ENTREVISTA: FABI PEREIRA FALA DO FESTIVAL FARO

A 6ª edição do Festival FARO acontece no dia 9 de março e vai contar com o Azoofa como parceiro!

Dentre metas e promessas que vem com mais um novo ano, o Azoofa decidiu sair da casinha em 2018 e ousar em novas empreitadas. Quando nossa parceira Fabi Pereira - idealizadora e apresentadora do programa Faro MPB, no Rio de Janeiro - falou sobre o Festival FARO deste ano e perguntou se não queríamos fazer parte dessa jornada, nossos olhos brilharam. E assim, o Azoofa entrou como parceiro de mídia e vai estar lá no Rio, dia 9 de março.

 

Com patrocínio da Natura Musical, essa 6ª edição do festival celebra uma década de existência do programa e vai reunir um line-up responsa: Liniker & Os Caramelows, Cícero, Carne Doce, Tim Bernardes, Letícia Novaes e Larissa Luz. E como estamos com o pé dentro do backstage, trocamos uma idéia com a Fabi, que também é uma das organizadoras do evento, sobre expectativas, a música brasileira de hoje, as dificuldades de realização e mais. Confira!

 

Dentro da cena atual que apresenta cada vez mais nomes novos, como funciona o processo de curadoria do festival?

 

Fabi Pereira: O início do processo é desesperador. São MUITOS novos e bons nomes surgindo e, infelizmente, nos veículos tradicionais - rádio, TV e impressos -, os espaços ainda são raros então é muito complicado e aflitivo escolher um nome e deixar outros dez de fora. Mas vale dizer que o Festival Faro é a extensão do programa FARO que, desde seu surgimento, é transmitido numa rádio comercial (vale ressaltar que as demandas de programação de uma rádio comercial são completamente diferentes de uma rádio pública) então a curadoria funciona muito em cima dos pedidos dos ouvintes e do editorial da rádio. Mas claro que eu também batalho pela inclusão de nomes que ainda não estão no radar dos ouvintes nem da direção artística da rádio. Durante todo o processo de definição do line up, a rádio SulAmérica Paradiso me deixou completamente à vontade para desenhar junto com a Natura Musical esta programação e esta liberdade foi muito importante para chegarmos a estas atrações.

 

Qual a expectativa para o festival? Quantas pessoas são esperadas?

 

Estou dizendo para as pessoas que quero que os ingressos do Festival FARO esgotem tão rápido quanto os do Rock in Rio (mezzo brincando, mezzo falando sério) porque isso demonstra a força e o interesse pelo evento. O Circo tem uma capacidade de 2200 pessoas então espero que tenhamos lotação máxima.

 

 

Pensando em todo o panorama musical independente do Brasil, como você avalia a importância de festivais como esse e outro eventos artísticos voltados para essa cena?

 

Os festivais são de importância fundamental para a construção, o fortalecimento e a disseminação desta "nova" cena que apesar de estar fora das grandes gravadoras já não é mais independente. Ao contrário, estão cada vez mais profissionais e autogestores. Além disso, é muito importante mostrar para o público e para as marcas que há muita arte sendo realizada fora do eixo Rio-São Paulo. Apesar do Festival Faro acontecer no Rio, quisemos que as atrações fossem também de outros estados para ajudar nesta promoção da cena. Os grandes festivais de música independente ainda geram renda através do turismo. E num país sério, cultura e turismo andam de mãos dadas com a educação. Como por aqui ainda estamos engatinhando nesta seriedade pública, busco ao lado de outros curadores promover um pouco de tudo isso através da ajuda de empresas privadas. Tradicionalmente, os grandes festivais lançaram nomes que hoje são artistas consagrados na música popular brasileira e acredito que estamos vivenciando um pouco disso novamente.

 

Para a realização de um evento dessas proporções é sempre importante contar com o apoio de parceiros e amigos. Como foi esse processo de buscar apoiadores, principalmente da Natura?

 

O processo de busca foi "relativamente simples": queria uma marca que entendesse e apoiasse a música brasileira. E não existe, atualmente, no Brasil nenhuma marca como a Natura Musical quando falamos em capacidade de envolvimento (marca/evento/artista) e diversidade sonora. Já disse isso algumas vezes e vou repetir sempre que puder: o que a Natura Musical faz pela música brasileira, o Ministério da Cultura deveria fazer e não faz. Eles mapeiam de forma ampla a diversidade musical brasileira através dos curadores dos seus editais. Sem o patrocínio da Natura Musical e sem o apoio de outras empresas privadas seria impossível realizar a 6a edição do Festival Faro por um motivo simples: a conta não fecha. A maior motivação de um curador de festival independente é a promoção da cultura local. Mas sem o incentivo financeiro de empresas que tenham a mesma sinergia, torna-se inviável. O Brasil é muito grande e os custos para, por exemplo, trazer pro Rio o show de uma banda goiana são altos. Alguém precisa pagar esta conta porque só a bilheteria do evento não consegue. Nossos maiores custos são de logística, por isso, para a edição de 2019 já faço um apelo: companhias aéreas, nos apoiem!

 

Existem grandes diferenças entre as cenas musicais do Rio e São Paulo na atualidade?

 

Acho que cada vez mais os artistas deste novo cenário estão se atravessando e minimizando quaisquer diferenças. E não falo só dos representantes da chamada "nova MPB" mas de artistas de todos os gêneros. Esta é uma geração que gosta de somar. Todos querem ser ouvidos através de sua arte e percebo que as "diferenças" que antes os afastavam, atualmente têm os aproximado e esse movimento é muito bonito e interessante.

 

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Lembrando que os ingressos já estão à venda, clique aqui.

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