O Artista em Processo: Teago Oliveira

Foto: Azevedo Lobo

 

 

Faltavam 72 horas para Teago Oliveira estrear o show "Boa Sorte" em São Paulo. Perguntei, por e-mail, o que se passava dentro dele antes de um acontecimento importante - havia nervosismo, ansiedade? Ele me respondeu, por mensagem de voz: "tô ansioso, mas de uma forma diferente da que eu fico quando o show é da Maglore, porque o show solo é um formato novo pra mim. Já toquei no Ibira algumas vezes, é um lugar grande, intimidador, mas acho que vou encontrar muitos amigos lá, e isso me faz sentir de boas já, desde agora". 


Três dias depois, estou sentado numa das cadeiras do imponente Auditório Ibirapuera. A casa não está lotada, mas está muito cheia, e é ocupada por fãs, jornalistas, músicos e amigos. Há um certo clima de confraternização no ar, como se a maioria estivesse mais interessada em celebrar a trajetória de Teago até aquele momento. Na música contemporânea brasileira, a caminhada do cantor e compositor baiano é de fato singular. 


Com a Maglore, que faz carreira montanha acima, Teago conseguiu unir popularidade e ousadia artística, poesia e refrão, shows e discos pra dançar e pensar. Recentemente, outras de suas composições foram gravadas por Gal Costa e Erasmo Carlos. Como cantor, construiu sua própria marca vocal, que pode ser doce e bruta - a depender do que a canção lhe pede - e pode remeter a Raul, Belchior ou Helio Flanders, uma proximidade estilística que, a meu ver, é positiva porque dá ao público um lugar afetivo, o que pode facilitar, à fatia mais reticente às novidades, reconhecê-lo como um fenômeno do nosso tempo. 


Naquela noite no Auditório Ibirapuera, Teago viu muitos amigos na plateia, como ele previu na resposta à minha pergunta, embora ali pela terceira música ele admitisse estar nervoso. O que se via das cadeiras, porém, era um artista em pleno voo, dono da bola, conhecedor do gramado, confiante na estratégia de jogo. Ao final, ele entregou um show vibrante - ajudado por uma banda competente e por cenário e luzes trabalhando a favor do mergulho do público nas canções. 


Nesta conversa com Eduardo Lemos, Teago analisa seu processo de criação, revela os temas que ele vê expressos em "Boa Sorte", reflete sobre as razões de uma canção como "Corações em Fúria" não furar a bolha do midstream e tenta definir a importância que os sons tem em sua vida. "Se eu não tivesse trabalhado com música, talvez eu não estivesse vivo". 

 

Foto: Azevedo Lobo

 

Uma das primeiras coisas que se nota ao escutar “Boa Sorte” é a influência da sonoridade, é possível até dizer que cada música faz lá sua homenagem a determinados artistas/discos (eu vi ecos fortes de Beto Guedes, Jorge Ben, Raul Seixas e, claro, Belchior). Sendo teu primeiro disco solo, fiquei curioso por saber como foi a tua escolha por essa sonoridade. 


Eu acho que todo disco tem essa coisa da influência. O último disco da Maglore tem isso também, mas a maioria das nossas referências ali são internacionais e talvez não foi algo que as pessoas captaram. O "Boa Sorte" não foi feito com intenção de homenagear ninguém, tirando a música do Belchior, que é uma homenagem explícita. Mas, sim, são canções que remetem aos anos 70, à Tropicália e às coisas que eu gosto. Acho que eu interiorizei essa musicalidade. O disco tem essa estética vintage, low-file, algo que é muito feito por outros artistas, não só nacionais. É um som mais 'fechadinho' e eu acho bonito essa proposta. O legal da música é essa coisa lúdica de você poder falar sobre o seu tempo sem necessariamente mostrar que você tá nele. É você poder viajar para outros lugares.


“Bora”, primeira faixa do disco, registra uma percepção “do fim da gente, a nova ordem mundial”, e propõe que inventemos um “jeito novo de viver agora”. Você crê que estejamos vivendo o fim de um modelo de vida? E quais seriam as bases da sociedade que você gostaria de ver nascer?


