Enzo Banzo lança 1º clipe de disco solo

Vocalista do Porcas e Borboletas fala do álbum Canção Escondida e apresenta o vídeo da música Sobre o Amor

Enzo Banzo, vocalista do Porcas Borboletas, deu seu primeiro voo solo no ano passado com o disco Canção Escondida. O disco traz 11 poemas musicados por ele. São versos de Camões, Drummond, Leminski, Arnaldo Antunes, Marcelino Freire, Clara Averbuck entre outros. O primeiro videoclipe do trabalho, o da música Sobre o Amor, acaba de sair.

 

A música é originalmente uma poesia escrita por Danislau, companheiro de banda de Banzo. Descontraído, o clipe traz cenas rotineiras para falar de amor. O diretor Felipe Ludovice conta que o roteiro e a escolha de onde gravar foram feitos a partir de uma conversa com o cantor, e daí decidiu-se dar destaque a essa persona do Banzo, fazendo quase um retrato dele.

 

"A letra é uma reflexão aparentemente ingênua, mas profunda, sobre os diferentes tipos e níveis de relacionamento. A ideia do clipe foi, ao invés de contar essa história de dois amantes, mostrar uma pessoa solitária, um lance leve e engraçado que não deixasse de carregar certa melancolia, uma melancolia bem-humorada", diz Banzo.

 

Abaixo você confere o novo clipe e o nosso papo com Banzo sobre o disco.

 

 

POESIA

Enzo Banzo é um homem das letras. "Em casa havia livros e discos antes mesmo que eu precisasse procurar por isso", conta ele. Filho de professora de português, ele tem um livro lançado em 2004, Poesia Colírica (Letramento), e acaba de se tornar mestre em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia (MG) com uma tese relacionando canções de Noel Rosa com a poesia de Oswald de Andrade.

 

"Eu sempre vi muita literatura nas canções: no Caetano & Chico e no Tonico & Tinoco que tocavam no som de casa, nos Titãs e no Cazuza que eu via na TV. Ouço canção como literatura, uma literatura que se canta e dança".

 

DOS LIVROS PARA O DISCO

"Os poemas é que me escolheram", diz Banzo sobre o repertório de Canção Escondida. Para o músico, toda a poesia "tem muitas" canções escondidas. "Outras canções podem ser feitas a partir destes mesmos textos que musiquei, ou sobre qualquer poema. É um jeito de ler que se transforma em uma nova expressão, e cada um tem seu jeito de ler e de se expressar".

 

O disco, na verdade, começou por acaso. "O que aconteceu com estes poemas foi que eu estava lendo e pintou uma sugestão de melodia na minha cabeça, sem que estivesse pensando nisso. Aí eu não ia fugir desse sopro. Corria logo pro violão e depois de algumas tentativas lá estava a canção. A faixa mais antiga deste repertório é Eu, poema do Arnaldo Antunes que musiquei em 2001. As outras foram surgindo aos poucos. Quando vi, dava um disco. E deu".

 

POESIA PARA TODOS

Musicando poemas, Banzo tentou desmistificar uma ideia que para ele é um "equívoco": a de que a poesia é para intelectuais. "Eu gosto da ideia de quebrar estes preconceitos e acho que a poesia sempre está e sempre esteve na sociedade, adaptando-se às novas formas da vida. E por isso ela vai parar no disco, no rádio e na rede social. O que procuro destacar, com a ideia do disco, é essa ideia de que a poesia está aí, em nossa frente, fácil e profunda".

 

Capa do disco Canção Escondida

 

SOLO, MAS BEM ACOMPANHADO

Com quatro discos lançados com o Porcas Borboletas e trabalhos com outros artistas, Canção Escondida é como um novo primeiro disco para Banzo.

 

"É uma experiência muito singular. O disco solo tem uma diferença, porque é uma visão mais particular, além de uma exposição maior de si mesmo. Mas eu não consegui ficar sozinho, e veio um monte de gente comigo para eu sofrer menos", conta ele, que destaca a parceria com a "ídola" Suzana Salles (cantora ligada à Vanguarda Paulista), em Tua Música de Amor, a produção de Saulo Duarte, entre outros.

 

MÃE POETA

No meio de autores consagrados da literatura brasileira, há uma canção muito pessoal e especial para Banzo. Poesia Concreta é um poema de autoria da mãe do cantor, Cleusa Bernardes, e que está no livro Djanira na Janela e Outros Poemas, feito para o pai dela. O texto fala de um pedreiro poeta. Uma aproximação entre vida, lida e poesia que Banzo confessa, sempre o comoveu.

 

"Meu avô trabalhou na construção civil, chegou a sair do interior de Minas para a capital, tocava violão, teve seus tempos de boemia. Eu não o conheci, mas tento, por esta canção, um contato com minha ancestralidade: o filho que canta o poema da mãe que escreve sobre o pai dela".

 

DANISLAU SEMPRE POR PERTO

Banzo não dá um passo artístico sem consultar o Danislau, se parceiro de banda. "E nem ele sem falar comigo", conta ele. Sobre o Amor, música que originou o primeiro videoclipe do disco, é de autoria de Danislau, publicada em 2005 no livro O Herói Hesitante.

 

Pela amizade e admiração, era impensável para o cantor gravar um disco de poesias que não tivesse versos do amigo. "Já havia outros dois gravados pelo Porcas, mas pintou esse, numa releitura recente, e logo se tornou uma de minhas canções favoritas. De um lado sim, traz o Porcas para o disco solo. Por outro, não vejo essa canção no repertório da banda, o que acaba por mostrar que os mesmos pais podem ter filhos com as caras mais diferentes".

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

Comentários
Postagens relacionadas

16/11/2018 Geral

FAMI

07/11/2018 Entrevistas, Listas e coletâneas

PLAYLIST <3 Os atravessamentos artísticos de Lirinha do Cordel

23/10/2018 Entrevistas

FALA-SE DE MÚSICA | Xenia França

18/10/2018 Geral

PLAYLIST | Amor Geral

Shows relacionados