Playlist LEGIÃO URBANA, por Lucas Vasconcellos

A primeira vez que vi/ouvi Lucas Vasconcellos foi num palco no extinto (e saudoso) Cinematheque com sua ex banda, Binário. Na ocasião, "pirei" no som e "aluguei" o Lucas por horas depois do show (lembra? rs!). Os anos passaram e seu talento foi crescendo à medida que ele ganhou visibilidade e ajudou a fomentar e a propagar a produção musical carioca deste início do século XXI.

Cantor,  compositor, multi instrumentista, produtor musical e também ex integrante da Letuce, Lucas Vasconcellos antes de rodar o Brasil ao lado dos músicos-ídolos da lendária banda Legião Urbana em sua mais recente turnê, ainda lançou três discos solos: Falo de Coração, Adotar Cachorros e Silenciosamente.

A verdade é que Lucas nunca foi afeito aos caminhos fáceis e seguros. Seja em sua banda seminal, Binário, onde a improvisação dava o tom, seja pelo duo Letuce com sua poética desconcertante ao lado de Letícia Novaes, ou em seus outros trabalhos como produtor e compositor. Artista prolífico, Lucas vem direcionando sua música para esferas variadas, produzindo trilhas sonoras para cinema, teatro e TV, e contribuindo em álbuns e projetos de vários artistas.

Não sou muito nostálgica apesar da minha lua em touro. Mas sinto muita saudade de ver o Lucas nos palcos e de papear com ele numa mesa de bar regada a cerveja. Como a vida muda e o tempo está curto, usei a internet para diminuir nossa distância física e por email, pedi ao Lucas que respondesse as perguntas abaixo. Aproveitei e pedi também que ele indicasse suas OITO músicas preferidas da Legião pra nossa playlist mensal.

Tenho certeza de que a escolha não foi fácil, afinal, estamos falando da maior banda do pop nacional...mas pedindo com jeitinho, sempre rola, né?

Agora é com você: aperte o play!

***

Fabiane Pereira: Como surgiu o convite pra você participar da turnê da banda Legião Urbana? Quais os shows inesquecíveis?

Lucas Vasconcellos: Eu já tocava com o Dado Villa Lobos há um tempo, o Estevão Casé me apresentou à ele. Quando surgiu a ideia dessa tour da Legião, eles precisariam de outro guitarrista e eu recebi esse convite incrível. Esse repertório fez parte da minha vida de um jeito transcendente à questão musical até. Era uma leitura da vida feita pela geração acima da minha, eles eram os nossos "professores". A gente ouvia aquilo e era um tutorial filosófico, político e comportamental de quem tinha esse perfil mais transgressor e contestador. E a gente procurava artistas originais nos quais pudéssemos nos espelhar no Brasil. Eles eram os "youtubers" da minha geração. Foi um ano e meio de viagens e nós nos divertimos demais. Pena que acabou. Era uma rotina maravilhosa e tudo era muito generoso, familiar e sem tretas.

Você já lançou três discos solos além dos discos lançados com a Letuce. Você já está pensando num novo registro fonográfico? Já tem algo que pode nos adiantar?

Eu to cada vez mais imerso no mundo prático de tocar instrumentos e gravar essa experiência sem exatamente haver um caminho predeterminado ou um planejamento detalhado que antecede essa performance. Gravar isso e depois sentir o que aconteceu, decupar, modificar. Vou certamente até o fim do ano ter um material resultado dessa onda. Também voltei a escrever mais. Eu me mudei pra uma casa na serra, na qual meu estúdio vai ficar mais adequado a essa prática. Vai ser um ano em que vou me dedicar a essas gravações num ambiente mais afastado da correria da cidade. Eu me sinto bem com meus instrumentos. Acho que eu não cresci nesse aspecto. Meu lazer ainda é igual ao de uma criança: me cercar de brinquedos e inventar uma estória. O bom é que isso virou meu trabalho.

Você também é um dos mais ativos produtores musicais da nova geração. Qual o segredo de um bom disco?

Respeitar o sonho do artista que está te contratando. Escolher a melhor equipe possível, fazer o melhor registro possível e fazer o possível pra pessoa sair dessa experiência tendo a sensação de que materializou aquela emoção que fez ela querer gravar um disco. Um "bom" disco é parecido com o desejo de quem quis fazer ele. Tem que ser bom pra essa pessoa. Se for além, melhor ainda.

Quais artistas que influenciaram você (ou continuam influenciando) e, consequentemente, seu processo artístico?

To muito encantado por sons que se aproximam de narrativas mais cinematográficas, que tem uma origem eletrônica mas que utilizam ambiências, conversas, sons da natureza e desconstroem aquele cenário de quadratura. Meu próximo trabalho vai trazer isso com muita força. Tenho escutado com muita atenção o KinKid, que faz um som eletrônico muito refinado, dialógico com o mundo e sobretudo muito original. Também to muito viciado no disco "Space Is Only Noise" do Nicolas Jaar. Assisti a Bel Baroni ao vivo e gostei muito.

Como está a agenda? Quais são os planos pro segundo semestre de 2017.

Agora em maio eu toco na Virada Cultural de SP no domingo, dia 21, 11h no jardim do CCSP.

No dia 25 de maio, próxima quinta, faço um concerto na Etnohaus, no Rio, onde vou construir paisagens sonoras em tempo real e a audição do público vai se alternar entre fones de ouvido, sub graves e o som das caixas do PA. Tudo no escuro total.

Quanto aos planos pra esse segundo semestre de 2017: viver mais perto da natureza, ouvir mais o silêncio, tentar direcionar minhas produções pra esse ambiente, ficar mais dentro e perto das escolhas, coisas e pessoas simples.

Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

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