Eu acho que a gente tá chegando num momento muito próximo do colapso da sociedade, um colapso estrutural e mental. As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas e irritadas. A forma como o mundo está crescendo e se tornando cada vez mais desigual está começando a afetar países e grupos de forma mais incisiva do que afetava antes. Estamos sempre repetindo as coisas do passado, desejando um futuro que é basicamente um futuro de repetição das coisas, sem perceber. Eu acho que "Bora" é uma música apocalíptica, que traz essa ilusão de que estamos caminhando pra frente, mas que ainda estamos repetindo o que já aconteceu. Então, é preciso encontrar um jeito novo. Eu acho que essa é a reflexão que o disco todo faz, de certa forma. 


O meu desejo é por uma evolução mental, que as pessoas reflitam sobre como podemos viver mais e melhor uns com os outros aqui. O ser humano deu uma estagnada na busca do conhecimento, temos que imaginar quando teremos os carros voadores, e não se a Terra é plana ou não. A difusão de conceitos estúpidos atingiu um nível que parece difícil de ser corrigido. Então, hoje, é preciso afirmar o óbvio pras pessoas, pra ver se a gente consegue andar de novo. 


Para o fã de uma banda, o disco solo é uma chance de acessar de forma ainda mais profunda o universo do artista que ele admira. Escutei “Boa Sorte” várias vezes em sequência, e numa das escutas, fiz o exercício de me imaginar um garoto de 15 ou 16 anos. Fiquei pensando que é um disco rico nos temas e que dá chaves pra que se abram algumas portas que, nessa idade, parecem fechadas: revolução, saudade, amor. Quais as mensagens que você vê no álbum? 


Eu acho que o álbum é uma grande confissão de vários sentimentos e um convite à reflexão dos tempos que a gente vive hoje. É um álbum que também fantasia situações esperançosas e trata de algumas coisas com certa melancolia. É um disco que fala sobre o amor. Aquela frase do Che, sabe? "Endurecer sem perder a ternura jamais". Eu acho que essa é a grande mensagem do disco. Ele aborda de modo muito diverso o conceito de amor, de relação. Tem uma música de um encontro de um casal, outra sobre um casal já há muito tempo junto…e tem pontos muito doloridos, mas nós somos a soma das nossas cicatrizes, né? 

 


Pegando carona nessa ideia de que um disco pode ser uma espécie de bom professor, teve algum álbum que te abriu portas quando você era moleque?


Cara, muitos álbuns abriram portas na minha mente, mas o disco que estilhaçou minha cabeça e me fez querer ser músico foi o Nevermind, do Nirvana. Eu tinha 11 anos. Foi o disco que acabou mudando minha vida. Os empresários tem o hábito de colocar na cabeceira do artista o livro "A Arte da Guerra", do Sun Tzu, né? Se eu fosse empresário, eu colocaria alguns discos nessa cabeceira. São discos que eu sempre vou escutar de forma latente: "Mind Games", do John Lennon; "Grace", do Jeff Buckley; o "Tábua de Esmeralda", do Jorge Ben, que pra mim é uma das maiores obras da música. Eu enxergo essas influências no meu disco, apesar de muita gente ter visto mais referências à brasilidade. As pessoas esquecem que Belchior ou Raul Seixas eram caras que tentaram copiar John Lennon e Bob Dylan o tempo inteiro… e faziam, da sua maneira, de forma original e autêntica, sua releitura do que era John Lennon. 


Na música que fiz sobre o Belchior, eu pensei muito a respeito da canção "Comentários a Respeito de John", é uma carta dele pra John Lennon e eu acho uma música sensacional. É engraçado ver como as camadas de referência acabam não sendo tão filtradas, mas que no final das contas isso acaba sendo totalmente supérfluo no resultado de um disco. A referência é Belchior, é Raul Seixas, porque a referência é John Lennon. Tanto faz. Se você mirar em um, você vai acertar em outro de qualquer forma. 


Como é teu processo de composição? Ele mudou ao longo dos anos?


Muitas músicas eu fiz 'riffando' no violão, pra depois fazer a letra. Outras vezes o texto me vem primeiro. Mas a maioria das minhas músicas saem quanto eu tô tomando banho - e aí já faço meu pedido de desculpas ao planeta (risos) -, mas ali eu cantarolo muitas coisas, e ao cantarolar eu já parto pra letra depois. Hoje em dia, ando usando pouco o violão pra criar a estrutura harmônica da canção, faço muita música de boca. Minhas melodias tem vindo de dentro da cabeça mesmo, muito mais inspiração do que transpiração. 


