Por dentro do ensaio: Fernando Maranho

O ensaio para o show de pré-lançamento de Hipercubo, primeiro disco solo de Fernando Maranho – conhecido principalmente por comandar as guitarras das bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro – já havia começado enquanto eu descia a Rua Vanderlei, nas Perdizes, à procura do endereço onde tudo estava rolando. Não demorei a achar o número da casa, o som me guiou. Aliás, passei uns dois minutos do lado de fora curtindo uma música que nem de longe parecia ser nova, tamanho o entrosamento da banda. Toquei a campainha e imediatamente o som parou. O baterista Gustavo Souza, também integrante do Jumbo e do Cérebro, abriu a porta, se apresentou – assim como os outros músicos – e em menos de um minuto estavam tocando novamente. Além de Souza, estavam na sala – de estar, literalmente, em meio a fios e pedais, uns sentados no sofá e outros de pé com seus instrumentos –  o baixista Renato Cortez, outro companheiro de Maranho no Cérebro e integrante do projeto Heroes, onde André Frateschi interpreta David Bowie, e das bandas Elephant Run e Seychelles, este último, grupo do qual Gustavo Garde e Fernando Coelho – dono da casa/estúdio/centro cultural, – outros presentes no ensaio, também fazem parte.

Pedi desculpas pela interrupção, peguei minha câmera e passei registrar o encontro enquanto o quinteto acertava alguns detalhes:

– Segura um pouco esse riff enquanto o Gusta faz aquela brincadeira na bateria.

Sugeriu Cortez, responsável pela produção do álbum junto de Maranho, à Coelho. E assim, na companhia do mascote da casa, um bichano preto – um tanto entediado, já que, segundo os próprios caras, ensaios e jams são atividades frequentes no local – segui acompanhando faixa a faixa.

– Hoje tá tranquilo. No último ensaio teve até plateia! Um pai deu pezinho pra filha pequena ver da janela. Foi massa!

Comentou o baixista enquanto Maranho trocava a guitarra pelo violão, antes de tocarem “Apsu, Tiamat”, canção que abre o disco.

Apesar do frio do lado de fora, a concentração total gerou um calor interno que passou despercebido até os finalmentes da reunião, quando alguém sugeriu abrir um pouco a janela. Fernando Coelho ressaltou que dificilmente alguém se queixa do barulho. Na verdade, em muito tempo, só um vizinho reclamou.

– Foi recentemente. Mas, também, já eram três da manhã! Ficamos tocando e nem percebemos. Aqui é assim, toda hora tem banda tocando. Logo mais, inclusive, vai rolar ensaio da Elephant Run.

Dada a letra, era hora de desmontar o equipamento e começar a entrevista. Antes disso, porém, Garde pediu para tocarem novamente a música “Inverno, Inferno” onde divide os vocais com Maranho. Não gostou do tom que alcançara inicialmente. Contagem na bateria, “três, quatro”, e a música é executada novamente em versão fidelíssima à original do álbum. Todos satisfeitos.

– É isso? Foi tudo?

– Foi tudo, menos “Jodorowsky”. Mas essa a gente faz na hora, de surpresa.

Encerrou Maranho, já me oferecendo um café e propondo que batêssemos um papo na padaria da frente, enquanto Souza guardava seus pratos e novos músicos chegavam para a outra session da casa.

E pra lá seguimos, Fernando Maranho, Renato Cortez, Gustavo Souza – o trio base de Hipercubo – e eu.

AZOOFA – Sua carreira é extensa, são 15 anos figurando em importantes bandas do cenário nacional. O que te fez lançar um disco solo? E por que só agora?

FERNANDO MARANHO – A real mesmo é que as bandas foram acabando. O Jumbo acabou primeiro e o Cérebro também parou há uns dois anos. A gente não comunicou ninguém, mas já imaginava que ia parar. O último show do cérebro foi em 2014, então eu fiquei sem projetos musicais e precisava de um empurrão. Eu montei uma banda em Bragança por pura diversão, o Loromundo, que faz um rock n’roll dos anos 90, bem pesado, e, paralelamente continuei compondo (sempre compus, inclusive algumas coisas no Cérebro, junto com o Tatá) e me dei conta de que a hora era agora. Por que não antes? Questão de tempo, mesmo. É difícil ter dois projetos e o Cérebro me tomava muito tempo, a parte de “trás” da banda. Questões desde site até encartes era eu quem fazia. Os arranjos também, junto com o Tatá, enfim. Aí eu convidei o Renato para gravar uma demo.

