Playlist PAULISTANA do Tim Bernardes

Saiu a playlist com a cara de São Paulo feita por Tim Bernardes,

Foto: Fabio Politi

O começo, os recomeços e a PLAYLIST paulistana de Tim Bernardes

 

 

Conheci Tim Bernardes há uns anos, quando ele lançava seu primeiro disco, ao lado de sua banda, O Terno. Foi Verônica Pessoa, empresária e amiga querida, que nos apresentou. Meses depois, o entrevistei no FARO e o encantamento inicial virou paixão avassaladora pós bate papo. Como é talentoso esse guri!!

 

Mas Tim me conquistou pra sempre quando fomos, juntos, tomar um banho de mar numa tarde quente de verão carioca. Estávamos eu, ele, Verônica, Guilherme d’Almeida e Biel Basile - seus companheiros de banda. Faziam uns 45 graus (com sensação térmica de 50). O mar do Arpoador estava geladinho, propício para mergulhos refrescantes. Eis que pergunto ao Tim: "Diz aí, o Rio é ou não é bonito?". Tim vira-se pra mim, meio tímido, e responde: "É bonito mas eu prefiro o MASP".

 

Tim Bernardes é paulistano da gema. Gosta de São Paulo e muito da sua criação é inspirada pela maior cidade do Brasil. Recentemente, lançou seu primeiro disco solo. Já era esperado porque talento transborda e uma banda seria pouco para escoar tanta criatividade mas "Recomeçar" é daqueles discos que nascem antológicos.

 

Sem os companheiros de banda, Tim se "internou" por três meses ininterruptos no estúdio Canoa e despiu-se dos personagens freak. Voltou o olhar para dentro e gravou violões, vozes, guitarras, baixo, bateria, piano e outras bugigangas. Tudo sozinho. "Recomeçar" chega com treze faixas íntimas e emocionais. Tim Bernardes interligou e costurou as canções inéditas. Os arranjos orquestrais de cordas, sopros e harpa foram todos escritos por ele – à la Brian Wilson brasileiro. Desta forma, criou uma unidade sonora, caminhos e assuntos que dão ao álbum uma sensação cinematográfica ou de uma grande peça com narrativa.

 

Com 25 anos, o artista é considerado um dos grandes compositores de sua geração - eu diria que o maior. As letras do álbum de estreia-solo (O Terno continua muito bem, obrigado!) são reflexões bastante solitárias de um jovem dos anos 2010, pensando e buscando caminhos e percepções sobre a vida, entre desilusões amorosas e esperanças pelo começo de novas estruturas.

 

Bati um papo por email com Tim. Estou em Lisboa e ele em Sampa então o email foi o meio que encontramos para conversarmos. Mas espero, em breve, recebê-lo no FARO novamente. Ahhh, claro, pedi que ele me indicasse MÚSICAS para nossa PLAYLIST do mês que não poderia ter outro tema senão SÃO PAULO. Divirta-se!!

 

FABI: Você tem sido apontado pela mídia especializada como um dos melhores compositores da sua geração. O que inspira suas composições? E como costuma ser seu processo criativo?

TIM: Não tem muito uma regra no meu jeito de compor. Não é algo que eu posso sentar com uma folha na minha frente e tentar fazer que não necessariamente vou conseguir fazer. O que eu sinto é que, de alguma forma, tudo já foi dito. O grande barato é a forma como você vai dizer e fazê-lo de uma forma interessante, com sagacidade; uma verdade. Mesmo que falando de amor ou da história mais velha do mundo, colocar um ponto de vista que vai ser diferente de alguém que compôs em 1960, 1980 ou no ano passado. Então meio que qualquer coisa que me pesque o interesse me inspira. Quanto ao processo, vem a música e a letra normalmente eu faço junto, mas não necessariamente. É um processo empírico de ficar muito atento, de querer realizar, mas estar aberto a todo tipo de processo.

FABI: Suas letras tendem a melancolia - tanto n'O Terno quanto em Recomeçar. Você acredita que a vida imita a arte ou esta melancolia só "atravessa" você na hora de compor? E ainda sobre atravessamentos, o quanto "Recomeçar" tem de autobiográfico?

TIM: O "Recomeçar" tem muito de autobiográfico. Mesmo quando não estou literalmente contando fatos que aconteceram comigo, tô sempre falando de algo que eu realmente senti. É um disco muito pessoal, com pensamentos que eu tenho pra minha vida, sentidos por causa de alguma situação. E eu tive vontade de juntar tudo em um disco só, porque, ainda que fosse pessoal, ele também é muito assimilável por outras pessoas. Eu escrevi como senti, mas qualquer pessoa pode sentir também; são temas e sentimentos muito universais. A vontade de fazer o disco é também de que não faria sentido escrever só pra mim.

Não diria que eu sou uma pessoa melancólica. Gosto muito de música que tem além de uma tristeza, beleza – não focada na deprê. Mas mistura muito de arte e vida. Meu foco total no dia a dia é a música, então eu coloco tudo que eu penso e sinto.

FABI: Você sente dificuldades em passar o disco pro palco? Se sim, quais as principais dificuldades. Se não, como é costurado o roteiro do show de uma banda com três discos já lançados?

TIM: Cada disco propõe um desafio diferente pra você passar ele para o palco. O "Melhor do Que Parece", por exemplo, gravamos a estrutura nós três, mas depois colocamos outras coisas – cordas, sopros, etc. – e queríamos levar um pouco disso para o vivo. Com "Recomeçar" a ideia era outra; queria fazer o disco cheio de elementos, ainda que sempre tentado soar minimalista, mas no show eu fiz ele totalmente sozinho – até para contrapor com O Terno. Às vezes a proposta do disco é o reproduzir da maneira mais fiel possível, às vezes é um meio-termo, às vezes é pensar o show como um novo momento.

FABI: A última canção do disco é a que dá nome ao álbum. A última frase desta música é "a dor do fim vem pra purificar". Quais as limpezas que a finalização deste álbum, começado de certa forma há anos (considerando a criação das músicas), lhe proporcionou pessoal e artisticamente?

TIM: Não sei bem dizer o que finalizar esse disco com canções que vinham comigo há tanto tempo significa, mas é uma sensação ótima. Tá sendo muito bom finalmente fazer canções que eu sabia que eram muito importantes pra mim com tempo, capricho e atenção. Ao mesmo tempo que eu estou muito mais exposto com elas, também estou sozinho pra receber a reação a essa exposição. O fato de as pessoas estarem recebendo muito bem é ótimo! Dá a sensação de que eu posso ser do meu jeito, sincero, e que tem quem goste de acompanhar.

FABI: Para finalizar, em que ou de que modo a cidade de São Paulo afeta o artista Tim Bernardes?

TIM: Eu tenho certeza de que se eu fosse de outra cidade do Brasil seria diferente. O contexto e o ambiente direcionam a algumas coisas – mesmo que o foco não esteja na cidade de São Paulo e ser paulista; gosto de tentar ser universal e poder fazer a música fazer sentido pra um paulista, alguém do Rio, de Natal... tanto faz. Mas tem um lance do meu dia a dia aqui, andar e pensar andando por aí. São Paulo não tem praia e, de certa forma, é tudo mais contido, mais vestido, e menos solto. Isso é refletido na música mais como uma característica que como uma coisa boa ou ruim. Mas só faria sentido eu ser daqui.

Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

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