Meu processo de composição muda o tempo todo. Eu tenho uma inquietude de não me repetir, e isso é um grande desafio. Quando eu me repito, tento que seja da forma mais autêntica, natural e verdadeira possível. Acho que esses são meus nortes como músico. 


Tanto é que o "Boa Sorte" é muito diferente da Maglore. Sinto que isso causou um choque no público, que esperava algo positivamente parecido com os discos da banda. Mas eu também vejo o "Boa Sorte" como algo que está dentro da Maglore. Esses dias um cara fez uma lista no Twitter: "músicas da Maglore que poderiam estar no disco de Teago Oliveira". E fazia todo sentido. Desde o nosso primeiro disco, há sempre uma música ou outra que se conecta com o álbum seguinte. E quando você isola algumas canções, elas acabam tendo uma certa conexão com o meu disco, e não tanto com a Maglore. 


Quando foi que você começou a ter consciência de que era possível escrever e criar melodias e harmonias? 


Cara, foi muito cedo. Quando eu tinha 8 anos eu fiz um samba, um pagode meio baiano, sabe? Naquela época, se ouvia demais na minha escola coisas como É o Tchan!, Cia. do Pagode. Obviamente meu preconceito musical apareceu depois - e infelizmente, porque às vezes a gente chega na adolescência de uma forma muito burra. Quando eu descobri o Nirvana, eu comecei a ter preconceito com a música brasileira. Coisa que acontece quando a gente é moleque. 


Eu nunca tive certeza se eu seria músico ou não. Meu pai nunca quis que eu "mexesse com esse tipo de coisa", aquela coisa de pai querendo proteger o filho, obviamente. Mas na adolescência eu tive bandas com músicas próprias: com 13, 14 anos eu tinha uma banda de punk rock com letras em português, depois eu tive uma banda grunge que fazia música em inglês. Aí eu ouvi o "Chega de Saudade" do João Gilberto e comecei a ter preconceito com música internacional! (risos) 


Há, hoje, algo que você esteja buscando aprimorar na tua forma de criar música? Há algum desafio em andamento?


Eu acho que tô em busca de um processo mais geral de melhora. Pra eu melhorar minhas músicas, preciso melhorar muita coisa em mim. Ando buscando aquele 'degrau acima', sabe? Tentando ser mais inteligente e mais maduro mentalmente, mais reflexivo sobre as coisas. Soando até clichê, eu tento ser uma pessoa melhor, mas nem sempre consigo. Em algumas músicas minhas, sou eu dando conselhos pra mim mesmo - conselhos que eu nem sequer sigo (risos)! 


Uma coisa que não tento - mas que eu tenho que tentar - é ser mais dedicado à prática de instrumentos, como o piano, por exemplo. Eu toco violão, guitarra e baixo, mas faz muito tempo que eu só arranho em alguns instrumentos. Acho que essa é uma melhora. E tem a busca por melhorar na letra e na melodia, mas que é um processo maior. 


Ouvindo o “Boa Sorte”, percebe-se que a maioria das histórias é contada em primeira pessoa, e há uma certa tendência, na música brasileira contemporânea, de usar a primeira pessoa pra falar de qualquer tema. Como foi a escolha por essa forma de narrar?


Há pouco tempo eu estava pensando sobre isso. Embora esse seja um disco meio confessional, quase toda música tem uma primeira pessoa diferente. A pessoa em "Bora" não é a mesma de "Corações em Fúria", ou do "Tudo Pode Ser". Acho que foi natural essa minha escolha pela primeira pessoa. Talvez por ser um trabalho solo, se bem que o último disco da Maglore já era meio assim… Mas, sim, é um disco centrado no "eu". Não vejo nenhum problema com isso. A canção independe de como você a aborda - importa que ela seja uma canção verdadeira, que fale de algo real, não me interessa fazer música pra alcançar um objetivo profissional. Acho que a arte não é isso. É o filtro que eu uso também quando eu escuto música: "po, gostei, isso aqui me parece bonito, verdadeiro..."


Quando escutei “Corações em Fúria” pela primeira vez, foi como se eu tivesse sido atropelado. É uma canção forte, atual e ao mesmo tempo popular, direta - uma mistura rara nos dias de hoje. Por que é que uma canção como essa (e outras desta mesma geração) pode não ultrapassar a linha do midstream e acessar outros públicos?