RENATO CORTEZ – O papo do disco já começou até antes do Cérebro parar. Na verdade a gente nem sabia muito que isso ia acontecer.

FERNANDO MARANHO – Foi quando o Renato disse: “Já que vamos gravar, vamos gravar direito!”

RENATO CORTEZ – Pra mim o trampo de fazer uma demo e fazer um disco é o mesmo.

FERNANDO MARANHO – Como ideia inicial, eu queria gravar a bateria, o baixo, tudo! Fazer uma “demo tosca”. Ai eu acabei fazendo em casa, mesmo. Mostrei pro Renato e ele já falou: “Vamos gravar!” O Gusta topou, curtiu tambem, aí fomos pra casa do Renato em Ibiúna e ficamos uns três dias, acho. A gente gravou as guitarras e o Gusta gravou todas as bateras em cima da demo.

RENATO CORTEZ – A minha mulher tambem ajudou na logistica e até fez uma gaita no disco.

FERNANDO MARANHO – Ela fez uma gaita em “Seres Simples” que ficou animal!

GUSTAVO SOUZA – Eu levei um set up de microfone de batera que eu tenho. O Renato tem um home studio com a placa de som, a gente tirou o som com essa estrutura, com o que a gente tinha ali.

RENATO CORTEZ – Mas uma coisa que tem que ser dita: O Fernando fez uma pré bem detalhada. A gente só conseguiu gravar o disco em três dias porque ele sabia muito bem o que queria.

FERNANDO MARANHO – Sem puxar o saco, mas os caras são foda também. Os dois. O Gusta já sacou todas as viradinhas, toda a história da música por trás. O Renato também. A gente já tinha um entrosamento do Cérebro que facilitou pra caralho.

As letras estavam 100% prontas antes de vocês irem pra Ibiúna? Tinham umas composições mais antigas, não?

FERNANDO MARANHO – Todas, não. Na real, tem muita coisa que eu faço em casa, melodias e harmonias no violão, mas sem letra. O trampo de colocar letra em cima, pra mim, é enorme. A única que tava meio fechada era “Apsu, Tiamat”, essa que a gente fez por último no violão. O resto ainda tava meio incompleto, eu fui montando. Quis chamar mais gente pra participar do disco pra me ajudar com letra também, pra mim é muito difícil. As vezes eu fico sem dormir e vem a letra, aí eu levanto... me dá uma angústia escrever! Rolaram algumas parcerias, mas nem tantas quanto eu gostaria.

Com quem são as parcerias do disco?

FERNANDO MARANHO – Eu escrevi duas letras, estruturei elas e fiz um processo semelhante ao que aconteceu em algumas músicas do Cérebro, de chamar o Tatá. Passei na casa dele, ele deu uma acertada numas coisas, mudou uma frase ou outra. Tipo “Seres Simples”, que ele acabou cantando também. “Fluorecente Vórtice” é outra que eu achei bem a cara do Cérebro, uma música psicodélica, até por isso chamei ele pra me ajudar na letra. Tem uma outra que eu fiz na casa do João Sobral (“Esfinge”), um amigo nosso. Ele é uma metralhadora de palavras. Essa foi a que eu levei mais crua e a gente fez lá. Fui na casa dele a noite, a gente ficou umas duas horas e ele ficava “pá pá pá”, disparando.

Tem uma música em inglês também, chamada “Witch”, que eu passei pro meu primo, o Didé Vivan. Ele tem uma banda chamada Sound Like Bones e a gente fez meio juntos. Ele mandou uma ideia, eu fui mexendo, e foi o processo inverso. Nessa eu chamei a Mayana Moura. A gente tinha tocado no disco ela, nós três e o Marcelo Osório, bem punk rock, eu achei a cara dela.

