Os 10 melhores lançamentos de agosto e setembro

Seguimos na nossa saga de elencar os melhores álbuns lançados no Brasil e lá fora. Desta vez, nossos olhares e ouvidos miram as novidades que saíram em agosto e setembro. Há desde Jack White e sua discografia apresentada em formato caseiro até a união do brasileiro Sergio Pererê com os argentinos do No Chilla, passando pelo onipresente O Terno e a estreia de Aíla.

Confira:

Aíla | Em Cada Verso Um Contra-Ataque

São várias as qualidades da estreia em disco da cantora Aíla e, no caso dela, está tudo resumido no título do álbum. “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, lançado pela Natura Musical, traz, de fato, uma porrada atrás da outra. Suas letras tratam de questões políticas e sociais e se amalgamam a composições dançantes e potentes. A produção de Lucas Santtana está lá: basta você ouvir duas ou três canções para identificar a mão do músico baiano. E a voz dela é uma fortaleza.

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Graveola | Camaleão Borboleta

Apresentei o novo disco do Graveola para um amigo. Quando chegou em “Talismã”, ele falou: “por que isso não toca no rádio?”. Produzido por Chico Neves, “Camaleão Borboleta” é um assombro: as dez canções soam extremamente familiares, como um antigo amigo que esbarramos na rua e demoramos a reconhecer os traços. Um sotaque pop bem brasileiro permeia todo o álbum, como se a banda relaxasse e deixasse suas influências virem à tona: Caetano Veloso, Novos Baianos, Paralamas, Daniela Mercury, Skank. E “Talismã” é uma rara música de estádio produzida pela geração do disco digital – mais afeita a fazer música de estúdio. Emulando uma frase de “Tempero Segredo”, quarta canção do disco, eu acho que isso é maturidade.

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Angel Olsen | My Woman

Ousadia e liberdade. Nos seus quase 50 minutos, “My Woman” mostra Angel Olsen sem medo de experimentar. Boa parte das canções é carregada de melancolia e a voz da cantora americana está sempre à frente dos instrumentos. É ela, com sua voz e suas letras, quem comanda essa viagem recheada de synths e guitarras destemidas. Há momentos mais roqueiros, como em “Give it Up”, e divertidos (“Shut Up Kiss Me”), mas esse é um álbum de busca. Não espere facilidades.

Barro | Miocárdio

Lançar um disco com 13 canções, sendo que nenhuma é vinheta, é quase uma afronta à velocidade que faz nossos dias – e nossas audições de discos – não permitirem maiores aprofundamentos. Isso já é louvável em “Miocardio”, primeiro álbum solo de Filipe Barros, mais conhecido pelo seu trabalho com a banda Dessiné, e que aqui se apresenta sem o “s” do seu sobrenome. A produção de Gui Amabis é outro ponto a favor do álbum ao deixar as canções tomarem diferentes caminhos – há algo de música eletrônica, de brega, de soul brasileiro dos anos 70, de Lenine – e, ao mesmo tempo, criar uma personalidade própria ao todo. E, por fim, as canções. “Miocárdio” é uma coletânea de composições iluminadas. Ao uni-las, Barro fez um disco para se descobrir aos poucos.

Alexandre Klinke | Lugares

Ao nomear seu segundo disco “Lugares”, o músico Alexandre Klinke coloca em foco a influência da posição geográfica na criação de uma obra de arte. No caso dele, o fato de ser brasileiro mas morar em Vancouver, no Canadá, há mais de oito anos. Essa informação, que não necessariamente define ou orienta a criação de uma obra, ainda mais no mundo ultra globalizado em que vivemos, é aqui necessária. E de cara já se percebe o limbo do compositor quando sentimos o calor da primeira faixa, “Lugar”, e o tempo virando na sequência, “Roma”. Mas essa importância espacial para por aí. O que vem a seguir é um trabalho de canções bem resolvidas e extremamente bem produzido – o que fica mais interessante quando se sabe que ele foi gravado inteiro em sua casa e que todos os instrumentos foram tocados por ele. E que ao fim encontra um lugar - ao menos na lista de melhores lançamentos desse ano.

