Os 5 melhores lançamentos de FEVEREIRO

Seguimos na saga de elencar os melhores álbuns lançados no Brasil e lá fora. Desta vez, nossos olhares e ouvidos miram as novidades que saíram em fevereiro. Da mineirice latina de Luiza Brina ao silencioso álbum de Julie Byrne, passando pelo blues, pelo reggae e pelo relançamento do disco de uma banda canadense que provavelmente você não conhece.

Aqui vão eles:

Luiza Brina – Tão Tá

Oficialmente, o segundo disco da carreira de Luiza Brina saiu em janeiro. Mas, pra mim, ele chegou logo no começo de fevereiro, e a licença poética aqui se permite não só por isso, mas porque trata-se de um álbum fabuloso. A produção é de Chico Neves.

A cantora e compositora – integrante da também fabulosa banda Graveola – apresenta 13 faixas cuja sonoridade mistura influências da música mineira, notadamente do Clube da Esquina, com referências latinas, embalados em letras de forte poética e que constituem um capítulo à parte deste que, ansiosa mas certamente, já é um dos melhores lançamentos do ano.

Baixe e ouça: www.luizabrina.com

Julie Byrne – Not Even Happiness

Marcado por uma mistura de “folk, new age e silêncio”, como pontuou a crítica da Pitchfork, o novo disco da cantora e compositora nascida em Buffallo (EUA) é um peça rara da música dita melancólica. Flutuando entre Leonard Cohen e Laura Marling, “Not Even Happiness” tem 10 faixas e é o segundo álbum de Julie.

Mas atenção: não é música triste – é melancólica. Voz sussurrante mas bem colocada, arranjos diminutos mas certeiros, letras dotadas de personalismo mas com a capacidade de nos levar ao âmago do sentimento alheio: tudo isso faz deste um disco para ser escutado com calma, de preferência em casa, enquanto lava a louça e deixa seu coração conectar-se consigo mesmo.

Baixe e ouça: https://juliembyrne.bandcamp.com/album/not-even-happiness

Eric Bibb – Migration Blues

Pouco conhecido em comparação a pesos pesados do gênero, o norte-americano Eric Bibb é um dos maiores bluesman de todos os tempos. São 50 anos de carreiras e 37 discos lançados. Em seu mais recente álbum, Migration Blues, o músico abraça a temática de imigração para mandar um recado tão simples quanto, ao que parece, cada vez mais difícil de o mundo compreender: quando se olha a história do mundo, descobrimos que nós todos somos imigrantes.

Munido da tradição blueseira e sem abrir mão da sonoridade folclórica do gênero, Eric apresenta faixas autorais – em que faz paralelos entre a questão migratória vista pelos olhos americanos com a história de abuso econômico da Europa para com países hoje vistos como “inimigos” por Donald Trump, Marine Le Pen e por uma parte cada vez maior de políticos, especialmente os ligados a partidos de extrema direita – e releituras de clássicos como “Masters of War”, de Bob Dylan, e o hino “This Land Your Land”, de Woody Guthrie.

Courtney John – Yes We Are

Outro lançamento que aborda as recentes discussões sobre as ondas migratórias é o novo single do jamaicano Courtney John, mais conhecido por canções como Lucky Man e Born to Fly. Mais afeito às letras sobre religião e sobre o amor, aqui o músico volta sua pena para a intolerância de parte do mundo com os refugiados e imigrantes. A música é a primeira amostra do que podemos esperar do seu novo álbum, o quinto de sua carreira, e que sai em abril.

The Acorn – Glory Hope Mountain

Em 2007, a banda canadense The Acorn lançou o disco “Glory Hope Mountain”, cujo título é a tradução literal para o nome da mãe de Rolf Klausener’s, vocalista e principal compositor do grupo, Gloria Esperanza Montoya. A história de Gloria – uma jovem que deixou Honduras, seu país de origem, para fugir de maus tratos, e foi parar no Canadá – é contada faixa a faixa, num trabalho primoroso de arranjos instrumentais e vocais, composições e, claro, das letras.

Se cada canção tem uma função na narrativa geral, felizmente elas também funcionam muito bem quando estão desacompanhadas. O disco completa 10 anos em 2017 e o grupo, que estava parado há alguns meses, volta à estrada para uma turnê dedicada a celebrar este que é, preciso dizer, um dos melhores álbuns – e dos mais bonitos - que já ouvi em toda a minha vida.

Saiba mais: http://www.theacorn.ca/about

***

arte: marina malheiro

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, ex-aluno de futuro promissor, ex-músico de gosto duvidoso e ex-meia direita que já fez gol que saiu no jornal.

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