As oito viagens de Tatá Aeroplano

Músico e compositor lança mais um disco solo, Alma de Gato

 

Dois anos depois de seu último trabalho solo, o ótimo Step Piscodélico, o músico e compositor Tatá Aeroplano dá mais um passo para marcar o seu pop psicodélico com o disco Alma de Gato (disponível na íntegra no site do cantor).

 

São oito canções que Tatá define como "oito viagens diferentes. Mergulhos psicodélicos. Devaneios Bucólicos. Parcerias festivas". O disco marca ainda um novo momento na vida do músico. Há dois anos ele deixou o centro onde viveu durante 22 anos e foi para Vila Romana, na zona oeste.

 

"Mudei para São Paulo em 1993 e, no final de 1995, fui para o lugar onde fiquei até 2016, na Santa Cecília. E muitos amigos músicos passaram por lá. Vim pra Vila Romana que era um lugar que eu já conhecia por conta do Brasamora, Casa Gramo, lugares com intensa atividade cultural, e fui abraçado por essa galera que já estava aqui.  Aqui é um clima muito interiorano. E eu gosto de caminhar, olhar a cidade, as árvores, os pássaros", conta ele, que deu ao disco o nome de um pássaro que ele vê quase todos os dias no novo bairro e que inspirou ainda a música "Mil Almas de Gato".

 

As composições do trabalho foram acontecendo logo após o lançamento do disco de 2016. Mas agora em um novo espaço, as letras nasciam nas caminhadas, de manhã ou após as festas, e shows em lugares como o Teatro de Bolso do IV Mundo, Casa Gramo, Condô Cultural, na casa de amigos, entre outros lugares do novo bairro. Foi que aconteceu com "Cores no Quarto", que abre o disco.

 

"Foi a última música composta que entrou no disco. De vez em quando eu entro em um estado de criação e começo a fazer muita música. Muita mesmo. Na noite anterior à composição, eu estava numa festa, a festa acabou e ficamos por lá. Comecei a compor. Voltei para casa, dormi, no outro dia acordei, fiz um café e compus várias músicas. Uma delas foi 'Cores no Quarto'. Depois de um mês eu escutei esse material e me surpreendi porque ela estava toda pronta", conta ele.

 

A música ainda surpreende Tatá quando ele a escuta. "É uma música que me emociona porque, em outros trabalhos, eu não tinha vivenciado isso enquanto compositor, ela me traz um sentimento ancestral e me vejo compondo mais esse estilo no futuro. Me faz lembrar de deixar a mente aberta. Uma canção que mostra muito o que eu tenho vivido".

 

Tatá Aeroplano

 

Se no trabalho anterior Tatá trouxe os excessos, cenas e personagens da cidade para o centro das composições, em Alma de Gato a impressão é de que as letras falam de liberdade, de ser, soltar-se no mundo. "Cores no Quarto" (que deve ser a primeira a ganhar um videoclipe) abre o disco seguida de canções com levada mais pop como "Mil Almas de Gato", "Deixa Voar", "Vida Inteira e Colorir de Carnavais". "Hoje Eu Não Sou", parceria com Luiz Romero que já estava pronta quando Tatá lançou o trabalho anterior, dá um clima mais intimista. As psicodélicas "Os Novos Baianos Sapateiam Na Garoa Dos Sex Pistols" e "O Alienista da Vila Romana" encerram o disco.

 

Esta última é um tipo de canção-filme que mostra bastante o lado "quanto mais parceiros melhor" na carreira de Tatá. A faixa é uma parceria com Beto Antunes, ou melhor, Beto Gramo, que conta as peripécias do Beto Lanterna, o alienista que encarcera poetas e enclausura donzelas em sarais intermináveis e em festas que não acabam nunca.

 

"Numa caminhada voltando para casa comecei a falar do Beto com a Malu Maria (cantora e namorada de Tatá) e gritava: 'Beto Lanterna, aquele que encarcera o poeta' e fui pirando. Acabei gravando isso em casa e quando pensei na ideia da música, já sabia que ela encerraria o disco". Além de versos soltos, a faixa traz uma colagem de frases de outros encontros e mensagens que Tatá pediu para amigos mandarem via WhatsApp. "É o que eu chamo de música descarrego", diz ele.

 

O novo bairro mudou também outras coisas na rotina do músico, na forma de ver a vida na cidade. "A cidade vai mudando, e nós também. Uma coisa que eu fico pensando é que quando eu tinha 20 anos eu vivia muito dentro da minha cabeça, com as entidades que me habitam naquele universo tão pulsante de banda, de compor, viajar, então eu não conseguia enxergar um palmo na minha frente. E a partir do momento em que a gente vai realizando sonhos, a gente vai tendo uma visão melhor, mais clara das coisas".

 

Todo esse clima e tranquilidade foi levado para o estúdio. Tatá diz que não grava nada por obrigação, precisa se divertir. "Eu acredito numa coisa que não tem a ver com fazer o melhor disco, mas eu sinto cada vez mais é que sempre que vou para o estúdio busco uma liberdade de gravar e de criar, uma experiência maior, abrindo novas possibilidades de canção, de arranjos, e nesse ponto acho que isso dá um frescor. A cada disco a gente tem vivido o disco. É um clima de festa".

 

Com o disco pronto e rodando por aí, ele conta que ainda não tem planos para shows de lançamento. Quer dar um tempo "para o disco ir acontecendo, pegando as pessoas". Mas o próximo trabalho já está na cabeça. "É um processo que é muito vivo, ininterrupto. Já tenho uma ideia, então vou gravando umas músicas e ano que vem vasculho o que compus junto com o que ainda vou compor. Mas vou fazer as coisas com calma para curtir a existência".

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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