Coletânea: Lucas Santtana + Anelis Assumpção + Jards Macalé + Vitrola Sintética + Liquidus

Não é fácil escrever sobre música uma vez por semana, especialmente neste momento tão fecundo e criativo desta arte no Brasil. A dificuldade, pois, quase sempre advém não da ausência de temas, mas justamente do grande número de artistas que eu gostaria de entrevistar (mas preciso escolher apenas um para aquela semana), dos vários ensaios que eu gostaria de visitar (mas preciso escolher apenas um para aquela semana) e dos diversos shows singles lançamentos discos projetos especiais que eu acredito que deveriam ser divulgados e prestigiados.

Foi pensando nisso que criei este espaço e o chamei de "Coletânea". Aqui, diversos assuntos relacionados à música dividem a mesma página - mas não é notinha exclusiva, não é bastidores, não é área do "em-off". É só um lugar para falarmos de música sem que tenhamos que escolher um só para aquela semana.

Nesta 1ª edição: Lucas Santtana comenta o processo de crownfuding de seu novo disco; Anelis Assumpção fala sobre sua nova música; Master San, do Liquidus Ambiento, revela como a banda vai tocar ao vivo a trilha sonora de um filme; o Vitrola Sintética conta como foi a passagem da banda pelo Rio de Janeiro; e ainda Jards Macalé apresentando um espetáculo de mágica no Itaú Cultural, três documentários musicais em cartaz na cidade e o dia em que os Raimundos acordaram o todo-poderoso bairro dos Jardins às 3 da madrugada com um simples acorde Sol maior.

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LUCAS SANTTANA: reta final para o novo disco

Faltam 9 dias para o fim do crowdfunding do novo disco de Lucas Santtana.

(tivesse eu 30 mil reais dando bobeira na conta ou debaixo do travesseiro, e eu não teria dúvidas em investi-lo todo nesse álbum, porque a música de Lucas retorna mais que ação na bolsa debentures ou coisa que o valha - faça seu investimento aqui.)

Esta é a primeira experiência do cantor e compositor baiano com o sistema de financiamento coletivo. Conversei com ele sobre esta reta final, suas impressões sobre o sistema e como funcionam algumas das mais interessantes contrapartidas, como ter Lucas Santtana discotecando em uma festa ou um show privado à base de voz e violão.

O crowdfunding para o novo disco está chegando ao fim. O que você vem achando dessa experiência? 

Olha... é bem cansativo, pra ser sincero. As pessoas no Brasil ainda não entendem que existem as contrapartidas. Elas ainda entendem mais como se estivessem te dando uma grana a fundo perdido, hahaha. Quando essa chave virar, tudo vai ser melhor. Mas acho o crowdfunding mais sustentável que as leis de incentivo, editais, etc. Porque é um financiamento direto. E bem ou mal todo mundo está fazendo e grande parte tem conseguido atingir seu objetivo.

Você tem divulgado essa ação nos shows? 

Acabei não divulgando. Mas nos próximos shows da Virada Cultural [ele toca sábado em São Carlos e no domingo em Bauru], vou divulgar.

Uma das contrapartidas são shows intimistas, voz e violão. Um já foi vendido. Você sabe onde vai ser?

Sim, já sabemos que será no Rio. Também foram vendidas 3 discotecagens, sendo 2 em São Paulo e 1 no Rio.

E como funciona? O som fica sob responsabilidade do "contratante"? 

Sim, toda a logística fica a cargo do contratante. Isso está no texto de cada contrapartida, seja quando é discotecagem ou show fechado.

E esse show acaba tendo repertório mais livre? Você arrisca alguns covers ou topa uns pedidos feitos na hora?

Sim, repertório livre. Cover, só se for do meu repertório mesmo. A pessoa está contratando um show meu. Então é o meu repertório basicamente. Mas se a pessoa pedir e eu souber tocar, relax também. Adoro música.

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MÚSICA NAS TELAS DA CIDADE: em cartaz

Na última quinta-feira, exatas 16 pessoas entraram na sala número 2 do Cine Livraria Cultura, na sessão das 20h, para ver o documentário “Dominguinhos”, que retrata a vida do compositor e é dirigido por Mariana Aydar, Eduardo Nazarian e Joaquim Castro. Eu era um dos 16.

Desconfio que todos saímos emocionados, arrepiados e agradecidos por termos assistido a algo tão bonito, não só pela trajetória história memória música sorriso graça de Dominguinhos, mas pelas imagens subjetivas que amarram uma história na outra. Um filme à altura de seu personagem.

