão dizendo que depois de muitas tentativas de gêneros e experiências, achei que agora havia encontrado o que desejava. E obviamente, ao longo desta busca, no mínimo, bem amadurecido estou na função de intérprete.

Fale um pouco da história do clipe. De quem é o roteiro e quem dirigiu?

A ideia do clipe surgiu depois de optarmos por "Dia de São Nunca" como primeiro single e canção a ser trabalhada, graças ao feedback muito forte nos shows. Não tive dúvida! Além de ser a canção que eu mais "me apropriei", a reposta do público era muito boa. Quando firmei parceria com Gabriel Povoas (produtor musical da faixa), não tivemos dúvida ao escolher "Dia de São Nunca" entre três musicas que gravamos. Naquele momento, devido a verba disponível, nossa equipe optou por gravar poucas canções com extrema qualidade técnica e artística, ao invés de gravar onze ou doze com qualidade inferior. Alexander Wharton (diretor artístico e roteirista), com uma bagagem e talento indiscutível, rapidamente propôs um roteiro lindo e, sem hesitar, partimos para as gravações do clipe.

Na canção, você divide os vocais com Zeca Baleiro. Como se deu o encontro entre vocês? Estou sabendo que ele também escreveu uma música pra você. Fale um pouco dessa parceria.

O aproach com Zeca Baleiro surgiu através de um grande escritor, letrista e parceiro chamado Léo Nogueira, que desde que nos conhecemos me encantou com sua sensibilidade única para escrever letras que pareciam criadas pra mim. Perfeitas! Ele assina a composição de "Dia de São Nunca" em parceria de Marcio Policastro. Léo já era parceiro do Zeca Baleiro em diversas canções e rapidamente apresentou meu trabalho e proposta atual pra ele, que por sua vez, se interessou de pronto pela proposta. Foi nesse momento que surgiu a iniciativa do Zeca e do Léo criarem uma música especialmente para mim, chamada "Um Pária". A terceira faixa que gravamos é uma parceria minha com o Léo e o Gabriel Povoas, chamada "Assaltando Covis".

Essas canções, assim como o restante do repertório do show, farão parte do seu próximo disco de inéditas, não? Como está o processo de gravação e qual a previsão de lançamento? O Gabriel Povoas, produtor de “Dia de São Nunca”, também será o responsável pelas outras faixas do álbum?

Deixamos o Zeca Baleiro escolher qual das três ele gostaria de cantar em duo comigo e "Dia de São Nunca" foi a escolhida. No show, vamos tocar 13 canções. Gabriel Povoas nos deixou plenamente satisfeitos com seu trabalho e o próximo passo é gravar sim com o mesmo produtor e mesma estética das três primeiras, que juntamos em um EP. Quem assistir ao show dia 04/03 assistirá um show com o repertório escolhido para o disco cheio.

A banda que te acompanha é formada só por músicos “cascudos”. Apresente os integrantes e conte em que a experiência deles mais te ajuda, tanto na hora de gravar em estúdio, quanto em cima do palco.

A banda atual realmente é mais que uma banda, sinto um auxílio luxuosíssimo. Douglas Froemming (guitarrista e diretor musical do show), é a figura chave nesse projeto, pois temos um trabalho de longa data que ultrapassa quatorze anos. É o cara que se comunica comigo e vice-versa sem necessitar um olhar ou uma dica. A sintonia e intimidade artística que temos facilita absurdamente a execução de qualquer trabalho. Tércio Guimarães (teclados, piano e sopro), que já trabalhou com grandes nomes da MPB, como Zélia Duncan e Maria Bethânia, nos foi apresentado por Gabriel Povoas, nosso produtor soteropolitano. Jairo Nascimento (bateria), quem me apresentou foi o Douglas Froemming, muitos anos atrás, quando fizemos inúmeros shows juntos. No disco, quem gravou os baixos foi o próprio produtor, mas quem foi escalada pra tocar nesse show foi a Ana Karina Sebastião, famosa na cena e que traz um conjunto completo de visual, presença de palco e conhecimento musical incrível. Já trabalhou com Arrigo Barnabé e Filipe Catto.

Por que tanto tempo pra lançar comercialmente um material novo?

Lançar um trabalho comercial novamente é como degustar a melhor safra da bebida predileta. Leva tempo, cultivo e época favorável. Garanto que ao escutarem será como apreciar o melhor vinho.

Seus parceiros compositores, como Márcio Policastro, Renato Godá, Léo Nogueira, Giba Nascimento e Márcio Guimarães já estão na estrada há tempos. Da mesma forma que eles são fundamentais pra você nesse renascimento, você também acaba resgatando esses importantes nomes e colocando o trabalho deles novamente em evidência. Você concorda com isso? Como rolou a escolha, tanto dos compositores, quanto das canções?

Como disse anteriormente, neste "vinho" escolhido para apreciarmos somente agora, passaram grandes compositores e músicos geniais que tive a oportunidade de trabalhar e agregar seus melhores atributos ao longo desses dez anos, como o Márcio Guimarães (multi-instrumentista de essencial valor), que me ajudou a finalmente encontrar tal identidade, o Giba Nascimento, trazido pelo Márcio, que em minha opinião é um grande hit maker, o Vlado Lima, escritor e letrista ímpar (com sua escrita inusitada e, diria, pós-contemporânea), Rica Soares, Marcio Policastro, Renato Godá... cada um teve sua importância relevante na criação do que vamos lançar.

Podemos esperar alguma surpresa ou convidados especiais pro show?

Sim, teremos várias participações, mas prefiro deixar como surpresa. Além de todos esses que eu citei acima, pode ser até que apareça o Zeca Baleiro... surprise!

  ***
Quem escreveu
Daniel Branco

 

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