A São Paulo de Blubell


São Paulo completa 465 anos na próxima sexta-feira, 25. Da mesma maneira que a qualquer ser vivo que esteja pela cidade nessa época do ano seja impossível não sentir o calor que queima o chão e desnorteia os pensamentos, também parece inescapável ao artista, estando aqui por um dia ou pela vida inteira, ficar imune à influência da cidade em suas criações.

 

Se o espaço físico em que uma obra é pensada, desenvolvida e realizada é parte importante de seu resultado, como é que isso se dá em uma cidade com tantas características dissonantes? A lista de canções criadas para homenagear, desvendar ou criticar São Paulo é longa - diz o crítico Tárik de Souza que o número passa de 3.000 peças, e contando. 

 

Convidamos três autores que já enxergaram São Paulo como um tema para falar sobre o processo de compor olhando para a cidade; também perguntamos a eles como viver aqui ajuda a moldar seus processos artísticos.

 

A terceira e última convidada é a compositora Blubell. Num dia, ao olhar pela janela do taxi, a cantora avistou cor no cinza dominate da paisagem paulistana. "Blue", como ela nomeou a canção cuja letra se desenhou ali mesmo dentro do carro, nos diz que, na gigante São Paulo, é nos diminutos detalhes que encontramos alívio - e cor. 

 

Me lembro do exato momento. Estava dentro de um táxi, numa tarde de outono, olhando pela janela o céu e os topos dos prédios passando quase que numa dança. Saquei o caderninho da bolsa e escrevi os primeiros versos que música. "Blue/um caco azul/no céu da cidade/no meio da tarde". No outono, o céu de São Paulo fica mais escuro, ganha mais profundidade. E, convenhamos, são muitos os lugares da cidade em que a única direção em que se pode olhar pra ver beleza natural é para cima.

 

São Paulo é responsável por boa parte da minha loucura e dos meus incômodos. Me sinto diariamente sendo atropelada por ondas de informação e estímulos nem sempre agradáveis, que certamente me influenciam na maneira de me relacionar com o mundo e na minha criação. São Paulo me dá muito, mas me tira muito também. Hoje, é uma questão central pra mim entender meu equilíbrio como habitante da "Babilônia". São questões como essa que viram matéria prima pra minha música.

 

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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