Ela é atriz também, tem aquela pegada visceral.

FERNANDO MARANHO – Ela é foda! Eu mandei a gravação e ela gravou no Rio. Nem tava junto.

RENATO CORTEZ – Ela em estúdio é impressionante! No palco também é uma explosão, mas no estudio, com ela, é sempre no primeiro take!

FERNANDO MARANHO – Aí que tá, eu não queria fazer um disco “solo”. Acho essa palavra meio chata. Somos uma banda. Mas como eu tava tocando, acabou saindo “Fernando Maranho”. Minha ideia era chamar o maior número de pessoas possível. Chamei o Helio Flanders, que cantou na penúltima música (“Peixe Dourado”), o Gustavo Garde, do Seychelles, cantou na “Inverno/Inferno”…

RENATO CORTEZ – Ele canta na “Laniakea” também!

FERNANDO MARANHO – Então o lance foi esse, fazer um disco pra música. O que a música pedia era isso. Não tem muito essa de “disco solo”.

E de onde viearam as insiprações pras letras? Rolou algum fato marcante na época das composições que te marcou a ponto de registrar no álbum?

FERNANDO MARANHO – As letras que eu faço são viradas nas coisas que eu gosto, tipo o universo da astronomia, mitologia, ciência com mito ao mesmo tempo. O disco não tem um conceito. Acho que tem muito do que eu gosto de observer, de estudar. “Apsu Tiamat”, por exemplo, é uma música que fala sobre mito de criação, sumérios e tal, ao mesmo tempo que ela traz pra realidade a questão do mar. Ou seja, no mito sumério, a vida foi criada no mar. Hoje em dia a gente sabe cientificamente que a vida foi criada no mar, então como é que os caras, quatro mil anos atrás, já sacaram isso? A música fala sobre a nossa cabeça, sobre criatividade. O que tem dentro da nossa cabeça? A gente consegue inventar um universo dentro da nossa cabeça. Mas também tem músicas que falam sobre relacionamentos. “Esfinge”, por exemplo. Não só amorosos, mas de amizade também. Enfim, relacionamentos humanos. “Seres Simples” fala de um olhar caipira sobre a cidade. Porque eu sou de Bragança, né?

Voce ainda vive lá?

FERNANDO MARANHO – Ainda moro lá, voltei pra lá. É assim, eu nasci em São Paulo, fui morar lá pequeno, depois vim pra cá e agora já estou lá de novo há seis anos. A música fala sobre essa questao da vida, como a gente olha essa cidade grande tendo sido criado em liberdade. De repente você está aqui em São Paulo, vê a galera meio amarrada. Não todo mundo, obviamente.

RENATO CORTEZ – Lamento sertanejo!

FERNANDO MARANHO – A gente frequenta uma galera que é muito fora da maioria de São Paulo.

RENATO CORTEZ – A gente vive dentro de uma bolha.

FERNANDO MARANHO – Mas continuando a passar as músicas, tem a “October”, baseada no filme Donnie Darko, do Richard Kelly, que é uma viagem! Fala sobre viagem no tempo, dimensões paralelas, enfim, cada uma tem uma história.

RENATO CORTEZ – Primeiro disco é sempre assim, fala sobre um monte de coisa.

FERNANDO MARANHO – Eu até gosto de discos conceituais, mas o que eu mais gosto é de um disco que soa como pílulas, como jujubinhas. Cada música de um jeito, sabe?

RENATO CORTEZ – Acho que o disco tá muito mais pautado pela estética da sonoridade do que pela mensagem. Cada música tem uma história. Agora, o disco como um todo tem uma linha condutora. A gente já tá com quase quarenta anos de idade e cresceu ouvindo um universo meio metaleiro, meio anos 90. A gente cresceu escutando os anos 90.

FERNANDO MARANHO – A atmosfera tá ali, nos anos 90.