Quando eu tava compondo ela - e isso é muito doido, porque eu não costumo ter esse sentimento -, eu estava me emocionando porque eu estava ouvindo ela. Eu estava vendo ela ser criada dentro do meu cérebro. Consegui me deslocar de mim mesmo e ouvi-la, como um simples ouvinte, ao mesmo tempo que eu estava compondo. Muito doido isso! Pra mim, ela consegue ser pessoal e não pessoal ao mesmo tempo, e bater de diferentes formas em cada pessoa. Mas eu não sei, cara, sinceramente eu não sei o que faz uma canção chegar ao mainstream ou não. Eu acredito que ela poderia estar num top 100 de mais tocadas, sabe? Até porque, pro artista popular - dizem que a minha música é muito pop, mas eu não sou muito conhecido, então fica esse paradoxo… (risos) - nada melhor do que ser ouvido pelo maior número de pessoas. Eu acho que coloquei um pé no mainstream quando Erasmo, Gal, Pitty cantam minhas músicas. É uma forma de estar ali. 


Mas talvez ficar pirando nisso torne a gente um pouco azedo e amargo, sabe? A vida é assim mesmo, bicho. Tem muita gente muito foda que nem no midstream chegou. Por isso, de certa forma, eu agradeço muito as coisas que aconteceram comigo. 


Eu acredito muito nas canções desse disco, acho que é o meu trabalho mais maduro. Primeiro, obviamente por estar mais velho, mas eu acho que foi o disco mais parecido comigo que eu já fiz. Essa coisa do mainstream deve ser um sofrimento pro artista que faz música só pra estar ali. Deve rolar uma frustração. Isso não me interessa, porque eu não seria fiel à minha proposta. Minha proposta é fazer música. Fazer música que eu gosto de fazer e deixá-la com a cara que eu quero que ela tenha. 


Não sou obcecado por esse resultado, porque fazer música pra mim é quase que terapêutico. Eu acho que sempre vou olhar pra música desse jeito. Ainda que, eu devo ser muito sincero, não sei se conseguirei produzir no mesmo ritmo nos próximos anos. Tô bem próximo do momento de dar uma pequena parada e repensar algumas coisas. Ligar os motores e fazer outro tipo de som. Reinventar mesmo. 

 

 

É preciso ser meio obsessivo pela sua própria arte pra que a coisa aconteça de verdade?


Eu sou uma pessoa obsessiva. Mas, com muito trabalho, reflexão e psicanálise, eu consegui deslocar minha obsessão pra lugares muito legais. Consegui domar a fera, sabe? Eu já fui muito obsessivo pela Maglore, por trabalho, por algumas pessoas, por alguns relacionamentos. E ainda sou, se eu começar a jogar Fifa agora, eu vou querer ser o melhor jogador do mundo de Fifa. É da minha natureza. Eu ainda gosto da minha obsessão pelo trabalho, mas isso já não me adoece mais. Tem muito artista que não é nem um pouco obcecado, e tudo acontece (risos)! Não tem fórmula ou receita pras coisas acontecerem. Hoje você pode fazer um disco em casa, jogar na internet, virar pro lado e dormir, e no dia seguinte pode ser que o mundo inteiro esteja te ouvindo e te ligando. 


Você consegue sondar seu inconsciente e me dizer por que você faz música?


Cara, é tão inconsciente essa parada… eu acho que eu não conseguiria viver sem ter feito o que eu fiz, sabe? Desde o início, a música era uma missão e um jeito de me salvar. Eu sou mais eu quando tô perto da música. Se eu não tivesse trabalhado com música, talvez eu não estivesse vivo. Quando eu crio uma música, é muito terapêutico, embora possa ser dolorido. Faço música pra me manter vivo. E foi uma grande luta viver dela até aqui. Essa coisa de você não ser do eixo Rio-São Paulo te coloca uns degraus abaixo do zero, sabe? Tive muitos momentos de "agora já era", "agora a banda acaba", "tá na hora de enterrar essa banda", "isso não vai dar certo", "tô perdendo tempo da minha vida". Isso tudo me atormentou durante anos. Mas, graças… a mim mesmo (risos), e a Deus, claro, eu consegui tirar esse pescoço da lama, e meus amigos músicos também. Hoje a gente tem uma satisfação de viver do que faz, e gostar de fazer.

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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