CORAGEM é o novo trabalho da banda Baltazar

Depois de lançar o EP "Pressa" no ano passado, a banda carioca Baltazar formada pelo quarteto Pedro Mib (guitarra e voz), Eric Camargo (guitarra), Jota Costa (baixo) e Pedro Tentilhão (bateria), acaba de lançar seu segundo trabalho, o EP "Coragem", lançado apenas no formato digital.

"Coragem" traz seis faixas produzidas pelo expert Daniel Carvalho no estúdio Maravilha 8. Canções de rock-groove mareado, na definição do quarteto, com imensa unidade estética entre as canções. O primeiro single, de autoria de Pedro Mib, também abre o novo trabalho e é a resposta para quase tudo na vida além de representar bem a tendência baltazariana de ser: forte e suave, simultaneamente e na medida. Na canção do jovem compositor, a reflexão que a música provoca afeta a qualquer um de nós em algum momento da vida. Atire a primeira pedra quem não se identifica com os versos "Esse tal medo ainda impede / De me fazer completo, inteiro" numa sociedade que nos impõe um conjunto de regras que, muitas vezes, nos colocam num estado de dormência mental e afetiva.

Em "Amarelo", canção que vem a seguir, de autoria do Eric Camargo, faz um passeio abstrato sinestésico pelas reflexões de um dia que amanhecia, antes do sono da noite anterior chegar. O embrião da música foi composto dedilhando no violão e, no dia seguinte, a canção tomou forma no piano. "Impressão" é a mais antiga das composições. Escrita em 2013 também por Eric Camargo, a canção ganhou uma roupagem mais rock'n'roll na gravação de 2016. É uma balada romântica mais grooveada com boas doses de insegurança.

"Ninguém" é a quarta faixa do disco "Coragem" e é um apanhado de reflexões sobre as idas e vindas da vida destes quatro jovens artistas. Seu processo de criação foi daqueles insistentes. "Primeiro veio o tema central, que não saiu da minha cabeça por semanas. O restante surgiu de uma só vez, algumas semanas depois, enquanto estava deitado numa rede durante uma viagem", explica Eric Camargo, autor da música.

>Em "Inócua", mais uma vez, os músicos do Baltazar falam dos desencontros amorosos e da confusão mental que eles proporcionam. A canção,mezzo balada, mezzo pop, é a faixa mais dançante do trabalho e traz citações de algumas músicas compostas por outros grandes artistas. Tais versos potencializam a sensação de desconforto - um quase desespero - de Jota Costa ao escrever seus versos e dão voz à sua geração.

A última faixa do novo trabalho do Baltazar será lançada só um mês após o EP chegar em todas as plataformas digitais como uma espécie de "bônus track". "Noturna", também composta por Jota Costa, fala dos encontros e desencontros da vida. Os estranhamentos causados por ruídos que, na maioria das vezes, não identificamos. É música pra cantar junto e aumentar a voz durante o refrão.

Depois de colocar os pés na beira d'água com o primeiro EP, "Pressa", o Baltazar mergulha fundo ao explorar novos timbres e desenhar com mais segurança sua identidade musical em "Coragem". As letras das seis canções do disco, como o trabalho anterior já apontava, são um super-trunfo da banda, que surpreende ao costurar versos de canções populares, evidenciar as dúvidas da sua geração e ao flertar com o Clube da Esquina.

***

Como é o processo criativo de vocês?

Pedro Mib: Considero o nosso processo criativo bem colaborativo. As músicas são compostas no violão. Levamos pro ensaio e apresentamos aos demais: harmonia, melodia e letra. A partir daí nós 4 começamos a tocar já na formação baixo, guitarras e bateria. Todo mundo sugere e opina, independente de quem tenha levado a canção ao ensaio. Procuramos conduzir o arranjo da forma como sentimos cada música, deixamos ela nos guiar e apontar o caminho.

O que o EP "Coragem" tem de diferente do EP "Pressa"?

Pedro Tentilhão: Sobretudo, acho que o mais diferente entre o processo do EP "Pressa" e o "Coragem" é nossa experiência de estúdio. O "Pressa" funcionou muito mais como uma feliz descoberta do que é se gravar. Já o "Coragem" tem uma unidade estética e sonora mais concisa, que certamente foi alcançada com a primeira gravação. Ele também é mais pesado e "sujo". Ele é mais fiel com o tipo de som que fazemos ao vivo hoje.

Pra quem nunca ouviu o som do Baltazar, como vocês se auto definem?

Jota Costa: Então, nosso som é um caldo enorme de misturas. Como as influências de cada um são muito distintas, cada música acaba pedindo um caminho, uma pitada a mais disso ou daquilo. Em "Inócua" tem um trecho que chamamos de Caribe. Em "São Salvador", os sopros que dão o tom do formato gafieira. Enfim, os arranjos tentam valorizar as composições em seus próprios universos, sem se preocupar com um ritmo, um gênero genérico - vejam só! - para rotular as canções.

Como está a agenda do Baltazar e quais os planos pro 2o semestre do ano?

Eric Camargo: Agora que lançamos o "Coragem", nossa meta é defendê-lo pelos 4 cantos. Já temos show marcado para próxima quarta, dia 24, na PUC-Rio e estamos agendando os próximos. Estamos fechando também agenda em outros Estados. Se tudo der certo, colocaremos o pé na estrada no começo do segundo semestre. Mas além dos shows também estamos finalizando algumas outras surpresas que lançaremos pelos próximos meses. Em breve vamos ter mais novidades nas plataformas digitais e redes sociais.

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Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

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