'Duvidaram da volta do Barão'

O guitarrista Fernando Magalhães fala do novo disco do Barão Vermelho, Viva, o 1º de inéditas em 15 anos

Mauricio Barros, Rodrigo Suricato, Guto Goffi e Fernando Magalhães (Leo Aversa/Divulgação)

 

A quantos vocalistas pode resistir uma banda? Falando de Barão Vermelho, já são três e a banda resiste muito bem. Em 2018, o grupo lançou ‘Barão Para Sempre’ (2018) trazendo releituras de antigos hits e apresentando o novo vocalista, Rodrigo Suricato, que substituiu Frejat. Agora, a banda lança 'VIVA', o primeiro disco com inéditas em 15 anos e mostra qual é a cara desta sua terceira fase.

 

"A gente não queria fugir da nossa raiz, mas a intenção era fazer um disco com uma visão do mundo de hoje. Muita gente disse para lançarmos um disco logo com o Suricato, mas como ele mesmo diz, 'melhor namorar antes do que ter logo um filho'", diz o guitarrista Fernando Magalhães, na banda desde 1986, em conversa com o Azoofa.

 

Na sonoridade, não há o que estranhar. Talvez por isso as mudanças de vocalistas não tenham afetado a identidade da banda, formada ainda por Guto Goffi e Maurício Barros, que nunca optou por girar em torno de quem cantava. Destacam-se as empolgantes 'Jeito', 'Tudo Por Nós 2', 'A Solidão Te Engole Vivo' e 'Eu Nunca Estou Só' e 'Vai Ser Melhor Assim'.

 

Além da mudança nos vocais, o disco traz a banda mais enxuta, sem o baixista Rodrigo Santos e sem a percussão de Peninha, que morreu em 2016. É o velho novo Barão. "Por tudo isso a gente precisava de um tempo para se interar, amadurecer tocando junto, entender quem é quem na banda hoje. Valeu esperar", diz Fernando.

 

Ao todo são nove músicas compostas apenas pelos quatro integrantes. Fernando conta que o Barão sempre fez muitas parcerias, mas era hora de se fechar no que estava sendo produzido entre eles. "Letra sempre foi um forte do Barão, e tivemos parceiros como Renato Russo, Arnaldo Antunes e outros quando Cazuza saiu e nesse tempo o Guto foi compondo, o Maurício foi compondo. Agora achamos por bem pegar o que tínhamos nosso".

 

Fernando conta que o recado da banda é um só: união. "Com tudo que estamos vivendo no Brasil e no mundo, é muito mais sábio ficarmos juntos do que separados. Hoje temos muitos discursos estabelecidos, muita rivalidade, fala-se sem ter medo de machucar o outro. Nós precisamos de união".


 

O disco marca ainda a volta de Maurício, que havia deixado de ser integrante oficial da banda desde 1988. "Maurício sempre esteve conosco nos shows e produzindo discos. Não havia escolha. Ele tinha que voltar ou o Barão acabava", celebra Guto Goffi.

 

"Muita gente duvidou da volta do Barão. A gente teve que passar por algumas para chegar até aqui. Fomos muitos felizes na escolha do Suricato. Ele costuma dizer que não se sente um ventríloco no Barão. Ele é mais Barão do que nós", comenta Fernando.

 

PARCERIAS COM BK E LETRUX

 

"Você acredita, tem gente que chega pra gente depois do show e diz que não sabia que o Cazuza foi do Barão?", conta Fernando, rindo. É o encontro da banda que em dois anos completa 40 anos com as novas gerações.

 

Uma forma de se conectar com esse público é também se aproximando de novos artistas, caso do rapper BK e da cantora Letícia Novaes, a Letrux, que cantam em duas faixas do disco, 'Eu Nunca Estou Só' e 'Pra Não te Perder'. A primeira foi feita pelos quatro integrantes em 10 minutos. Já a outra faixa, uma balada que encerra o disco, veio de um encontro casual.

 

"Estávamos no festival Porão do Rock, em Brasília, e a Letícia veio ao nosso camarim contar que tinha feito uma versão de 'Meus Bons Amigos' no piano. Aí nos conhecemos e adoramos ela", conta Fernando. Composição de Guto, o guitarrista diz que a música quase ficou de fora do disco. "Eu que botei pilha".

 

'VIVA' não dá nome a nenhuma música no disco. É uma palavra solta. Seria um grito de guerra, um conselho ou uma comemoração? Fernando diz que é mais um grito para seguir em frente, um gás. Para uma banda que renasceu diversas vezes, podem ser vários os significados. Talvez o principal seja muito simples: o de que o Barão está vivo. 

 

Quem escreveu
Andréia Martins

É jornalista, trabalhou com edição e reportagem nos portais Vírgula, Globo.com e UOL cobrindo música, política e internacional. Hoje segue na redação e também é editora do Roteiros Literários, sobre literatura e viagem, e do blog Quadrinhas, sobre quadrinhos feitos por e sobre mulheres.

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