Letícia Novaes prepara disco novo e precisa do seu apoio

Letícia Novaes, integrante da já saudosa banda Letuce, está preparando seu primeiro disco solo. Letícia é daquelas artistas que inspira. Além de cantar e encantar, ela ainda atua (aproveito pra recomendar o filme "Qualquer gato vira lata", garantia de boas risadas!) e escreve (Zaralha: abri minha pasta). Sim, ela faz de tudo um pouco e ainda tem um metro e oitenta de altura.

Letrux em Noite de Climão é o nome do disco que será produzido por Gui Carrera, Arthur Braganti e pela própria Letícia. "Estamos nós três nos entendendo nessa função, cada um colabora com o que mais sabe e mais tem noção. Depois de três discos do Letuce, quis arriscar estar mais presente e Arthur e Carrera são músicxs maravilhosxs", explica Letícia. Após quase 10 anos à frente de uma das bandas mais bem sucedidas da nova safra musical carioca, a artista propõe um trabalho que reflete  suas diversas verves.

Conversei com a Lelê sobre este financiamento coletivo e divido este papo aqui no Azoofa. Ahhh, até o dia 21 de abril, você pode contribuir e ajudá-la a colocar este disco no mundo através do site www.catarse.me/letrux. Boralá?

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Fabiane Pereira: O que levou você a fazer um financiamento coletivo?

Letícia Novaes: Não ter passado em alguns editais e não ter grana suficiente para bancar o disco do meu bolso. Já tinha feito outros 2 crowdfundings, temi muito fazer o terceiro, o formato mostra alguns desgastes, enfim, mas não tinha outra solução. Ou eu fazia o financiamento coletivo ou eu não gravava um disco do jeito que eu quero.

Como vc pensou as "recompensas"?

Por ser uma pessoa multi (risos), tentei juntar todas as mirabolâncias da minha vida nas recompensas. É sabido que estudo astrologia e já fiz alguns mapas, é sabido que faço reiki, então coloquei lá a "Hora mística". Ano passado fiz alguns showraus (show+sarau), onde eu tocava violão e ia lendo uns poemas do Zaralha, meu livro. Aí, coloquei na recompensa também (já até paguei dois!!!). Acrescentei um picnic que é algo que coloquei no crowdfunding do Letuce e foi o maior barato e eu sou o tipo de pessoa que ama picnics. Tem show, pocket show, tem entradas para a estreia com visita ao camarim, com comes e bebes. Pensei em situações reais que seriam prazerosas em pagar. Fico feliz que as pessoas estejam animadas.

O que vc já pode adiantar do seu 1o disco solo?

São 12 ou 13 composições autorais. Vai ser um disco pra dançar, gargalhar e chorar, que é um pouco reflexo dos tempos que correm, não? Ainda tenho alma rockeira, mas há composições mais dançantes e vez ou outra rasgo a voz. Rolam músicas de 2012, como "Artes plásticas" e há coisas novíssimas como "Que estrago", que fiz com Bruna Beber semana passada. Como ainda não gravamos fica difícil definir assim porque sou muito aberta a entrar no estúdio e deixar as coisas fluírem também. É claro que temos vontades e direções, mas um estúdio é um lugar de muita permissividade e tudo pode acontecer.

Vai rolar no disco alguma faixa em parceria com o Lucas Vasconcellos?

Lucas e eu fizemos uma canção bem engraçada e trágica ao mesmo tempo pensando numa situação que eu joguei na roda da composição. Deve entrar sim. Ficou bem legal, ele deve participar também, gravando guitarra nessa faixa.

Por que "Letrux em noite de climão"?

Sou antes de tudo, voltada para literatura. Em determinado momento percebi que fazia música, mas sou mais apegada à letras do que arranjos, enfim. Tenho extrema preocupação com títulos e letras. Há uns 2 anos, Arthur e eu fizemos o projeto "Tru & Tro com sua Corja em Desfrute ou Frite", onde eu matei a saudade de ser atriz. Ali reacendi uma vontadezinha de misturar teatro e música. Quando as composições do novo disco foram surgindo, me percebi uma personagem. Sei que as pessoas amam que eu cante verdades da minha vida, mas há que se colocar no lugar dos outros e cantar outras visões também. E eu fiz isso. Me vi numa noite climática, densa, me vi numa saga desastrosa romântica que dá e não dá certo, me vi chorando, mas me vi dançando muito. Dançando e chorando. Passei meses pensando num nome pra mim. Os amigos deliravam: "Letícia Di Capricórnio", a gente morria de rir, mas logo voltava a dúvida. Letícia Novaes sou eu real (risos). Eu escritora, eu atriz, talvez. Meu nome de cantora não é esse porque há uma incorporação, de alguma maneira. Empresto meu corpo, minha voz pra outras sensações também. Então um apelido sempre me pareceu melhor. Desde que Letuce virou o nome da minha banda e era meu apelido, alguns amigos começaram a me chamar de Letrux, Trux. É meu nome no whatsapp desde o primeiro dia de whatsapp. De repente eu estava dando voltas, pensando no sobrenome da minha bisavó, pra ver se era usável, quando na verdade o nome sempre esteve próximo. Letrux. Variações. Todos os meus trabalhos tem o radical do meu nome que é LET. Que significa "to allow something to happen", permitir que algo aconteça. Me identifico muito, eu sempre permito que as coisas aconteçam. Então é isso, há um climão, há uma densidade, há um lugar de desconforto talvez (não estou aqui para agradar, estou tratando umas feridas, uns devaneios), mas há esse lugar de permissão.

Você além de cantar e compor, também atua e escreve. Como estes atravessamentos influenciam seu modo de ver e fazer arte?

Respondi a pergunta de cima sem ler essa, rá! Pois sim, antes de tudo aprendi a ler e lembro do barato da aula de alfabetização, com 6 aninhos. Não teve volta. Quero escrever mais livros, há de sair um no final do ano, tomara. Atuar é algo mais raro pois por conta da música acabei saindo um pouco do circuito teatral (que demanda muito da vida, peças de quinta a domingo, não daria pra fazer show etc), mas sinto saudade, há umas caraminholas na minha cabeça em relação a isso também, mas é tudo bem embrionário ainda. Por enquanto o disco novo e """solo"""" tem sido meu foco mesmo.

Letícia Novaes por Letícia Novaes?

Caótica querendo ser cósmica.

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Quem escreveu
Fabiane Pereira

 Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro MPB, e atualmente comanda o boletim Faro Pelo Mundo. 

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