Entrevista: Dropkick Murphys

As tatuagens, a jogatina, a cerveja, a carranca... a foto acima explica bastante sobre o Dropkick Murphys, banda de celtic punk nascida em Massachusetts, mas também omite muita coisa do grupo que já tem 20 anos de estrada.

Por exemplo, o fato de sempre terem apoiado a classe trabalhadora estadounidense, vendendo seu merchandising que é produzido inteiramente nos EUA; já doaram para diversas instituições de apoio às vítimas do atentado de 11 de setembro; Ken Casey, vocalista do grupo, fundou sua própria organização de caridade voltada a reabillitação de dependentes químicos. E também já descascaram políticos Republicanos que insistiam em usar suas músicas em discursos públicos.

Para quem nunca ouviu em falar na banda, existe uma grande chance de conhecer as primeiras notas de "I'm Shipping Up to Boston", usada na trilha do filme "Os Infiltrados" e em dezenas de outras ocasiões e programas, como lutas do UFC, jogos de baseball e até nos Simpsons. Então quando apareceu a oportunidade de entrevistar Matt Kelly, baterista do Dropkick, o Azoofa não podia deixar passar.

Azoofa: Muitas bandas de punk rock não duram 20 anos. Qual o segredo para continuar não apenas tocando, mas também lançando discos e fazendo shows mundo afora?

Matt Kelly: Cuidar de si mesmo fisicamente, mentalmente e espiritualmente, e não ter medo de crescer musicalmente. Não tente o sucesso rápido e não vire as costas para quem te apoia. Não esqueça que eles te levaram para aonde você esta hoje.

Com a experiência de duas décadas, quais as maiores mudanças no cenário do punk rock?

A internet, mídias sociais, compartilhamento de arquivos, e esse desentendimento entre gerações - que agora seria mais um "conflito de décadas"; as vezes tenho dificuldades em entender pessoas que são apenas 10 anos mais jovem que eu, pois foram criadas com valores diferentes dos nossos -, como crianças que nos chamam de "millennials". Eles são estranhos para mim.

Ter uma relação próxima as organizações sem fins lucrativos e trabalhos voluntários influenciou sua música?

Eu não acho que influenciou nossa música, mas acho que abriu um leque de assuntos a serem abordados e nos deixou mais atentos ao mundo em que vivemos. Musicalmente, fazemos o que queremos e sempre tocamos desse jeito.

O que podemos esperar de 11 Short Stories of Pain & Glory? Existem planos para voltar ao Brasil promovendo o álbum?

Força, energia, hinos para cantar todos juntos, letras significativas e muita diversão. Sim, acho que estamos tentando juntar algumas datas para levarmos a turnê para a América do Sul.

Estamos vivendo em um clima político desordenado no Brasil, e o Dropkick Murphys é conhecido por ter e compartilhar opiniões fortes sobre o assunto. Como a música pode influenciar nessa situação?

A música pode agir de uma forma em que alivia o estresse do dia-a-dia e cria um escape para as dificuldades da vida. E também dá uma voz para as pessoas que acham que nunca são ouvidas.

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