RENATO CORTEZ – A gente não tem como fugir disso. O Cérebro vai pra outro lado, o Jumbo vai pra outro lado, o Seychelles tem outra pira, mas quando a gente se juntou pra fazer isso aqui que o Fernando trouxe, a gente abraçou que nem cobertorzinho de criança, do tipo: “Que bom ouvir isso de novo, voltei pra casa!”

O show do dia 23 é o pré-lançamento do álbum?

FERNANDO MARANHO – Por que um pré? Pra gente ter um clima entre amigos, ter um pouco mais de liberdade pra experimentar no palco nessa primeira vez. A gente gravou o disco e até o primeiro ensaio, que rolou há um mês, não tinha tocado junto. Foi tudo gravado separado, batera, guitarra e tal. Então eu acho que é mais pra gente sentir a banda, mesmo.

GUSTAVO SOUZA – Mas a gravação foi legal, a gente fez uma imersão durante os dias na casa do Renato, montamos a batera, microfonamos e ficamos lá. Parava, comia, voltava. Era intenso!

FERNANDO MARANHO – Foi uma vivência.

GUSTAVO SOUZA – Da minha parte foi a primeira abordagem efetiva. Já gravando, chegando nas conclusoes de arranjo. Tudo com base na demo do Maranho. Os arranjos e bateras estavam muito bem definidos, como um desenho.

Como foi a gravação dessa demo? 

FERNANDO MARANHO – Eu fiz em casa de primeira, tipo assim, “valendo”! Era um microfone no meio do escritório, tudo meio fora do tempo, mas foi!

Então o show vai ser uma coisa mais pros chegados?

FERNANDO MARANHO – É uma estrutura um pouco limitada por causa da verba. Não vai ter iluminador, etc. Vai ser mesmo um esquema pra gente experimentar no palco.

Pretendem cair na estrada com o disco depois?

RENATO CORTEZ – Essa é a ideia!

FERNANDO MARANHO –  Vamos correr atrás. Por enquanto a gente tá sem produtor pra vender, também. A menina que vendia os shows do Cérebro não tá mais trabalhando com isso, então a gente tá dando um passo por vez. Eu tô correndo atrás, tentando. Consegui fechar na Associação Cecília, mas ainda não consegui em nenhum outro lugar. Espero que lançando, a gente consiga dar uma espalhada no som.

GUSTAVO SOUZA – Movimentar uma energia para que outras coisas aconteçam.

Quem vai fazer participação especial no show?

FERNANDO MARANHO – Gustavo Garde, do Seychelles, e Tatá Aeroplano, que além da música que gravou no disco, vai participar de algumas do Cérebro que a gente ensaiou. No bis vão rolar duas músicas do Cérebro e uma do Seychelles.

RENATO CORTEZ – Outra pessoa que é da formação de palco da banda é o Fernando Coelho. Ele não gravou nada do disco, mas emprestou guitarra, ampli, pedal e outras coisas pro show. Ele é parceiro total.

Que mensagem vocês querem deixar sobre o disco?

FERNANDO MARANHO – Espero que venham mais álbuns, e não necessariamente do Fernando Maranho. Eu espero fazer som com esses caras sempre que puder.

GUSTAVO SOUZA – O Maranho me convidou e eu topei na hora! Nem ouvi nada e falei “vamo aí” porque é uma parceria que já vem de tempos antes do Cérebro, do Jumbo. Há muito tempo que a gente toca junto. Quando ele falou que ia gravar uma parada, eu topei. Sem grana, nem nada. Vambora!

RENATO CORTEZ – Música é isso! A gente já percebeu que rico ninguém vai ficar e ninguém vai parar de tocar nos próximos sessenta anos. Então é só mais um passo. É o passo da vez. É o melhor passo da vez! Então vamos lá, vamos viver esse passo, espalhar ele, porque vai vir outro e com ele outros discos. Isso é a nossa vida, simplesmente.

A gente já hackeou suficiente o sistema pra dizer: “foda-se o mundo que a gente vai continuar tocando!” A gente gosta de gravar indo pro sítio e, mesmo que pudermos gravar em estúdios magníficos, nunca vamos abrir mão desse poder de juntar o nosso equipamento e ir prum canto e ficar quatro ou cinco dias gravando e tocando. Isso é padrão.

