A Solid Music Entertainment e o punk/hardcore no Brasil

Quem é aficionado do underground e frequentador assíduo dos buracos do submundo desde as décadas de 80 e 90, sabe que não era muito fácil encontrar shows e casas do gênero em território nacional. É claro que tinham aqueles certos palcos e bandas que, quem gostava, era devoto. Mas eram poucos lugares e bandas. Bem poucos. Principalmente para quem não conhecia muito do assunto, mas queria conhecer. Dada as opções escassas, os fiéis mesmo assim consumiam esse universo, fazendo da música um movimento, e do movimento um estilo de vida.

Anos passam e a massa de seguidores ganha gordura. O que antes era um inferninho no Centro com vinte almas perdidas assistindo um power trio de punks que teve que pedir carona para chegar na casa onde iria tocar, agora virou um espaço com capacidade para centenas que estão vendo suas bandas favoritas no palco em um festival que reúne nomes americanos, australianos, japoneses, ingleses, argentinos, etc. Hoje, isso parece normal com o punhado de eventos no Brasil que abriram espaço para o gênero, como Lollapalooza, Maximus Festival, Rock in Rio e muito mais, mas para chegar onde estamos muitos quilômetros foram percorridos e muita caloria foi queimada. E apesar dos problemas que vieram juntos com essa "globalização" - preço alto, lotação, falta de ingressos, preço alto, cerveja cara e preço alto -, não dá para negar que é melhor ter esses shows do que não ter, já que assistir todas essas bandas, com essa frequência, era algo impossível no país uns anos atrás.

E é pensando nessa valorização do circuito que a Solid Music Entertainment nasceu em 2010: com o propósito de fortalecer o nosso panorama punk/hardcore trazendo grandes nomes para o solo tupiniquim. Se você gosta desse tipo de som, mas nunca ouviu em falar na agência, pelo menos você sabe de alguns trabalhos de sua autoria - já trouxeram o Satanic Surfers, Comeback Kid, Ignite, MxPx, Rufio e ninguém mais, ninguém menos que Descendents. Ano passado, a agência também foi responsável pelo We Are One Tour, festa que reuniu Lagwagon, Belvedere, Mute, Adrenalized e Atomic Winter no palco do Carioca Club.

Gustavo Simarro, CEO da Solid, conversou com o Azoofa sobre a próxima edição do We Are One, a importância de festivais desse tipo no Brasil e como é trabalhar com bandas de punk rock e hardcore.

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Azoofa: Alguma novidade para a próxima edição do We Are One Tour?

Gustavo Simarro: Muito obrigado, pelo espaço pra divulgação da tour do We Are One. Sim, temos novidades, algumas delas são: o número de bandas, dessa vez temos 5 bandas, sendo 3 delas americanas, 1 canadense e 1 australiana. Também na edição de 2017, teremos a entrada de Porto Alegre e de San Jose, na Costa Rica, para rota We Are One. Os ingressos dessa vez serão mais baratos, o ano passado devido ao aumento do dólar nós trabalhamos com os ingressos entre R$80 e R$120, e agora estaremos com os ingressos entre R$70 e R$100, e a opção combo, que todo mundo vai poder adicionar uma camiseta do festival/tour na compra do ingresso por um valor muito barato, retirando a camiseta no dia do show!

Conte um pouco sobre a concepção do festival.

Na verdade, a ideia do We Are One começou entre cinco produtores sul americanos em 2015. A ideia era trazer um número de bandas underground de skatepunk/hardcore/punk rock e fazer com que essa turnê chegasse com uma força e nome não só no Brasil, mas dentro da América do Sul toda, e com a edição do ano passado foi algo que a gente conseguiu.

A ideia é fazer com quem é da cena veja o maior número de bandas com um ingresso relativamente barato e saia do show se sentindo realizado, feliz e esperando a próxima edição, semelhante como acontece nos EUA e na Europa.

Qual é a importância de festivais como esse para a cena underground brasileira?

Eu acho extremamente importante colocar não só o Brasil, mas a América do Sul/Latina dentro do mapa para todo o tipo de banda de rock/punk/hardcore, seja underground ou não. Eu acredito que nós, latinos, merecemos o mesmo tanto de entretenimento que qualquer outra pessoa de qualquer lugar do mundo, seja ela americana, européia ou australiana. O Brasil, a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Peru, a Costa Rica, o México, tem potencial e força pra fazer com que festivais e grandes tours aconteçam de forma positiva, é só a gente agir junto que o resultado sempre vem! A prova é Lollapalooza, Maximus, etc.

Bandas nacionais e internacionais de punk rock/hardcore estão ganhando mais espaço em grandes eventos aqui no Brasil, como o Lollapalooza, algo improvável 15, 20 anos atrás. Além de festivais como o We Are One Tour, quais outras formas de divulgar essas bandas para o grande público?

Sim, e eu acho que vai ser sempre assim de agora pra frente, eu acho que a força da cena punk rock/hardcore esta mostrando isso, e quando as grandes produtoras vêem que dá pra fazer dinheiro com isso, daí a coisa fica mais ‘’mainstream’’.

A internet vem sendo sempre a melhor forma de consumir qualquer produto de qualquer banda, de qualquer tamanho! Eu pelo menos acho que trazer bandas menores pra fazerem tours com bandas maiores é sempre a melhor forma de continuar esse ciclo e de divulgar a galera da nova cena/geração. No próprio We Are One nós vemos isso, temos 2 bandas grandes e fortes, e temos 3 bandas menores e mais novas, porém também fortes e de uma qualidade musical imensa. Dar espaço pra galera mais nova é a melhor forma de continuar todo esse trabalho. Eu ouvi uma frase de uma grande tour manager que disse: “A banda de abertura de hoje vai ser o headliner de amanhã”, e eu totalmente concordo e acredito.

Além da Solid Music, não existem muitas outras produtoras que trabalham com punk/hardcore. Por que trabalhar com esse gênero aqui no Brasil?

Eu não creio que existam muitas, porém existem boas. A Powerline, de São Paulo, que fez H2O é uma grande empresa, esta fazendo o Tiger Army, faz punk rock/hardcore... o Hangar 110 sempre fez grandes shows de punk rock e hardcore, a Liberation também, etc. Porque é o que nós amamos e escutamos.

6. Quais as principais vantagens e desvantagens em promover o rock aqui no Brasil?

Algumas coisas funcionam de forma bem menor do que nos EUA e Europa, e algumas bandas esperam que funcione da mesma forma, eu acho que isso seria a desvantagem. A vantagem é fazer o que a gente gosta de forma simples e real.

7. Entre os maiores nomes do punk/hardcore, a maioria já se apresentou em território brasileiro. Qual banda/artista que nunca veio e vocês gostariam de trazer para cá?

Much The Same é uma banda de punk rock bem legal de Chicago que nunca veio e seria bem legal ter eles em uma tour na América do Sul.

8. Com o anúncio do encerramento das atividades do Hangar 110, como você avalia as casas e espaços para receber essas bandas no Brasil?

O Hangar 110 é um local clássico, lendário, que jamais será esquecido. São Paulo tem grandes casas de shows, é uma pena o Hangar 110 fechar, porém eu não acredito que a cidade ficará sem shows por isso. A Clash Club é uma casa fantástica, o Stage Pub também é uma casa bem legal, tem duas casas abrindo agora na segunda parte do ano, pra 800/1000 pessoas que consegue fornecer estrutura necessária pra esses shows, e é claro, o Carioca Club e Tropical Butantã são casas ótimas de se trabalhar!

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