Playlist EMPODERADA, por Tulipa Ruiz

 

Em 2010, Tulipa Ruiz estreava no mercado independente com “Efêmera”. O repertório de pop solar lhe rendeu citações de disco do ano por publicações especializadas, como a Rolling Stone Brasil e os jornais britânicos The Guardian e The Independent. Ainda emplacou música em novela e foi trilha sonora do videogame Fifa. Dois anos depois, em 2012, com “Tudo Tanto”, Tulipa trazia uma pegada pop rock. A expectativa sobre o segundo disco resulta em novas críticas elogiosas e prêmios (APCA, Contigo! MPB FM e Multishow, além de indicação ao Prêmio da Música Brasileira). Cinco anos depois, a cantora e compositora paulista surpreende e se reinventa com "Dancê". 

Conheci Tulipa ao entrevistá-la pro programa Faro MPB e desde então acompanho seu trabalho e seu amadurecimento artístico. Empoderada, ela conversou comigo por email e enviou OITO músicas estilo #GirlPower para celebrar este mês da mulher.

***

Fabiane Pereira: Quando a música entrou, profissionalmente, na sua vida?

Tulipa Ruiz: Eu sempre fui cercada de música. Meu irmão e meu pai tocavam e minha mãe era atriz. Cantar com os amigos foi algo natural. Com o tempo comecei a ser mais e mais convidada. Já fiz disso um chavão mas o que aconteceu é que "a música invadiu meu horário comercial".

Como outros segmentos artísticos influenciam a arte que você faz?

A arte vem antes. Acredito que eu canto ou procuro levar para o meu canto os livros que li, os filmes que assisti, os quadros que observei, as conversas que tive, o que vi e ouvi no mundo. Isso na essência. No fazer, a música se tornou uma somatória de vetores culturais, algo que faz parte da essência do cinema por exemplo.

Como você se posiciona politicamente (promovendo as liberdades individuais) através da sua música?

A minha carreira por si só é um posicionamento claro. É um trabalho de família, quer dizer tanto da minha família próxima quanto da estendida, ou seja, os amigos e colaboradores. Em um momento como o que estamos atravessando no país nossa independência é nossa força. Não se sabe o que vem por aí.

A nova geração do movimento feminista (da qual fazemos parte), muito na esteira de campanhas bem sucedidas nas redes sociais (diversas hashtags), ganhou as ruas e, acho, dificilmente sairá delas até que todos os direitos conquistados não corram riscos de retrocesso. Como você analisa este momento atual? (a mulher como sujeito social e político).

Como você mesma disse, esta é a "nova" geração do movimento feminista. Desde criança eu conheço mulheres de posições avançadas, muito antes das redes sociais e hashtags. Ou seja, a luta é antiga e quanto mais avançamos, mais se percebe que o que enfrentamos é incomensurável. Basta olhar em volta, abrir um jornal para sentir o desrespeito generalizado em relação à mulher que vai do verbal ao criminal na maior. Temos de seguir em estado de luta.

O que uma música precisa ter para fazer parte do seu repertório?

Eu preciso cantar a música. Para mim. O fato de eu participar de alguns discos  e shows, não faz de mim uma intérprete. Eu não me considero uma. Não vou gravar songbook de ninguém, acho. Alguém me disse que eu componho músicas adequadas para a minha voz. Isso nunca tinha me passado pela cabeça. Canto músicas do meu pai, já cantei do Caetano, da Joni Mitchell, do Noel Rosa. Deve haver algum fator determinante nas minhas escolhas. Mas eu realmente não sei qual é.

Uma mulher poderosa. Por quê?

Me vieram muitas na cabeça. Um infinito de mulheres. Mas nesse momento o chamado maior está no reconhecimento da mulher poderosa que existe em cada uma de nós.

Já está pensando no disco novo? Pode nos adiantar alguma coisa...

O "Efêmera" foi fruto de um ano de apresentações. O "Tudo Tanto" foi composto imediatamente antes de se entrar no estúdio. O "Dancê" foi trabalhado por mim e pelo Gustavo e depois pela banda em ambiente seguro (sítio, praia); vem aí um disco novo sim. Mas sempre começo a pensar em disco novo quando a turnê do disco anterior acaba. Tudo que pinta de ideia durante uma turnê eu reservo e só devoro na hora de fazer o disco novo. Ainda tô "Dancê", gosto de viver e saborear bastante um disco, mas a turnê está fechando seu ciclo. Daqui a pouquinho eu começo a inventar o disco novo.

Tulipa por Tulipa em poucas palavras.

Eulipa. ❤

Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

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