A São Paulo de Thiago França



São Paulo completa 465 anos na próxima sexta-feira, 25. Da mesma maneira que a qualquer ser vivo que esteja pela cidade nessa época do ano seja impossível não sentir o calor que queima o chão e desnorteia os pensamentos, também parece inescapável ao artista, estando aqui por um dia ou pela vida inteira, ficar imune à influência da cidade em suas criações.

 

Se o espaço físico em que uma obra é pensada, desenvolvida e realizada é parte importante de seu resultado, como é que isso se dá em uma cidade com tantas características dissonantes? A lista de canções criadas para homenagear, desvendar ou criticar São Paulo é longa - diz o crítico Tárik de Souza que o número passa de 3.000 peças, e contando. 

 

Convidamos três autores que já enxergaram São Paulo como um tema para falar sobre o processo de compor olhando para a cidade; também perguntamos a eles como viver aqui ajuda a moldar seus processos artísticos.

 

O primeiro é o músico Thiago França, do Metá Metá e d'A Espetacular Charanga do França, dentre outros. Ele comenta sobre "São Paulo de Noite", um tema instrumental criado a partir do conto "Malaguetas, Perus e Bacanaço", do escritor João Antônio, este também um cronista de mão cheia da cidade. 

 

"São Paulo de Noite é inspirada num trecho do conto onde os personagens andam pela Av. São João do fim dos anos 50 (embora lançado em 63, João Antônio escreveu o livro em 59). Importante reparar que aqui o arranjo e a composição são uma coisa só. O autor percebe os elementos que compõe a noite um por vez, os lampiões iluminando as ruas, o bonde, os carros, as pessoas, recriando, camada por camada, a cacofonia da noite paulistana. Assim acontece o arranjo-composição, onde os elementos vão aparecendo um por vez e se sobrepondo, num clima meio soturno, misterioso, como eu vejo São Paulo.

 

Essa é uma cidade desumana que exige muito de quem mora nela: exige tempo, dinheiro, saúde, disposição... em São Paulo a gente se depara com o que há de mais avançado tecnologicamente e ao mesmo tempo com uma miséria incontornável. Pra mim não existe nada mais controverso do que o prédio moderníssimo duma seguradora no meio da Crackolandia. Socialmente a cidade é muito caótica e ainda assim a gente arruma tempo pros dramas pessoais, pras elucubrações e pra fazer carnaval. Num contexto desse, não consigo imaginar quem saia incólume". 

 

 






Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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