GUSTAVO SOUZA – Quando o Fernando ficou na dúvida se gravaria o disco, eu falei: “Cara, se você acha que tem que gravar, grava e não fica pensando no que o outro vai achar, porque se a gente ficar pensando no que os outros vão achar, a gente não grava!” Rola um medo de mostrar as músicas. É difícil, é uma exposição. Você tem que se firmar!

FERNANDO MARANHO – É muito trampo por trás de uma banda. Alguém tem que tocar as burocracias. Isso é uma coisa que dificulta demais, fazer um disco não é fácil. Passei dois anos correndo atrás disso quase todo dia. Alguém tem que assumir: “Agora é a minha vez, deixa que agora eu toco essa parada!”

RENATO CORTEZ –  As pessoas me perguntam: “Você tem quantas bandas?” Eu falo que tem as bandas que eu ganho dinheiro e as bandas que eu gasto dinheiro. Fica esse 0x0 pra equilibrar.

Tá valendo a pena?

RENATO CORTEZ – Tamo vivo, tá rolando! Se for botar no excel, não vale a pena, financeiramente. Mas se fosse financeiramente que eu pautasse a minha vida, eu estaria trabalhando em banco, agência, etc. Eu sou formado. Fechei as portas pra isso porque vi que, no final das contas, não deito a cabeça no travesseiro e penso: “E aí, gastei esse suor todo pra quem hoje?” Eu durmo tranquilo. Não tenho posses e tal, mas tenho a consciência tranquila de que estou vivendo entre amigos e trabalhando por amigos e para amigos.

FERNANDO MARANHO – Muito louco esse lance de mercado da música! A música tá voltando a ser o que era, o que sempre foi na maior parte da história, da humanidade. O mercado da música é uma coisa que começou nos anos 80 e morreu no anos 90.

RENATO CORTEZ – O mercado da arte ainda existe de um jeito, mas… arte é fora da grana! Música é fora da grana!

FERNANDO MARANHO – Dinheiro e mercado não importam muito, sinceramente. Nunca importou pra mim. A gente faz o que a gente gosta e espera que as pessoas gostem também. É isso. Vida de artista é isso.

RENATO CORTEZ – O capitalismo tenta botar preço em tudo, mas tem certas coisas que não dá, não tem coleira que prenda isso. Existe? Existe. Tá tudo lá, brilhando, fantástico, nas TVs, nos palcos. Milhões de coisas pop, mas a música não tá mais lá! Aquilo é outra coisa. É até meio feio falar isso, mas explosão pop é coisa de adolescente. Cara que gasta R$400 pra ver a menina “x” fazendo um playback com a bunda de fora…

Produto descartável.

RENATO CORTEZ – Sim! Eu leio direto que a música brasileira está em crise. Ao contrário, ela nunca esteve tão frutífera! Tem artístas magníficos lançando discos mês após mês! Infelizmente ainda faltam algumas casas de shows, o mercado ainda não existe no sentido do público realmente pagar o artista. Ainda tem um monte de intermediário no meio que deixa tudo mais complicado. Mas tá muito melhor do que tava dez anos atrás, com certeza.

FERNANDO MARANHO – Não que a gente não queira viver de música. Todo mundo obviamente quer viver do seu trabalho, ter o reconhecimento do seu trabalho na sua área, mas, ao mesmo tempo, não é isso que vai fazer a gente deixar de fazer música.

RENATO CORTEZ – E essa continuidade que talvez gere a estabilidade pros nossos filhos poderem viver de música. As nossas cabeçadas na parede de hoje que vão abrir esse espaço. Do cara poder pagar diretamente, das casas de shows terem a tranquilidade de apostar numa certa estética e não ficar pulando de galho em galho em cada mês pra poder pagar o aluguel, sabe? Isso é complicado pras casas de show. Elas se fodem. Se não botar o forró de sexta-feira elas não pagam o artista underground de terça. Isso é meio bizarro ainda.

***

Quem escreveu
Daniel Branco

 

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