Cass Mccombs – Mangy Love

Lançado no finalzinho de agosto, o oitavo álbum do californiano Cass Mccombs – “compositor veterano que estamos apenas começando a conhecer”, como bem pontuou Sam Sodomsky em crítica ao disco no Pitchfork – é uma bem-vinda união de rock e folk e que funciona como uma ligação de The Cure com Tom Waits. Em canções sempre envoltas num clima de mistério e solidão, Cass serve o ouvinte com sensibilidade pop recheada de letras urgentes e nada açucaradas. A primeira metade do disco é primorosa; o ímpeto cai um pouco dali pro final, mas nada que comprometa.

Devendra Benhart – Ape in Pink marble

“Apaixonante” e “charmoso” são dois dos adjetivos que se repetem nos textos críticos da imprensa estrangeira ao nono álbum do norte-americano. Como uma continuação do disco anterior, “Mala”, de 2013, o músico e compositor parece aqui ainda mais à vontade em soar pop, às vezes quase comercial, como se estivesse convicto em não ter que fazer de sua música uma eterna proposta-sonora-e-estética-de-olho-no-futuro. “Ape in Pink Marble” é Devendra de olho em si mesmo. Discreto no uso de sintetizadores e com linhas de guitarra sempre minimalistas, o disco tem momentos de celebração à música brasileira (como na bossa “Theme for a Taiwanese Woman in Lime”) e diálogos com o mundo de Nick Drake (a belíssima “Middle Names”, que abre o disco).

Jack White – Acoustic Recordings 1998-2016

É como se fosse um documentário sobre a obra de Jack White, escrito e dirigido por ele mesmo, com sucessão de cenas íntimas e reviravoltas para não deixar o espectador entediado durante a 1h30 de sessão. Mas não é – se bem que a única diferença é que o produto é estritamente musical e nada visual. Porque esse álbum com 26 faixas em versões caseiras, dispostas em ordem cronológica, a dar conta da produção do criador do White Stripes nesses quase 20 anos, é bastante revelador sobre Jack White. Há um clima de invasão de garagem, em que assistimos – ouvimos! – White levando com o violão coisas como “Hotel Yorba” e “We’re Going To Be Friends” (dos Stripes), lados B de sua carreira solo e até um jingle que ele fez para a Coca Cola em 2006. Revelando ainda mais seu talento como cantor e instrumentista, e escancarando seu amor pelo blues e pelo country, o disco é um generoso presente de White para quem se interessa por sua obra.

Sergio Pererê e No Chilla – Viamão

O quinto álbum do compositor mineiro Sergio Pererê, lançado em agosto pela Natura Musical, é um feliz encontro entre a música africana, brasileira e argentina. Com tambores africanos tocados pelo No Chilla e letras e composições de Pererê, o álbum propõe o encontro das heranças banto, iorubá e mandinga que se conformaram na América Latina, em uma mistura de sonoridades. E nos faz refletir sobre como os tambores e a mitologia que vieram de vários lugares da África, se disseminaram e foram reinterpretados no Brasil e na Argentina. Aos tambores do No Chilla, soma-se o charango, instrumento tradicional andino tocado por Pererê no disco. Destaque para a serena e encantada “Carolina de Oiá”, gravada ao ar livre nas montanhas de Viamao (MG), e “Paraíso”, que é levada coletivamente em voz e palma da mão. Um disco mágico.

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O Terno – Melhor do Que Parece

Melhor banda de sua geração, com uma capacidade impressionante de soar moderna e atemporal ao mesmo tempo, com criatividade que transborda pelas letras e pelos clipes. O Terno, daqui a pouco, vai dispensar comentários. Principalmente depois de “Melhor do Que Parece”, o terceiro e melhor disco do grupo paulistano formado por Tim Bernardes, Gabriel Basile e Guilherme D’Almeida. O clima de soul music dos anos 70 somadas às letras cheias de descompromisso e profundidade de Tim fazem deste álbum uma espécime rara na atual produção independente brasileira. Sem afetação e com um punhado de boas canções e arranjos inventivos, “Melhor do Que Parece” é um disco que ouviremos por muito tempo, quebrando a barreira do “eterno presente” que orienta nosso consumo cultural atualmente – tema, aliás, da canção que fecha e dá nome ao disco.

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Confira aqui os 5 melhores discos lançados em JULHO

arte | marina malheiro

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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