“Dominguinhos” está em cartaz em diversas salas da cidade:

Cine Livraria Cultura – 20h10

Espaço Itaú de Cinema Augusta – 17h50 e 21h30

Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca 5 – 20h20

Espaço Itaú de Cinema Pompeia – 19h

Olho Nu”, de Joel Pizzini, mostra a vida e a obra de Ney Matogrosso a partir de 300 horas de imagens e sons do acervo pessoal do cantor. Duas salas da cidade exibem o filme:

Espaço Itaú de Cinema Augusta – 19h

Espaço Itaú de Cinema Pompeia – 20h

Nesta quinta, estreou em São Paulo “A Farra do Circo”, documentário poético e pessoal de Roberto Berliner e Pedro Bronz sobre a era de ouro do mítico Circo Voador.

O filme sobre o espaço cultural, criado nos anos 80 no Rio de Janeiro e até hoje na ativa, foi exibido no festival In-Edit, no ano passado. Eu assisti e conto um pouco sobre o filme aqui.

A nota triste é que ele está passando apenas em uma sala e em horário único:

Espaço Itaú Frei Caneca - 20h20.

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2 PERGUNTAS PARA ANELIS ASSUMPÇÃO sobre "Song to Rosa"

Letrista afiada e dona de uma voz que pode soar malandra e doce ao mesmo tempo, a cantora e compositora Anelis Assumpção lançou nesta semana a inédita “Song to Rosa”, com direito a clipe dirigido por Ava Rocha.

A faixa - uma ‘crônica reggae’ que conta com a participação de Bruno Buarque, Zé Nigro, Céu e Thalma de Freitas - estará em seu segundo disco solo, que já está pronto e sai no segundo semestre deste ano.

Fiz duas perguntas para Anelis sobre isso:

Lendo a letra de "Song to Rosa", parece que estamos diante de um conto. Como foi dar vida a essa personagem?

De fato essa história tem muita verdade. Me foi contada por uma mulher que se chama Rosa, que eu particularmente gosto muito. Daí pra virar uma composição, foi questão de deixar fluir. Era tudo muito interessante. Me interesso por histórias. Pela vida.

O clipe tem direção da Ava Rocha. Como rolou essa parceria com ela?

Conheci a Ava há um tempo, o trabalho dela. Nos aproximamos naturalmente. Uma conexão mútua, muito forte e verdadeira. Convidei ela pra registrar a feitura do que viria a ser a capa do disco, um mural do Paulo Ito com interferências de pintura nos nossos corpos. Ela topou. Escolheu uma música e fez seu filme.

Ouça "Song to Rosa":

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JARDS MACALÉ: música, influências, memória, política, parcerias e... magia

Começa amanhã às 11h a “Ocupação Jards Macalé”, realizada pelo Itaú Cultural em homenagem aos 70 anos do compositor. Entre as diversas atrações, estão:

- uma mostra com mais de 300 itens entre fotos, vídeos, músicas, textos, discos, cartas, recadinhos, revistas e objetos, explorando os traços políticos, musicais e pessoais de Jards;

- um show gratuito no sábado, às 20h, para a plateia externa do Auditório Ibirapuera

- e, no domingo, às 16h, uma apresentação de mágica conduzida pelo próprio Jards – ou por Elacam Tená, o nome que ele usa quando faz espetáculos de magia; saiba mais.

