Playlist PONTE AÉREA, por Fióti

Workholic. Talvez esta seja a melhor definição pro Fióti vindo daqueles que o conhecem de longe. Eu conheço o Fióti de perto e apesar de saber e ver o quanto ele trabalha, também posso garantir que generosidade o define melhor. Empresário muito bem sucedido e artista talentoso, Fióti vem ao Rio essa semana pra apresentar seu show “Gente Bonita”, homônimo ao primeiro EP que ele lançou no ano passado.

Acompanhado por sua banda (Monica Agena, guitarra; Fejuca, violão e cavaquinho; Louise Wolley, teclado; Sivuca, bateria; Rodrigo "Digão", baixo; Carlos Café, percussão e Edy Trombone, trombone), o músico se apresenta dia 4 (terça) no Sesc Ginástico e dia 5 (quarta), no Sesc Copacabana. Os shows marcam não só o retorno de Fióti à cidade - que ele adora, diga-se de passagem! - após a elogiada estreia no Circo Voador, em fevereiro, mas também um encontro especial na carreira do artista; ele receberá Mônica Salmaso como convidada nas duas apresentações.

Se estiver no Rio, não perca o show - #ficaadica. Fióti é um grande artista e seu repertório é daqueles que se ouve no repeat. Aliás, ouvir música é uma das coisas que ele mais gosta de fazer e como vive entre um voo e outro, pra dar conta de todos seus compromissos profissionais, pedimos à ele que indicasse OITO músicas pra nossa playlist PONTE AEREA. Aproveitei e bati um papo com ele porque agora que moro em Lisboa, estes momentos tornaram-se mais raros. Divido com vocês.

Ah, vale lembrar que o Sesc Ginástico fica na Av. Graça Aranha, 187, no Centro do Rio e o Copacabana na rua Domingos Ferreira, 160. Os ingressos custam entre R$ 6 e R$ 25.

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Fabiane Pereira: "Gente Bonita" é seu primeiro EP. Em 2017, vem disco novo por aí?

Fióti: Foi o primeiro trabalho de estúdio que produzi e estou bem satisfeito com os resultados que ele tem me trazido. Vou gravar dois singles em abril e lançar ainda no primeiro semestre. Não penso em fazer um disco para esse ano porque estou me entendendo musicalmente, aprendendo e experimentando muitas coisas nessa nova fase da minha vida, quero amadurecer mais meu lado musical antes de colocar um disco com novas composições na rua. Acredito que em 2018 devo encaminhar esse projeto, para esse ano acho precipitado, quero ir com calma, se o EP tem me rendido momentos tão bons e me levado a tantos lugares, eu quero que ele possa me levar ainda mais longe antes de lançar um novo projeto inédito.

Foi difícil passar um EP de seis músicas pro palco e transformá-lo em um show de aproximadamente uma hora e meia?

Foi um processo intenso e de pesquisa musical, fazia quase 10 anos que eu não tocava ao vivo e, na verdade, eu já havia tocado em bares pela capital mas nunca tinha feito show, quando eu pensei em gravar o EP era uma forma de expressar meu lado musical e um lado mais sensível meu me disse que eu precisava colocar esse trabalho na rua, não havia pensado que as pessoas iam querer ver um show meu, parece bizarro dizer isso, mas não me via em cima do palco, enquanto a gente gravava os músicos foram perguntando como seria a tour e os shows e eu falava "gente, uma coisa de cada vez, vamos terminar o EP e colocar ele na rua...rs". Quando concluímos o trabalho e disponibilizamos para o público, comecei a receber muitos feedbacks positivos e pedidos de show, então sabia que seria um processo complexo pelo tanto de tarefas que preciso dar conta hoje. Planejei o inicio da tour para 5 meses após o lançamento e então pensei em um repertório que incluía as músicas do EP, algumas inéditas e também músicas que marcaram alguma fase da minha vida. Tem música em inglês, português, criolo cabo verdiano e francês, tentei montar algo que me representasse musicalmente, que as pessoas pudessem assistir e entrar comigo nessa viagem musical, explorando ritmos e artistas que de alguma forma me influenciaram.

O que uma música precisa ter pra te conquistar como intérprete? 

Essa pergunta é muito boa porque eu me considero eclético, emociono com Miles Davis, canto com Turma do Pagode, choro com Djavan...rs. Música para mim precisa ter sentimento, se eu me emociono, tenho vontade de dançar, cantar ou sorrir, a música ali já cumpriu o papel dela. Foi pensando nisso que escolhi algumas canções para esse repertório do meu show.

O que os cariocas que forem aos seus shows no Sesc Copacabana vão encontrar além da participação luxuosa da Mônica Salmaso? 

O Rio de Janeiro é uma cidade muito querida na minha vida, adoro a energia dos cariocas e desde que lancei o EP, o Rio foi a segunda cidade que mais pediu por uma apresentação minha. Fizemos o show de lançamento no Circo Voador ao lado do Emicida e tive a oportunidade de ser convidado para cantar semana retrasada no Galpão Gamboa no evento da Rider. Ambos os shows tiveram uma energia incrível. Quero que as pessoas venham preparadas para rir, chorar, refletir e acima de tudo se divertir.

Vai ser um momento muito especial da minha vida, eu tive a oportunidade de dividir o palco com a Mônica Salmaso quando eu tinha 15 anos, na ocasião eu estava aprendendo a tocar violão no projeto do governo para jovens de baixa renda chamado "Projeto Guri". De vez em quando fazíamos algumas apresentações com artistas grandes e foi em uma dessas que tive a oportunidade de conhecer a Monica e mergulhar no seu repertório, para além da musicalidade ela me sensibilizou com a humildade e carinho com que nos tratou naquela ocasião, aquilo foi algo que mexeu comigo, ela foi muito educada, atenciosa e isso me marcou. Não imaginei que um dia encontraria a Monica novamente, muito menos no palco, isso nunca passou pela minha cabeça, ter a oportunidade de dividir o palco com ela sendo que não tenho ainda nem um ano de carreira...rsrs Vai ser um luxo como você mesmo disse ai acima.

Ela, pra mim, é uma das maiores cantoras do Brasil e o que posso adiantar é que vou chorar, porque cantar com ela vai mexer profundamente em memórias importantes e momentos difíceis da minha vida. Espero que as pessoas curtam o que estamos preparando para essa noite, escolhi músicas do repertório dela que marcaram minha vida. Resumindo, tô feliz e só posso agradecer por essa oportunidade.

Você viaja muito seja por ser empresário do Emicida e do Rael, seja pra se apresentar como artista com seu show "Gente Bonita". O que não pode faltar na sua mala?

O que não falta na minha mala é carregador de bateria extra para celular. Se a bateria acabar as pessoas me matam, é muita gente trabalhando comigo, não consigo ficar incomunicável por muito tempo! rsrs!

Fióti por Fióti em poucas palavras.

Gente, que pergunta difícil. Eu acho que eu sou duro, mas extremamente sensível também, a depender do dia e das pessoas. Sou muito sensitivo e tenho bom pressentimento.

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Quem escreveu
Fabiane Pereira

 Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro MPB, e atualmente comanda o boletim Faro Pelo Mundo. 

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