5 PERGUNTAS: Régis Damasceno sobre Nick Drake

Músico dirige o espetáculo Nick Drake: Lua Rosa, que homenageia os 70 anos de nascimento do artista inglês

O músico e produtor Régis Damasceno (foto: Camila Pastorelli)

 Foto: Camila Pastorelli


A convite do jornalista e produtor Eduardo Lemos, o músico e produtor Régis Damasceno topou dirigir o espetáculo Nick Drake: Lua Rosa. Esse, parte de um projeto especial que tem o músico inglês no centro e que ainda prevê livro e oficinas educativas, tudo para tentar revelar o universo do artista que ganhou fama após sua morte aos 26 anos, em 1972.

 

Nos próximos dias 14 e 15, Damasceno e Lemos levam ao palco o show com participações de Ceumar, Gui Amabis, Filipe Catto e Stela Campos. Uma viagem que oferece uma releitura ao mundo musical de Drake.

 

Nos shows, Damasceno toca com Chris Mack, Thomas Rohrer, Bruno Serroni, Meno Del Picchia e Richard Ribeiro. Ao Azoofa, ele contou mais sobre a relação com Drake e os desafios do projeto.

 

Como você conheceu o Nick Drake?

RD - Conheci a obra do Nick, o artista, lá pelos anos 1990. Eu costumava ler muitos fanzines e sempre citavam o Nick Drake como referência para as bandas que eu estava ouvindo na época. Eu fiquei curioso para entender o que era e perguntei para um amigo meu lá de Fortaleza para saber quem era, se ele já tinha ouvido, e ele tinha os discos. E assim tive meu primeiro contato com a obra dele.

 

O que te arrebatou na obra dele?

RD - O que me fez gostar muito dele, obviamente, foram as músicas muito bonitas e a forma como ele canta e toca o violão. Tem toda uma poética incrível e o universo sonoro que ele consegue criar. Isso mesmo quando ele está sozinho no violão ou, no caso dos dois primeiros discos, com as orquestrações que tem. Independe dos arranjos na verdade, as músicas têm muita personalidade.

 

Nick tinha um jeito de tocar violão diferente. Como você definiria esse estilo?

RD - A maneira tocar é bem peculiar. Ele tem meio que a disciplina de um violonista clássico, que ficou muitas horas estudando, tocando e praticando na maneira dele, com muita influência do blues, mas pra muito além disso, ele fazia uso dessas afinações diferentes, fora do padrão que a maioria das pessoas usa quando vai tocar, então ele tinha várias afinações. Cada música com afinações diferentes e bem estranhas. Tem uma afinação dele que são duas notas, seis cordas do violão e duas notas apenas, então é bem peculiar. Isso me chamou atenção porque, quando você vai tocar a música não fica parecida na afinação padrão. E o dedilhado dele também é muito preciso, forte.

 

Nick Drake, aos 19 anos Foto: Julian Lloyd

 

Conta um pouco como tem sido essa experiência de entrar no universo dele, rever músicas. Qual seu maior desafio nessa jornada?

RD - Mergulhar nesse universo dele depois de tanto tempo e já tendo praticado as músicas em casa, agora com o projeto tendo pensado em montar uma banda, executar as músicas, a primeira coisa que me veio à cabeça é que eu não gostaria de fazer um cover simplesmente, tocar a música igual. Eu optei por, como diretor do projeto, tornar as músicas um chão para que os músicos pudessem se divertir, contar uma história a partir da música dele e não tocar igual. Isso não me interessa. É uma reinterpretação que está ficando muito bonita. Vai ser divertido.

 

Para quem ainda não tem contato com o trabalho dele, a história das músicas, quais 3 canções você recomendaria e por que?

RD- Pra citar três músicas: Pink Moon, uma música bem simples, doce, bem bonita do 3º disco; Riverman, que já é mais complicada de arranjo, tem mais densidade, bem o oposto da outra. E tem One of These Things First, essa com arranjo de bateria e um arranjo de banda, mais preenchida que as outras. Essas dão uma boa ideia do universo musical do Nick Drake.

 

SERVIÇO | NICK DRAKE: LUA ROSA. Data: 14 e 15 de novembro, no Sesc 24 de maio, em São Paulo. Ingressos de R$ 9 a R$ 30.

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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