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LIQUIDUSAMBIENTO e Takeshi Kitato O Sesc Vila Mariana exibe o filme “Dolls”, do diretor japonês Takeshi Kitato, e convocou o Liquidus Ambiento para tocar ao vivo a trilha sonora do longa, lançado em 2002. Conversamos com Master San, baixista do grupo, sobre este desafio que acontece no próximo 13/06, às 21h, com entrada grátis. Vocês já tinham tomado contato com a obra do Takeshi Kitano? Sim, eu já conhecia. Assisti na ocasião do lançamento e recentemente eu, Beto Montag e Beto Villares assistimos novamente. E nós ficamos impressionados com a profundidade que o diretor sintetiza o filme. É simplesmente uma obra incrível, seu roteiro, fotografia, locações e, claro, a trilha sonora. Essa é a primeira vez que o Liquidus toca trilha sonora ao vivo? Qual é o grande desafio de uma apresentação como essa? Sim, e esperamos que seja a primeira de muitas! O convite partiu da curadoria do projeto Cine-Concerto, no Sesc Vila Mariana, e ficamos profundamente emocionados. A arte de fazer trilha sonora é algo com o qual nos identificamos e uma meta dos Liquidus Ambiento. Almejávamos isso. O desafio desse projeto é que iremos recriar a atmosfera do tema original, feita pelo compositor Joe Hisaishi, e adaptar aos elementos do grupo. Estamos explorando os detalhes do tema e escrevendo para que possamos executa-la não originalmente, mas com a personalidade sonora do grupo. Isso vai além do que ouvimos na trilha original, somos um grupo com caracteristicas muito peculiares. Outro grande desafio será a execução pontual em suas variações do tema incluindo algo novo durante a exibição, certamente quem for presenciar esta performance terá profundas sensações em relação a trilha. Vai ser uma emoção especial para nós e para o público. O Beto Villares assina a direção musical do espetáculo. Qual é o papel dele no projeto? Beto Villares é um ser humano incrível, um produtor sensível e sem dúvidas um dos melhores compositores que já tivemos a oportunidade de trabalhar. O papel dele será reger os Liquidus. Iremos tocar lendo as partituras de acordo com os arranjos que estão sendo feitos por ele com a co-direção de Beto Montag, que é membro do grupo. Feito isso, Beto Villares também irá produzir o espetáculo e conduzirá todos os momentos e dinâmicas de execuçåo. O filme tem muitos detalhes de fotografia e uma impecável edição, são 3 momentos que concluem o roteiro de Dolls. Iremos explorar nos ensaios os arranjos finais feitos por eles. Confira os próximos shows do LiquidusAmbiento: 13 de Junho - Sesc Vila Mariana - Cine Concerto -  Liquidus Ambiento & Beto Villares - Cine-Concerto (Filme Dolls - Takeshi Kitano). 19 de Junho - Tour de Lançamento Oyster - Sesc Presidente Prudente. ‏ 21de Junho - Instrumental Sesi Piracicaba - Tour Oyster/Mini.MONDO. 18 de Julho - Serralheria - Tour de Lançamento Oyster 27 de Julho - Noite Marakasi - Tour de Lançamento Oyster "Tupinikim" (Santo André) ***

RAIMUNDOS não usam óculos

Estivesse você em qualquer região dos Jardins às 3h do dia 12 de novembro de 2013, provavelmente teria escutado um acorde de guitarra soando bem alto pela nobre região paulistana. Fosse você um músico e então saberia que tratava-se de um clássico acorde Sol maior.

O som saia da loja da Chilli Beans da rua Oscar Freire, obviamente fechada naquele momento. Lá dentro, o guitarrista Digão passava o som ao lado dos Raimundos, horas antes do show que a banda faria naquele inamistoso espaço. Serginho, técnico de som que acompanhava a banda naquela madrugada, relata o que as portas fechadas da loja não revelaram.

- Quando o Digão tocou aquele primeiro acorde, eu juro por Deus que caíram todos os óculos pendurados nas prateleiras da loja.

O rock não perdoa, amigo.

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VITROLA SINTÉTICA estreia em palcos cariocas

Esta foi uma semana de primeiras vezes pro Vitrola Sintética: na terça-feira, a banda tocou pela primeira vez no Rio de Janeiro, na casa Audio Rebel; neste show, tocaram ao vivo pela primeira vez a música “Inconsciente Inconsistente”, composição do vocalista Felipe Antunes e que estará no terceiro e próximo disco da banda, ainda sem data de lançamento.

E teve mais: foi ali que eles exibiram, também pela primeira vez, o videoclipe da música, que acabou tornando-se um curta-metragem protagonizado pelos atores Cacá Toledo e Paula Possani.

O vídeo, aliás, ultrapassou a barreira da música e foi selecionado para a programação do MIV 2014 – Mostra Internacional de Vídeodança em Foco, realizado em terras cariocas. O público poderá conferi-lo na internet a partir do dia 13/06. “A gente nunca achou que um vídeo nosso seria considerado um vídeo de dança”, conta o baixista Otavio Carvalho. “Ficamos super felizes com isso”.

Na visita ao Rio, a banda ainda passou uma tarde no estúdio de Kassin, que fica no andar de cima do Audio Rebel. O produtor ouviu algumas faixas do inédito álbum do Vitrola e dividiu com Otavio Carvalho a saudade quem ambos sentem do produtor Roy Cicala, morto em janeiro desse ano.

O Vitrola se apresenta no próximo dia 15/06 no Circo Paratodos, para lançamento da música e do vídeo de “Inconsciente Inconsistente” em São Paulo. O show terá a participação da cantora Bárbara Eugênia, dividindo os vocais com Felipe Antunes nesta inspirada canção, e intervenções audiovisuais do coletivo DMV22.

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arte | belisa bagiani

Quem escreveu
Eduardo Lemos

Jornalista, é sócio da Navegar Comunicação e Cultura, agência que atende clientes como Os Paralamas do Sucesso, Mostra Cantautores, Luiz Gabriel Lopes e Cao Laru. É idealizador do festival Navegar Noites Musicais, cuja primeira edição aconteceu em 2017, em Paraty, e do projeto Nick Drake: Lua Rosa, em homenagem ao músico inglês.

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