PLAYLIST | Davi Moraes

Confira o bate-papo que a nossa colaboradora Fabiane Pereira teve com o cantor Davi Moraes, e de quebra ouça as Oito músicas que tem a cara da estação preferida da Bahia e do Rio!

     "Uma das cenas históricas e inesquecíveis do primeiro Rock In Rio, realizado em 1985, é a de um menino de 11 anos tocando com seu pai ritmos brasileiros como o chorinho e o frevo frente um público de centenas de milhares de pessoas na mesma noite em que se apresentariam grandes astros do rock internacional como Rod Stewart e Ozzy Osborne. O jovem guitarrista, que ali empunhava a chamada guitarra baiana e jogava seu corpo no mundo, era Davi Moraes." É desta maneira que o pesquisador Miguel Jost abre o texto do release de apresentação do álbum "Tá em Casa" do músico carioca, filho do novo e eterno baiano, Moraes Moreira.

 

     Davi é bom de prosa, tem riso fácil e sua sinceridade é desconcertante. Seu disco traz doze faixas sendo seis instrumentais. Uma parceria inédita com Adriana Calcanhotto, participações de Márcio Victor (Psirico), Maria Rita e Saulo Fernandes, colaborações de artistas de diferentes vertentes como Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Jacques Morelembaum fazem do álbum sucessor de “Orixá mutante” (2004) o trabalho mais pop do artista.

 

     Davi é, sem dúvidas, um dos músicos brasileiros contemporâneos mais atuantes e reconhecido do país e mistura, como poucos, a musicalidade carioca com a baiana. Por isso, pedi a ele que escolhesse OITO MÚSICAS com a cara da estação preferida da Bahia e do Rio pra nossa primeira playlist de 2018. Aproveitei e bati um papo rápido com ele.

 

     #ficaadica: na terça, 23 de janeiro, ele se apresenta na Casa de Cultura Laura Alvim dentro do projeto Música na Laura com FARO, às 20h. Se eu fosse você não perdia.

Fabi Pereira: Como as influencias sonoras ouvidas na sua infância influenciam o artista que você é hoje em dia?

Davi Moraes: Quando comecei a tocar, meu primeiro instrumento foi o Cavaquinho. Como sugestão de meu pai, não só pelo tamanho do braço do instrumento, que favorece para a mão de uma criança, como também pela adoração pelo Chôro e seus grandes instrumentistas. Fui desenvolvendo ali, no Cavaco, minha vocação para solista e ritmista. Uma de minhas maiores referências foi Waldir Azevedo. Ao mesmo tempo recebia em casa em Vinil os grandes lançamentos da CBS (gravadora de meu pai). Chegavam os lançamentos de Stevie Wonder, Earth, Wind & Fire e outros feras. Resumindo a história, o Cavaquinho e o Chôro foram determinantes na criação do meu estilo na Guitarra. Assim como aquele balanço Black já me emocionava desde muito novo. O que aconteceu foi que acabei batendo isso tudo e mais outras coisas no liqüidificador! (risos)

Hoje, esse resultado pode ser facilmente percebido no disco que acabo de lançar 'TÁ EM CASA'.

 

FP: Há várias parcerias no disco "Tá em Casa". Como foi o processo de criação deste álbum?

DM: Algumas foram músicas inacabadas que eu tinha no baú de meu home studio. Fui dando vida a elas, terminando as letras com parceiros, mandando uma pra um e pra outro... Foi incrível, músicas que estavam guardadas na gaveta saíram voando. Isso é muito gratificante no processo de parceria. Outras eu fiz mais recentemente, como a música título 'TÁ EM CASA', o bolero  'SÓ NÓS DOIS', antes instrumental, ganhou uma linda letra de minha parceira Adriana Cancanhotto... E assim por diante...

 

FP: Em seu disco, você reúne artistas de vertentes diversas e de diferentes regiões do país. Como foi pensada cada participação do disco? 

DM: Isso se deu de uma forma muito natural. Não foi muito planejado. Eu encontrei Manoel e Felipe Cordeiro em um festival, tocamos juntos. Existe uma tremenda identificação com o sotaque baiano de minha Guitarra e a da maravilhosa Guitarrada deles do Pará. Encontramos no Rio, no estúdio do Kassin (que também participa do álbum) e gravamos juntos. Foi uma alegria sem tamanho!

Aí veio Márcio Victor, na música em que eu citava o bairro dele em Salvador, que tem uma grande história na revolução rítmica que acontece hoje na percussão brasileira. Chamei Maria (Rita) para cantar o bolero comigo. Foram como sonhos se realizando e sendo registrados. Sou eternamente grato a todos!

 

FP: O que mudou no Davi que sonhava em ser músico para o artista consagrado que já tocou com os maiores nomes da música popular brasileira?

DM: Com toda a sinceridade, sou muito grato por fazer o que amo.Viver do que amo. Ter aprendido com meu pai e tantos mestres que tive a tratar a música com respeito e verdade. Muito antes de qualquer "glamour", a música vem de forma natural, do fundo do coração, e com toda gratidão e respeito aos que vieram antes e abriram as portas para os seguintes. Hoje vivo algo praticamente igual a tudo que sonhei na infância. Procuro continuar esse aprendizado e "pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto..."

Viva a música, sua infinidade, diversidade, e seus encontros mágicos! Sou grato a cada parceiro, a cada companheiro de estrada, a cada cidade, a cada Carnaval, a cada disco, a cada mestre, a cada nota...

É nessa que sigo e vou!

Quem escreveu
Fabiane Pereira

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. É apresentadora do programa Faro na rádio carioca SulAmérica Paradiso FM (95.7 FM).

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