EXCLUSIVO: Black Mantra lança duas músicas autorais; ouça

Foi no dia 15 de março de 2014, na Serralheria, que o Black Mantra subiu ao palco pela primeira vez. Com repertório de versões para clássicos do funk, em especial James Brown, o grupo passou os quase dois anos seguintes se apresentando em outras casas de shows, festas e festivais com temática dançante. Agora, o Black Mantra lança suas primeiras músicas autorais.

"O Ronco do Cacuí" e "Tranca Rua" estão em um disco de vinil de 7 polegadas que será lançando no próximo dia 20, no Sesc Vila Mariana (saiba mais sobre o show). As faixas foram compostas coletivamente pelo grupo em sessões de estúdio e durante um "retiro musical", em que passaram dias numa fazenda apenas compondo e tocando os novos temas.

Idealizado pelo baixista Caio Leite e pelo baterista Leonardo Marques nos corredores do estúdio Ekord, em São Paulo, o Black Mantra é um noneto formado por Caio, Leonardo, Mateus Melo "PP" (guitarra), Marcos Guarujá (percussão), Kiko Bonato (hammond e piano) Igor Thomaz (saxofone alto), Pedro Vithor (saxofone tenor), William Tocalino (trombone) e Felippe Pipeta (trompete). Até o final do ano, a banda pretende lançar seu primeiro disco autoral, que terá outras faixas autorais e sairá em vinil de 12 polegadas.

Ouça "O Ronco do Cacuí" e "Tranca Rua" com exclusividade:

Batemos um papo com Caio Leite sobre a história do Black Mantra, o desenvolvimento do lado autoral da banda e elege as 5 músicas que não faltariam num baile comandando pelo grupo.

AZOOFA: Como que começa a história do Black Mantra?

Caio Leite: Em meados de 2012 para 2013, eu e o Leonardo Marques - baterista, meu grande amigo, sócio e parceiro de todas as horas - estávamos trabalhando no estúdio que temos, o Ekord, e fechamos uma trilha para um curta-metragem chamado "Muito, Além do Nada". Tínhamos como referência para nossa composição os filmes e as trilhas da era Blaxploitation [movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 1970. A palavra é um fusão de black ("negro") e explotaition ("exploração")]. Após um laboratório e pesquisa sobre este gênero, estilo e contexto, partimos para a execução e gravação. E foi aí que começamos a pensar na possibilidade de ter uma banda ou projeto que tocasse essas referências. Quando terminamos a trilha e o filme, começamos a chamar alguns músicos para essa briga (risos).

Desde quando vocês vem trabalhando em material autoral?

Desde o começo de 2015, começamos a compor temas e grooves com baixo e guitarra. A partir daí, passávamos ao resto da banda. Em agosto de 2015, fizemos um retiro musical na fazenda do Lê, o qual serviu para fecharmos quase um disco inteiro. Desde então, estamos compondo separadamente e em conjunto.

Como surgiu a ideia de lançar primeiro um vinil ‘7 só com duas músicas e deixar o restante do material autoral para um disco a ser lançado no final do ano?

Nossa ideia é fomentar o público, os DJ's e as pistas com essas duas músicas. Acompanhado delas, estamos com um show novo que será inteiro autoral. A ideia também é amadurecer nossas músicas nos shows com o público. Daí gravá-las e lançar em mais um vinil, este de 12”.>

Vocês costumam tocar em casas de São Paulo e região, com shows com repertório de versões. Tem até um show em homenagem a Amy Winehouse. Vocês pretendem mantê-los depois do lançamento autoral?

Desde o início, eu e Lê sempre pensamos em não engessar a banda. Gostamos muito de tocar com a Nayra Costa, também com Laylah Arruda. Também gostamos de ter repertórios variados. Além de nos possibilitar tocar em diferentes lugares, nos serve de estudo e muito aprendizado. Neste momento, nossa prioridade é trabalhar o repertório autoral da banda. Mas já adianto que em breve lançaremos materiais em parceria também.

A Nayra Costa vem aparecendo em alguns shows de vocês. Pretendem ter a voz dela no disco também?

A Nayra Costa virou uma grande parceira nossa. Com ela, fazíamos, além do show da Amy, releituras clássicas do funk e soul. Já começamos a compor com ela e é sim uma vontade nossa ter ela cantando conosco. Não só com ela, mas como outros amigos e parceiros também. Veremos no final do ano! (risos)

Vocês lançaram um release-manifesto em que defendem a cultura dos anos 70 como “mais simples e direta” e cuja “prioridade é rítmica”. De que forma essas ideias se dão, na prática, no som praticado pela banda?

Tocando pouca nota e priorizando o “feeling”. O Black Mantra é uma banda de funk e groove minimalista formada por nove músicos. Precisamos tocar de maneira polida, se não vira uma zona (risos). Precisamos pensar e tocar de maneira simples para que possamos nos encaixar uns nos outros. Musicalmente falando, é claro... (risos)

Queria que vocês comentassem as 2 faixas, “O Ronco do Cacuí” e “Tranca Rua”.  

No começo de 2015, junto com o Mateus (guitarrista), fizemos o que seria a base da "O Ronco do Cacuí", depois passamos ao Pedrinho (sax tenor e arranjador da banda), que compôs a linha de metais. Na fazenda, todos juntos, lapidamos as partes, solos e climas.  A cuíca gravada na música vem também para contribuir com o “groove abrasileirado” dela. Em "Tranca Rua", começamos de uma linha sugerida pelo Felippe Pipeta (trompetista), e a desenvolvemos em uma jam no período que estávamos na fazenda. Ela carrega nossos primeiros acordos compostos em completa parceria. Um sugerindo ao outro. Um dos detalhes da música é a levada de bateria bem “malaca” (risos).

“O Ronco do Cacuí” tem uma pegada bastante dançante. É uma música quente, super direta. Já “Tranca Rua” tem mais detalhes harmônicos e até um solo de guitarra. Que tipo de som vocês estão buscando neste primeiro disco?

Estamos ainda encontrando o jeito de soar melhor, de compor melhor, de tocar melhor. A ideia é cada vez mais produzir algo que nos represente. Esse primeiro compacto 45 tem como objetivo nos apresentar, de certa forma. Queremos tocar na pista. Se fizer dançar, deu certo, rs.

Todos os integrantes trabalham em outros projetos. Como rola a organização da agenda?

Temos um dia de ensaio sagrado na semana. A partir daí, é um caos! Brincadeira... Não tem muito segredo, temos que adaptar a banda aos projetos de cada um e cada um às datas do Black Mantra.

Como está o mercado para quem faz funk no Brasil? Aqui em SP a gente vê bandas como Black Mantra, Charlie e os Marretas, a Lara Ultraleves tem uma proximidade com o funk também...

Não há um mercado de funk. As bandas que tocam funk, ou flertam com ele, em sua maioria se apresentam em festas e noites com uma temática “groove”. No Brasil é uma loucura. Cada um sobrevive como dá. Por outro lado, quem produz coisa boa sempre terá espaço. Os Sesc's, alguns festivais de jazz e blues espalhados pelo Brasil e alguns pubs também cumprem com essa necessidade.

Vocês conseguem pensar em 5 músicas que não faltariam num baile comandado por vocês?

O "Ronco do Cacuí" e "Tranca Rua", nossas (risos).

"People Get Up and Drive Your Funky Soul", do James Brown.

"Pusherman" do Curtis Mayfield.

E "Soul Power 74" do Maceo Parker.

***

arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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