Promovendo (sempre) a nova música popular brasileira

O ano está começando e no verão, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo ficam cheias de programação 0800. Mas pra além destas programações gratuitas, início de ano nos ajuda a relembrar bons momentos. Por isso, reuni esta turma da música - bacanérrima, diga-se de passagem! - para recordar alguns shows inesquecíveis em lugares, no eixo "RJ-SP", que sempre valem a visita. Importante dizer que todos os locais indicados são pequenos espaços de resistência cultural - a maior parte deles tem até 200 lugares - que ajudam a promover e fomentar a nova música popular brasileira. Quando estiver de passagem por estas cidades, vá conhecer estes espaços. A diversão é garantida! No mais, vida longa a todos eles e a seus curadores - essa gente que faz! Evóe!

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Tim Bernardes, d'O Terno indica o Auditório Ibirapuera (SP): O Auditório do Ibirapuera é um lugar muito especial. Parece que ele potencializa aquela magnitude que um show tem quando bate forte na gente. Meio um templozão. Tocar lá é muito legal, a equipe, a estrutura, o astral, arquitetura, tudo conspira a favor pra fazer um show especial. Lançamos nossos três discos lá e pro Terno, ele tem esse ar de uma cerimônia, de um lugar especial pra meio consagrar e simbolizar um disco, é um lugar incrível.

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Matheus VK indica o Espaço Cultural Sérgio Porto (RJ): O Sérgio Porto sempre foi um dos lugares mais importantes da minha geração. Os meus três primeiros discos foram lançados lá. A sensação que eu tenho quando entro no teatro é de muita intimidade, como se ali eu pudesse relaxar e deixar acontecer o que tivesse guardado para aquele momento. No lançamento do "Vagalume", meu terceiro CD, aconteceu um momento incrível, que um percussionista baiano que estava na plateia "invadiu o palco" e fez uma performance sensacional, ele tinha uma sacola com instrumentos de criança que tinha comprado para o filho, e com aqueles apitos, chocalhos de plástico e coquinhos de bater, ele se misturou no arranjo e fez todo sentido para a música. No Sérgio Porto a plateia e o artista estão no mesmo nível e nesse dia isso se fez ainda mais verdade.

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Laura Lavieri indica o Puxadinho da Praça (SP): Adoro shows pequenos, ver e ouvir tudo de perto, ter acesso ao artista. Foi inesquecível o primeiro que vi do Jonnata Doll e Os Garotos Solventes, recém-chegados de Fortaleza, era verdadeiramente vivo e enérgico ver aquele punk rock acontecendo numa zona central de São Paulo. São incontáveis os shows que assisti, e também foi onde fiz minha primeira apresentação solo. A importância do Puxadinho da Praça na minha vida, na cena e no mercado é imensurável. Tubarão (com a ajuda de Rafael Castro) é um desses corações vagabundos que não cansa de lutar a batalha ardilosa por uma praça ocupada por música de todo gênero, para que haja espaço e voz aos pequenos nichos, para que uma megalópole seja alimentada de cultura livre - tão livre que finalmente extrapola os limites territoriais urbanos e suas regras insustentáveis.

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Fernando Temporão indica o Bar Semente (RJ): O Semente é um espaço sem paralelos no Rio de Janeiro. É muito mais do que uma casa de shows, um bar, um restaurante, um clube. É um laboratório, um espaço de experimentação e convivência de artistas. No palco do Semente nasceram discos, ideias, shows, temporadas inesquecíveis feitas de uma música que eu só vi acontecer ali. Eu toquei no Semente durante alguns anos, toda semana, ao lado da cavaquinista Roberta Nistra e dos percussionistas Thiago da Serrinha e Luiz Augusto e em cada semana eu via coisas fantásticas no palco. Vi a Simone Mazzer começar a dar canjas conosco cantando Carmen Miranda, vi o Yamandu Costa pegar meu violão no fim do show e ficar até de manhã tocando pra nós, e vi, em cada noite de shows, em cada dia da semana, alguma mágica musical acontecer. Vi Ana Carolina cantando com Edu Krieger, vi Marisa Monte cantando com o Escangalha a Maçaneta, vi o Zé Paulo Becker recebendo a nata dos instrumentistas do mundo todo, vi, no comecinho, a Teresa Cristina com Pedrinho Miranda e o grupo Semente. O que eu vi no Semente é impossível traduzir, e só quem estava lá sabe do que estou falando. Quem ainda não conhece, precisa conhecer. Pra ontem!

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Aíla indica a Casa do Mancha (SP): A Casa do Macha é um local necessário de resistência pra música brasileira independente. É um palco democrático, com uma curadoria cuidadosa, e o Mancha um cara bem sensível, que sempre tá de portas abertas pra receber novidade. Eu já presenciei momentos viscerais na Casinha, como o show da banda mineira Porcas Borboletas no ano passado, que foi quente e astral demais! Sempre desejo ver mais espaços culturais assim, onde a gente se sinta em casa e o público possa trocar energia com o artista bem de pertinho.

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Lucas Santanna indica o Audio Rebel (RJ): Meu show com Arto Lindsay no Rebel ano passado foi muito especial pra mim. Primeiro porque eu e Arto temos 10 músicas compostas juntos e nunca tinhamos pisado no mesmo palco. Depois que sou fã dele e pra finalizar o Caetano tava na plateia e veio nos dar uma benção.

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César Lacerda indica os SESC's de SP: Em novembro do ano passado, eu lancei, ao lado do meu parceiro Romulo Fróes, o nosso disco, “O Meu Nome é Qualquer Um”, no Sesc Consolação. Era um sábado de sol em São Paulo, a unidade no bairro Consolação carrega histórias de produções musicais e teatrais de êxito e beleza. Para nós, lançar o nosso disco em São Paulo, naquele teatro tão especial, nos encheu de uma felicidade enorme!!

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Julia Vargas indica o Beco das Garrafas (RJ): O Beco das garrafas é um lugar histórico, o reduto da bossa nova, por onde vários ícones da música popular brasileira passaram. Há um tempo, Amanda Bravo, que cuida da programação do Beco, nos disse que queria dar uma renovada musical no local introduzindo projetos e trabalhos de artistas novos, foi assim que tivemos o prazer e a sorte de pisar nesse palco lendário, fizemos uma temporada de mais ou menos 3 meses com o projeto "Júlia Vargas e Chico Chico", sob a direção musical de Rodrigo Garcia. Essa temporada abriu muitas portas pra gente e o Beco virou nossa mais nova casa.

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Quem escreveu
Fabiane Pereira

 Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro MPB, e atualmente comanda o boletim Faro Pelo Mundo. 

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