Azoofa Indica: Ester Rada

A cantora israelense Ester Rada se apresentará pela primeira vez no Brasil durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além das apresentações gratuitas nos palcos Madureira e Mauá, no Rio, em 19 e 20 de agosto, a cantora fará shows no SESC Pompeia, em São Paulo, nesta quinta (18). Vinda de uma família que emigrou para Israel da Etiópia, Ester estourou em Israel, em 2013, com sua dançante mistura de jazz etíope e funk americano, passando por R&B e afrobeat com uma pitada de sabor do Oriente Médio, que dá a base para a sua leve e emocionante voz.

Nascida em 1985 e criada em uma família religiosa que tinha acabado de se estabelecer em Israel após uma difícil jornada desde a Etiópia, ninguém poderia imaginar o que o futuro reservaria para Ester Rada. É como uma história escrita por um roteirista – mas dá para esquecer isso no momento em que vê Ester no palco. Uma combinação de carisma, talento e um genuíno entusiasmo cultural, Ester não é mais apenas uma das maiores histórias de sucesso de Israel nos últimos anos, mas uma sensação mundial. Nos últimos três anos, ela lançou um EP ("Life Happens", 2013) e um disco (homônimo, 2015) que foram bastante elogiados pela crítica e que a fizeram excursionar pela Europa, África e Estados Unidos.

Ester falou com exclusividade para o Azoofa sobre sua primeira vez no Brasil, como descobriu aos 6 anos que seria cantora e revela que seu novo disco sai ainda esse ano.

AZOOFA: Ester, sua família tem origem na Etiópia e você nasceu e cresceu em Israel. De que maneira suas origens e essa mistura de culturas influenciam o jeito de você fazer música?

Ester Rada: Quando decidi gravar meu primeiro álbum, eu sabia que queria trazer essa mistura de culturas para a música. Eu senti que seria o jeito perfeito para me introduzir. Então, eu peguei vários elementos que eu amo dos diferentes estilos de música e misturei todos. Virou um reflexo de quem eu sou.

E quando foi que a música entrou na sua vida? E quando você percebeu que ela seria sua profissão?

A música sempre esteve comigo, desde que eu me lembro. Era meu conforto e minha alegria, eu já dancei pra ela e já chorei com ela. Quando tinha 6 anos de idade, percebi que quando cantava, as pessoas ouviam meus sentimentos mais profundos, e assim revelavam seus próprios sentimentos. Isso me fez sentir bem e também fez eles se sentirem bem, e foi por causa desta conexão que escolhi a música como minha carreira.

Seu primeiro disco te projetou como uma das artistas soul mais interessantes dos últimos anos. Como foram esses últimos três anos pra você, tocando em festivais e vendo sua música chegar na Europa, Estados Unidos e Canadá? 

Tem sido 3 anos incríveis, viajando pelo mundo com minha música, vivendo meu sonho. Eu aprendi e cresci muito como artista e como pessoa. Descobri novas músicas, pessoas e muito amor.

Há uma expectativa pelo segundo álbum. Você vem trabalhando em novas canções?

Sim, acabo de lançar uma musica nova chamada "Cry For Me", e meu álbum inteiro vai sair no final do ano. Na verdade, estou vindo ao Brasil já com o novo show baseado no meu disco novo.

Esta será sua primeira vez aqui. Como está sua expectativa para os shows no país? Você conhece a música brasileira?

Estou muita animada, faz muito tempo que quero vir ao Brasil, e estou muito feliz que isso finalmente vai acontecer. Tenho certeza que vou me divertir muito com a plateia brasileira. Eu amo música brasileira! A bossa nova é meu gênero favorito, mas também amo samba e choro.

Como é ser artista em Israel? Existe interesse do público por novos artistas?

Israel tem muito talentos musicais, com diferentes estilos. É incrível a quantidade de grandes músicos que Israel tem. Com  minha experiência com o público, Israel tem sido muito aberto a novos artistas.

Como você enxerga esse momento tenso politicamente que o mundo está vivendo?

Ódio e intolerância sempre existiram no mundo. O problema é que cada vez mais isso está ganhando força, e amor e tolerância estão em falta. O único jeito de ganhar do ódio é com amor, do mesmo jeito quando a luz ganha da escuridão.

Por fim: há uma escritora e jornalista brasileira chamada Clarice Lispector, que sempre terminava suas entrevistas com três perguntas. Eu gostaria de repeti-las a você.

Qual é a coisa mais importante do mundo?

Amor, todos só querem ser amados.

Qual é a coisa mais importante para a pessoa como indivíduo?

Amor, não espere ninguém te amar, ame você mesmo.

O que é o amor?

O amor é o poder da vida.

***

arte | marina malheiro

agradecimentos | thomas brackman (tradução) e camila gomes (consulado geral de israel)

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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